Bezos e governo britânico investem em startup que busca novos materiais para chips

Jeff Bezos, fundador da Amazon, e o governo do Reino Unido investiram em uma startup britânica que quer se tornar o "buscador de materiais raros" da indústria de tecnologia.
A CuspAI, sediada em Cambridge, levantou US$ 450 milhões e anunciou nesta segunda-feira, 20,uma parceria com a Nvidia e outras líderes do setor para encontrar avanços em semicondutores, energia limpa e manufatura avançada.
A rodada avalia a empresa, fundada há dois anos, em US$ 2,6 bilhões. O aporte foi liderado pelos fundos Kleiner Perkins e NEA, com participação relevante da Bezos Expeditions, o veículo de investimentos pessoal do bilionário.
Também entraram Glade Brook Capital Partners, Lux Capital, AMD Ventures e o fundo soberano de IA do governo britânico.
O problema que a startup quer resolver
A tese da companhia é que a próxima onda de avanços tecnológicos está travada por um gargalo pouco discutido.
"Se não avançarmos rápido, os próximos 50 anos de progresso industrial serão limitados por um único desafio: o mundo precisa de materiais que ainda não existem", afirmaram os cofundadores Chad Edwards e Max Welling.
A CuspAI usa inteligência artificial (IA) para simular o desempenho de materiais inéditos, reduzindo o número gigantesco de possibilidades que precisariam ser testadas em laboratório.
Entre os objetivos declarados estão encurtar de forma significativa o tempo de pesquisa e reduzir — ou eliminar — o uso de metais raros como irídio e rutênio nas cadeias de suprimento das fabricantes de chips.
A coalizão com Nvidia, Meta e Hyundai
Junto com o aporte, a empresa lançou a AI Materials Foundry, uma coalizão de mais de 48 companhias de tecnologia, empresas industriais e centros de pesquisa.
A ideia é reunir dados, laboratórios, capacidade computacional e conhecimento científico em uma rede que roda sobre a plataforma da CuspAI.
A Nvidia está entre as 45 organizações que fornecerão a infraestrutura de computação. Também integram o grupo a Meta, dona do Facebook e do Instagram, por meio de sua equipe de pesquisa fundamental em IA, e a montadora Hyundai.
O objetivo comum é usar modelos de IA de fronteira para descobrir materiais capazes de tornar redes de energia e baterias mais eficientes e de ampliar a potência dos semicondutores que sustentam a própria corrida da IA.
O interesse do governo britânico
Para o Reino Unido, o aporte tem um componente de política industrial. O fundo soberano de IA do país costuma fazer investimentos de participação entre £ 1 milhão e £ 10 milhões, e exige que a empresa tenha sede principal no Reino Unido e fundadores britânicos.
"A CuspAI está colocando o poder da IA para trabalhar e nos ajudar a enfrentar alguns dos maiores desafios do Reino Unido e do mundo hoje, como energia e mudança climática", afirmou Liz Kendall, secretária de Ciência e Tecnologia do país. Segundo ela, apoiar empresas britânicas como essa abre caminho para descobertas que devem fazer a economia crescer.
Mais uma aposta de Bezos na ciência com IA
O investimento se soma a outros movimentos do fundador da Amazon nessa direção. Sua própria empresa, a Prometheus, criada em 2025, desenvolve IA voltada à invenção e à engenharia física, e já levantou US$ 12 bilhões, com avaliação de US$ 41 bilhões.
A CuspAI, por sua vez, prepara a expansão internacional: vai abrir um escritório em Singapura e ampliar equipes no Reino Unido, na Holanda, na Alemanha, no Japão e nos Estados Unidos.
"À medida que a IA transforma o mundo físico, novos materiais vão abrir novas fronteiras em semicondutores, energia e manufatura avançada", afirmou Chad Edwards, presidente-executivo e cofundador da companhia.
