Berkshire compra Taylor Morrison e reforça aposta em habitação nos EUA

A Berkshire Hathaway fechou um acordo para comprar a construtora Taylor Morrison Home Corp por US$ 6,8 bilhões em dinheiro. A operação reforça a presença do conglomerado no setor de habitação dos Estados Unidos e marca a primeira grande aquisição sob o comando de Greg Abel como CEO.
O movimento também coloca novamente em evidência o volume de caixa da companhia, que vinha acumulando recursos em níveis recordes antes de uma decisão mais relevante de alocação.
A transação foi estruturada a US$ 72,50 por ação, um prêmio de aproximadamente 24% em relação ao último fechamento da empresa, o que impulsionou os papéis da construtora nesta segunda-feira, 1º.
A aquisição ocorre com a Berkshire Hathaway ainda carregando uma posição de liquidez robusta, que atingiu US$ 380,2 bilhões ao fim de março. Esse montante vinha sendo acompanhado de perto por investidores em busca de sinais sobre como a nova gestão começaria a alocar capital em larga escala.
Abel afirmou que a companhia pretende integrar os negócios de construção em uma estrutura mais ampla dentro do grupo. Ele disse que a ideia é "unificar nossas operações de construção de casas em uma plataforma combinada", com o objetivo de tornar o processo de compra de imóveis mais eficiente.
O executivo também destacou o perfil da empresa adquirida ao classificá-la como uma construtora de alta qualidade. Em suas palavras, a Taylor Morrison é uma "construtora nacional de casas de primeira linha", reforçando o posicionamento estratégico do ativo dentro do portfólio da Berkshire.
Pressão por escala e consolidação
O setor de construção residencial nos EUA vive uma fase de consolidação, impulsionada por custos elevados de financiamento e necessidade de escala operacional. A aquisição da Taylor Morrison se insere nesse movimento mais amplo de concentração entre grandes players.
A própria Taylor Morrison atua em 12 estados estadunidenses sob marcas como Taylor Morrison, Esplanade e Yardly, com presença tanto em imóveis de entrada quanto em projetos de padrão mais elevado. Em 2025, a companhia registrou lucro líquido de US$ 782,5 milhões e receita de US$ 8,12 bilhões.
A CEO da Taylor Morrison, Sheryl Palmer, vê que a estrutura da Berkshire é "singularmente adequada ao ciclo de investimento plurianual da construção de casas", disse. "Isso nos permitirá expandir a plataforma Taylor Morrison de maneiras que não seriam possíveis como uma empresa independente", acrescentou.
A Berkshire já possui exposição relevante ao setor imobiliário por meio de empresas como a Clayton Homes, adquirida em 2003, além de negócios de materiais de construção e participações em incorporadoras e construtoras listadas.
A estratégia agora passa por integrar essas operações sob uma lógica mais coordenada. A expectativa é que a combinação de construção, materiais e financiamento possa gerar sinergias ao longo do tempo, segundo informações divulgadas pela Reuters.
O fechamento da operação está previsto para o segundo semestre, sujeito a aprovações regulatórias e de acionistas. Até lá, a empresa seguirá operando de forma independente sob sua atual liderança.
