BC vai manter juros em patamar restritivo para levar inflação à meta, diz diretor de política monetária
O Banco Central pretende manter a taxa de juros em patamar restritivo pelo tempo necessário para garantir a convergência da inflação à meta, afirmou nesta quinta-feira (24) o diretor de Política Econômica, Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos da autoridade monetária, Paulo Picchetti. “Vamos manter a taxa restritivamente alta para convergir para a […]

O Banco Centralpretende manter a taxa de juros em patamar restritivo pelo tempo necessário para garantir a convergência da inflação à meta, afirmou nesta quinta-feira (24) o diretor de Política Econômica, Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos da autoridade monetária, Paulo Picchetti.
“Vamos manter a taxa restritivamente alta para convergir para a meta”, afirmou o diretor durante a apresentação do Relatório de Política Monetária (RPM) de setembro.
A declaração reforça a mensagem de cautela do BC mesmo após o início do processo de redução dos juros. Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano.
Picchetti destacou que o BC trata o movimento iniciado neste ano como um “ciclo de calibração”. Na prática, segundo ele, isso significa que, apesar das reduções já realizadas, os juros permanecem em território contracionista.
“Mesmo com as reduções que aconteceram desde o início do ano, a gente sempre lembra que a gente está chamando isso de um ciclo de calibração, que, na prática, significa dizer que as taxas ainda estão e vão ser mantidas em patamar restritivo pelo tempo suficiente para atingir o nosso compromisso de convergência à meta”, disse.
Inflação dá alívio, mas BC vê reversão
A cautela ocorre mesmo diante da melhora recente dos índices de preços. Picchetti destacou que tanto a inflação cheia quanto a média dos núcleos estão atualmente abaixo do teto do intervalo de tolerância, mas ainda acima da meta.
O diretor, porém, indicou que esse alívio não deve persistir. “A perspectiva é que isso seja revertido nos próximos meses”, afirmou.
Durante a apresentação, o BC destacou que parte importante das surpresas recentes de inflação veio de preços administrados, como energia elétrica. Os núcleos também desaceleraram, mas em intensidade menor, o que, na avaliação da autoridade monetária, indica que a pressão de demanda ainda não desapareceu.
Outro ponto de atenção continua sendo a inflação de serviços, que permanece em níveis elevados em meio a um mercado de trabalho resiliente. Segundo o BC, os salários continuam crescendo em termos reais e também acima dos ganhos de produtividade.
BC evita antecipar próximos passos
Apesar de reafirmar que os juros continuarão restritivos, Picchetti evitou transformar a mensagem em uma sinalização sobre o tamanho ou o ritmo dos próximos movimentos da Selic.
Segundo o diretor, o elevado grau de incerteza, tanto no Brasil quanto no exterior, justifica a estratégia de manter as decisões dependentes dos dados, sem antecipar explicitamente os próximos passos da política monetária.
O BC manteve em 3,2% sua projeção de inflação para o primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária. A meta perseguida pela autoridade monetária é de 3%.
Na apresentação, Picchetti afirmou que, diante da incerteza sobre a evolução das variáveis relevantes para as projeções, o BC prefere “deixar o cenário aberto”.
