Berkshire Hathaway sem Warren Buffett: a estratégia de Greg Abel para preservar o legado de Oráculo de Omaha

A Berkshire Hathaway passa por um período de transição. Warren Buffett deixou o cargo de diretor executivo da companhia depois de seis décadas. A posição foi assumida por Greg Abel, até então vice-presidente do conselho.
A tarefa de assumir a liderança após Buffett é colossal. O chamado Oráculo de Omaha é considerado por muitos o melhor investidor de todos os tempos. Ele foi o responsável por transformar a Berkshire de uma companhia têxtil em falência em um conglomerado trilionário. Não é surpresa, portanto, que Greg Abel chegue com grande pressão dos acionistas.
Manter um legado
A liderança de Buffett ao lado de seu parceiro de negócios e amigo de longa data, Charlie Munger, é considerado um dos principais motivos para a Berkshire Hathaway ser o que é hoje.
No mês passado, na mais recente reunião anual da Berkshire Hathaway, realizada na sede do conglomerado em Omaha, Nebraska, quatro meses após assumir o comando da empresa, Greg Abel procurou tranquilizar os acionistas.
Ele disse que pretende liderar investindo de maneira sábia e sem os fardos da burocracia.
A conferência que costumava atrair multidões quando Buffett e Munger presidiam a reunião apresentou um número bem mais reduzido do que o normal.
Talvez menos gente tenha prestado atenção. Mas isso não diminui a relevância da fala de Abel para os acionistas do conglomerado.
Em sua fala, o novo CEO, reconheceu o legado de seu antecessor e garantiu aos acionistas que não tem planos de fragmentar o conglomerado.
Atualmente, a Berkshire Hathaway conta com cerca de 200 empresas, incluindo a seguradora de automóveis Geico, empresas industriais e químicas, concessionárias de serviços públicos, a rede de sorveterias Dairy Queen, entre muitas outras.
O novo líder admite que recebe a empresa com uma herança de uma operação eficiente, graças a equipe de especialistas. “Queremos que a Berkshire perdure”, afirma Abel.
Além de manter o legado, ele busca crescimento, e diz que avalia constantemente oportunidades de ampliar o portfólio atual da empresa.
Entre a cultura da Berkhsire, Abel destaca a vontade de preservar a tradição de esperar o momento certo. “Eu acredito que um dos nossos principais pontos positivos aqui na Berkshire é ser paciente na alocação de capital”, afirmou o novo diretor executivo.
Abel admite que o conglomerado só é o que é hoje por conta desta cautela na escolha de seus investimentos. Afirma que a companhia já possui uma filosofia de investimentos definida e que planeja permanecer fiel a ela.
Filosofia de investimentos da Berkshire Hathaway
No decorrer da conferência, Greg Abel confirmou que entre os inúmeros lemas da administração de Warren Buffett, o da paciência é definitivamente um que ele pretende manter.
De acordo com o novo CEO do conglomerado, o primeiro passo para atacar uma oportunidade do mercado é entender o investimento.
“Eu sempre começo assim, e sei que temos isso na Berkshire. A gente entende esse negócio? Compreendemos a oportunidade? E, mais importante, nós estamos cientes dos riscos?”, diz Abel
Depois de conhecer o investimento mais profundamente, é importante pensar nesse investimento a longo prazo. Abel afirma que no conglomerado eles normalmente avançam um passo além, porque investem com planos de manter esses investimentos para sempre.
Buffett costumava dizer durante sua administração que ele gostava de manter investimentos para sempre e não entrar em nenhum sem compreender as perspectivas econômicas e os riscos.
Por fim, Abel destaca a importância de o investimento fazer sentido com a empresa: “Se chegarmos a um patamar de valor que faça sentido para a alocação do nosso capital, nós não somos ansiosos, queremos saber se a a oportunidade atende aos nossos princípios, e então agiremos com firmeza, rapidez e um aporte significativo de recursos”.
*Sob supervisão de Ricardo Gozzi
