BC corta a Selic pela 5ª vez seguida e taxa de juros no Brasil cai para 13,75%
A decisão manteve o ritmo do ciclo de corte e era amplamente esperada pelo mercado financeiro

O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu nesta quarta-feira, 16, a taxa Selic para 13,75% ao ano, em uma nova queda de 0,25 ponto percentual.
Essa foi a quinta redução da taxa de juros brasileira neste ano. A Selic chegou a 15% em junho de 2025 e permaneceu no maior patamar em mais de 20 anos até março de 2026.
A decisão manteve o ritmo do ciclo de corte e eraamplamente esperada pelo mercado financeiro.
Apesar da redução dos juros, o Banco Central manteve um tom de cautela no comunicado divulgado após a reunião. O Copom afirmou que o ambiente externo segue marcado por incertezas, especialmente em relação aos conflitos no Oriente Médio e à condução da política monetária em economias avançadas.
Segundo o Comitê, esse cenário exige atenção dos países emergentes diante da maior volatilidade nos preços de ativos e commodities.
No cenário doméstico, o Copom afirmou que os indicadores mais recentes apontam para uma moderação gradual da atividade econômica, principalmente em setores mais sensíveis ao ciclo, embora a economia continue em patamar considerado resiliente. O mercado de trabalho permanece aquecido.
Inflação desacelera
O Banco Central destacou que a inflação cheia e a média dos indicadores subjacentes desaceleraram nas últimas divulgações e ficaram abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, mas ainda permanecem acima da meta.
As expectativas do mercado também seguem como ponto de preocupação para o Copom. Segundo a pesquisa Focus, as projeções de inflação para 2026 e 2027 estão em 4,9% e 4,3%, respectivamente, acima do objetivo perseguido pelo Banco Central.
A projeção do próprio Copom para o primeiro trimestre de 2028, considerado o horizonte relevante da política monetária, é de 3,2% no cenário de referência.
O Comitê afirmou que os riscos para a inflação permanecem elevados e com maior probabilidade de pressão de alta.
Fiscal continua no radar do BC
O Copom também reforçou que segue acompanhando os efeitos da política fiscal doméstica sobre a inflação, os juros e os mercados financeiros.
Segundo o comunicado, os indicadores atuais são compatíveis com uma trajetória de desaceleração da atividade econômica ao longo de 2026. O Comitê afirmou ainda que monitora a desancoragem das expectativas de inflação de longo prazo, já que elas influenciam a formação de preços e aumentam o custo para controlar a inflação.
O Banco Central afirmou que a intensidade total do ciclo de cortes dependerá da evolução dos próximos dados econômicos.
“A magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”, afirmou o Copom.
