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Sacre Investimentos
Inteligência ArtificialBDR
25/09/2026
4 min

Bill Gates diz que a IA já tem poder para causar 'um bilhão de mortes'

O cofundador da Microsoft intensificou os alertas sobre os riscos da tecnologia e defendeu empregos exclusivos para humanos, taxação de tokens e novas instituições de governança

Bill Gates diz que a IA já tem poder para causar 'um bilhão de mortes'
RESUMO +

Bill Gates vai afirmar neste fim de semana, no programa “Meet the Press”, da emissora americana NBC, que a inteligência artificial pode provocar eventos com 1 bilhão de mortes e até dizimar a humanidade. O cofundador da empresa Microsoft intensificou os alertas sobre os riscos da IA e defendeu empregos exclusivos para humanos, taxação de tokens e novas instituições de governança.

Para Bill Gates, a inteligência artificial (IA) poderá causar a morte de até um bilhão de pessoas, se usada com más intenções. "A IA certamente tem poder suficiente para provocar eventos que causariam um bilhão de mortes", disse o cofundador da Microsoft à jornalista Kristen Welker, em trechos divulgados nesta sexta-feira, 25, de entrevista que vai ao ar neste fim de semana no programa "Meet the Press", da NBC.

"Mesmo sendo bem difícil chegar a 100% [de eficácia], nunca existiu uma arma tão poderosa quanto a combinação de pessoas com más intenções usando as ferramentas de IA mais recentes", afirmou.

Gates já foi considerado um dos nomes historicamente mais otimistas da tecnologia. Ao longo deste ano, porém, Gates vem soando o alarme sobre os riscos da IA com frequência crescente, em um momento em que empresas do setor e o próprio governo americano ainda discutem como lidar com o temor de um cenário catastrófico causado pela tecnologia.

O mal mais grave não é novidade isolada. Em agosto, Gates publicou um ensaio de quase 12 páginas em seu site pessoal, o Gatesnotes, intitulado "A Turbulent AI Era and Critical Choices to Make" ("Uma era turbulenta de IA e escolhas críticas a fazer", em tradução livre), no qual definiu a IA como uma tecnologia mais consequente do que praticamente qualquer outra da história.

No texto, ele descreveu três riscos que, para ele, os líderes mundiais ainda não estão preparados para enfrentar: o desaparecimento definitivo de empregos, o fortalecimento de criminosos e o comprometimento do desenvolvimento infantil.

"A IA será o maior equalizador já inventado, ou a pior fonte de injustiça já criada", escreveu na ocasião. "No ritmo e na velocidade atuais, há uma chance muito alta de um resultado líquido negativo."

No mesmo ensaio, Gates defendeu medidas concretas para conter esses riscos, como a criação de empregos reservados exclusivamente a humanos e a taxação do uso de tokens de IA pelas empresas — as unidades que medem o processamento consumido por cada consulta feita a um modelo. Ele também cobrou a criação de novas instituições de governança antes que a confiança pública na tecnologia se deteriore.

Da otimista 'oportunidade fantástica' ao alerta de risco existencial

A guinada de tom marca uma mudança em relação à forma como Gates falava da tecnologia até pouco tempo atrás. Em 2024, ele havia dito à CNBC que, se fosse abrir uma empresa do zero hoje, apostaria todas as fichas em IA, chamando o momento de "uma oportunidade fantástica" e incentivando jovens da Microsoft e da OpenAI a seguir por esse caminho.

Também chegou a defender publicamente o potencial da tecnologia para preencher lacunas em áreas como saúde e educação, ao citar a escassez de médicos e professores em países como a Índia e nações africanas.

Nas últimas semanas, porém, os alertas se tornaram mais frequentes e mais graves. No início de setembro, segundo reportagem da agência Axios, Gates afirmou enxergar um cenário em que a IA poderia, no limite, provocar a extinção da humanidade. Ele também vem defendendo que certos empregos sejam mantidos fora do alcance da automação e disse que governos e partidos políticos precisam agir em conjunto, desde já, para impedir que a tecnologia saia de controle.

O alerta de Gates entra num coro que ganhou força ao longo do ano dentro da própria indústria de IA. O CEO da Anthropic, Dario Amodei, já defendeu que o setor reduza o ritmo de desenvolvimento dos modelos mais avançados, e o pesquisador Jacob Coxon deixou a Anthropic este mês afirmando que a corrida da IA pode sair do controle. Do lado oposto do debate, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, disse ver "zero chance" da IA acabar com a humanidade até 2030.


AutorTamires Vitorio
FonteExame
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