BERK34 segue atraente? Qualidade, caixa e disciplina de capital sustentam a tese da Berkshire Hathaway
A Berkshire Hathaway mostrou, no 2T26, que a transição de liderança para Greg Abel não alterou os pilares centrais da tese de investimento. A receita avançou 10% na comparação anual, para US$ 101,8 bilhões, acima das expectativas, com destaque para o segmento de Seguros, que segue como principal motor do conglomerado, e para as operações […]

A Berkshire Hathaway mostrou, no 2T26, que a transição de liderança para Greg Abel não alterou os pilares centrais da tese de investimento.
A receita avançou 10% na comparação anual, para US$ 101,8 bilhões, acima das expectativas, com destaque para o segmento de Seguros, que segue como principal motor do conglomerado, e para as operações de infraestrutura, com crescimento relevante na BNSF e na Berkshire Hathaway Energy.
Mesmo diante de alguma pressão sobre a sinistralidade da GEICO e sobre o negócio imobiliário, as margens operacionais avançaram, reforçando a capacidade da companhia de gerar resultados consistentes em diferentes segmentos e ao longo de distintos ambientes econômicos.
Outro ponto construtivo foi a mudança na postura de alocação de capital. A Berkshire encerrou o trimestre com cerca de US$ 365,5 bilhões em caixa, ainda um dos maiores volumes de liquidez corporativa do mercado americano, mas Greg Abel começou a colocar parte desse capital para trabalhar de forma mais ativa.
A companhia recomprou aproximadamente US$ 4,5 bilhões em ações próprias no trimestre e manteve as recompras em julho, além de ampliar investimentos em ações e anunciar aquisições relevantes.
Essa combinação entre elevada liquidez, geração operacional robusta e maior disposição para alocar capital pode se transformar em uma fonte adicional de valor para os acionistas, especialmente caso surjam oportunidades em períodos de maior volatilidade nos mercados.
Para os BDRs BERK34, a tese permanece particularmente interessante como uma forma de exposição internacional de perfil defensivo e elevada qualidade. A Berkshire reúne negócios em seguros, ferrovias, energia e atividades industriais, além de manter uma carteira relevante de ações.
Ao mesmo tempo, beneficia-se de um float de seguros de US$ 177,5 bilhões, que funciona, na prática, como uma fonte de capital de baixo custo para financiar investimentos e aquisições.
Negociando próxima de 1,4 vez o valor contábil, em linha com sua média histórica recente, a companhia não parece depender de uma expansão agressiva de múltiplos para gerar retorno. O potencial está, sobretudo, na continuidade do crescimento dos lucros operacionais, nas recompras de ações, em novas aquisições e na utilização disciplinada de sua expressiva reserva de caixa.
Para o investidor brasileiro, a BERK34 oferece ainda diversificação geográfica e cambial, reforçando seu papel como uma das posições mais resilientes dentro de uma carteira global.
