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30/10/2026
5 min

Binance, Bitget e Polymarket: ataques hackers expõem vulnerabilidade do mercado cripto em 2026

Sequência de ataques a corretoras e projetos descentralizados preocupa o setor, em ano que já é recordista de roubos

Binance, Bitget e Polymarket: ataques hackers expõem vulnerabilidade do mercado cripto em 2026

O mercado de criptomoedas enfrenta uma sequência de ataques hackers de grandes proporções em 2026. O episódio mais recente envolve a Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, que investiga um possível incidente de segurança que pode ter provocado a movimentação de até US$ 5,5 bilhões em ativos digitais. Se confirmado, o caso será o maior roubo da história do setor.

O episódio acontece em um momento de aumento na frequência de ataques contra empresas e protocolos do mercado cripto. Somente nas últimas semanas, a exchange Bitget também foi alvo de uma invasão milionária, enquanto a plataforma de mercados preditivos Polymarket confirmou um incidente de segurança nesta quinta-feira, 29.

No caso da Binance, estimativas de empresas de análise de blockchain e especialistas apontam que aproximadamente US$ 5,5 bilhões podem ter sido retirados de carteiras associadas à corretora. A empresa, entretanto, ainda não confirmou o valor das perdas.

Em comunicado, a Binance afirmou que está investigando relatos de um possível problema de segurança e garantiu que os fundos dos usuários estão seguros. A exchange também suspendeu temporariamente saques em algumas redes como medida preventiva.

A resposta de empresas emissoras de stablecoins chamou atenção. Tether e Circle congelaram mais de US$ 2,38 bilhões em ativos relacionados ao incidente. A Ripple também teria bloqueado aproximadamente US$ 200 milhões, de acordo com a cofundadora da Binance, Yi He.

Bitget perdeu US$ 351 milhões em ataque hacker

Em setembro, a exchange Bitget sofreu um dos maiores ataques hackers do ano. Em 24 de setembro, invasores conseguiram retirar aproximadamente US$ 351,6 milhões de carteiras quentes (conectadas à internet) da plataforma, segundo levantamento da empresa de análise de blockchain TRM Labs.

O ataque atingiu diferentes redes, incluindo Ethereum, XRP Ledger, Arbitrum, Avalanche, Optimism, BNB Chain e Base.

Segundo a Bitget, os invasores comprometeram um sistema de backend conectado à infraestrutura de carteiras da corretora. A partir disso, conseguiram manipular as informações de transações apresentadas ao processo de autorização, fazendo com que transferências não autorizadas fossem aprovadas.

A empresa afirmou que suas chaves privadas não foram roubadas e que os recursos retirados estavam cobertos pelo fundo de proteção de usuários, avaliado em US$ 464 milhões.

A Bitget também suspendeu temporariamente os saques após identificar as movimentações suspeitas.
A TRM Labs apontou conexões entre a movimentação dos recursos roubados e redes utilizadas anteriormente por hackers associados à Coreia do Norte. A atribuição, porém, ainda não foi considerada definitiva pela empresa de análise.

KelpDAO e Drift Protocol perderam quase US$ 600 milhões

Outro episódio importante aconteceu em abril, quando dois protocolos de finanças descentralizadas (DeFi) sofreram ataques que, juntos, provocaram perdas próximas de US$ 577 milhões.

Em 1º de abril, o Drift Protocol sofreu um ataque que resultou em aproximadamente US$ 285 milhões em perdas. O caso foi associado a uma operação sofisticada que envolveu comprometimento de infraestrutura e engenharia social.

Pouco mais de duas semanas depois, em 18 de abril, foi a vez da KelpDAO sofrer um ataque. Invasores exploraram uma vulnerabilidade na infraestrutura de comunicação entre blockchains utilizada pelo protocolo e conseguiram retirar 116,5 mil unidades de rsETH, avaliadas em aproximadamente US$ 292 milhões na ocasião.

Segundo relatório publicado pela LayerZero, responsável pela infraestrutura de comunicação utilizada no projeto, o ataque começou com uma operação de engenharia social contra um desenvolvedor. Os invasores conseguiram acessar credenciais e comprometer servidores utilizados no processo de verificação de transações.

Investigações conduzidas por empresas de cibersegurança, incluindo Mandiant e CrowdStrike, atribuíram o ataque a um grupo hacker ligado à Coreia do Norte.

O episódio também provocou consequências em outros protocolos DeFi, uma vez que o rsETH roubado foi utilizado como garantia em operações de empréstimo, ampliando os riscos para o restante do ecossistema.

Polymarket também sofreu ataque nesta quinta-feira

A sequência de incidentes chegou também ao mercado de previsões. A Polymarket sofreu um ataque hacker nesta quinta-feira, 29, que provocou perdas estimadas em aproximadamente US$ 2,7 milhões.
Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, o incidente envolveu o comprometimento de um fornecedor terceirizado de software, identificado como DebugBear.

A plataforma chegou a interromper temporariamente as negociações e os saques enquanto investigava o problema.

O episódio aconteceu poucas horas antes dos relatos sobre o possível ataque à Binance, ampliando as preocupações sobre a segurança das empresas que operam no mercado de ativos digitais.

Número de ataques hackers bate recorde em 2026

O aumento na frequência dos incidentes aparece também nos levantamentos de empresas especializadas em rastreamento de atividades ilícitas no mercado cripto.

Segundo relatório da TRM Labs, 207 ataques hackers foram registrados no primeiro semestre de 2026, o maior número já contabilizado pela empresa em um período de seis meses.

As perdas financeiras, entretanto, somaram US$ 972 milhões, menos da metade dos US$ 2,3 bilhões registrados no mesmo intervalo de 2025.

A diferença entre os números indica que os ataques estão mais frequentes, mas que uma parcela importante dos prejuízos continua concentrada em poucas operações de grande escala.

A TRM Labs aponta que invasões de infraestrutura e sistemas operacionais representaram aproximadamente 15% dos incidentes, mas responderam por 76% do valor total roubado no primeiro semestre.

Já as vulnerabilidades em contratos inteligentes representaram a maior parte dos ataques registrados, embora tenham provocado uma parcela menor das perdas financeiras.

A empresa também estima que aproximadamente US$ 643 milhões, ou 66% dos valores roubados no período, estejam associados a operações ligadas à Coreia do Norte.

AutorRicardo Bomfim
FonteExame
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