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04/08/2026
5 min

Bitcoin a US$ 100 mil? CIO da Hashdex vê mais dois meses de bear market seguidos de três anos de recuperação

O mercado de criptomoedas ainda deve atravessar mais dois a três meses de um cenário negativo, após o bitcoin sair da máxima de US$ 126 mil, registrada em outubro de 2025, para a faixa dos US$ 60 mil em menos de um ano. Samir Kerbage, Chief Investment Officer (CIO) da Hashdex, no entanto, avalia que, […]

Bitcoin a US$ 100 mil? CIO da Hashdex vê mais dois meses de bear market seguidos de três anos de recuperação

O mercado de criptomoedas ainda deve atravessar mais dois a três meses de um cenário negativo, após o bitcoin sair da máxima de US$ 126 mil, registrada em outubro de 2025, para a faixa dos US$ 60 mil em menos de um ano. Samir Kerbage, Chief Investment Officer (CIO) da Hashdex, no entanto, avalia que, caso o ciclo histórico da criptomoeda volte a se repetir, o mercado poderá entrar em uma nova recuperação pelos próximos três anos.

“Se continuar rimando, teremos ainda alguns dois, três meses de um bear market, de um mercado mais pessimista. Depois, começa uma recuperação, que deve durar três anos. Não tenho nenhum motivo para acreditar que vai se repetir, mas tem acontecido”, disse Kerbage, em entrevista ao Money Minds, programa do Money Times no YouTube.

Assista a seguir à íntegra da entrevista.

https://youtu.be/xvQzmNs3Pdw

Segundo o CIO da Hashdex, a queda recente do bitcoin pode ser explicada pela combinação de três fatores: o ciclo histórico de quatro anos da criptomoeda, o ambiente macroeconômico de juros elevados e a migração do capital de risco para empresas de inteligência artificial (IA).

Na avaliação dele, o bitcoin apresenta um ciclo de quatro anos de forma consistente ao longo dos últimos 15 anos.

“O fato é que, a partir de outubro do ano passado, quando justamente completou-se aquele ciclo de quatro anos, a gente viu uma correção relevante no mercado cripto.”

Além do fator cíclico, o executivo destaca que a manutenção de juros elevados nas principais economias do mundo reduziu o apetite por ativos de risco.

Ele lembra que grande parte da correção de cripto este ano aconteceu na semana da nomeação do novo chairman do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh. O indicado de Donald Trump mudou o sentimento do mercado em relação ao futuro dos juros nos Estados Unidos (EUA).

“O ambiente de juros mais altos por mais tempo tende a ser negativo para ativos de risco”, afirmou.

O terceiro fator, segundo Kernbage, é a concentração dos investimentos em inteligência artificial. “A bolha de IA continua crescendo e inflando. O pouco de liquidez e de apetite para risco que ainda existe no mercado está indo para essa tese.”

CIO vê tese cada vez mais forte

Apesar da correção dos preços, o CIO da Hashdex avalia que os fundamentos do mercado de criptomoedas continuam se fortalecendo.

Segundo ele, o avanço da clareza regulatória nos EUA, o crescimento da tokenização de ativos, a expansão das stablecoins e o interesse maior de grandes instituições financeiras pelo setor reforçam a tese de longo prazo para os criptoativos.

Na avaliação do executivo, bancos e gestoras ao redor do mundo já passaram a estruturar áreas dedicadas à tokenização e stablecoins, enquanto o desenvolvimento da infraestrutura do setor continua avançando mesmo em um cenário de menor interesse dos investidores.

“Enquanto o mercado está nesse marasmo e não está olhando para cripto, a tese de cripto, do ponto de vista dos fundamentos, está ficando cada vez mais forte. Essa desconexão entre sentimento, preço e fundamento está parecendo uma ‘baita’ oportunidade”, disse.

Bitcoin deve oscilar entre US$ 50 mil e US$ 100 mil

Para o restante de 2026, Kerbage evita projeções mais otimistas para o curto prazo e espera um período de elevada volatilidade. Segundo ele, o bitcoin pode oscilar dentro de uma faixa de US$ 50 mil e US$ 100 mil.

O executivo também considera improvável uma nova queda para os níveis observados em ciclos anteriores.

“Não acho que a gente vai ver o Bitcoin de novo a US$ 40 mil, US$ 30 mil. Uma correção mais acentuada do que isso está fora do meu radar.”

Por outro lado, também não espera uma retomada rápida das máximas históricas.

“Esse ciclo se repetindo leva um tempo para ele voltar aos US$ 120 mil, aos US$ 150 mil. Eu olharia isso mais para um horizonte de um a dois anos do que de seis meses”, afirmou.

Bitcoin é só a ponta do iceberg

Para Kerbage, limitar a discussão sobre criptomoedas ao bitcoin equivale a resumir toda a internet ao e-mail no fim dos anos 1990. “Resumir isso tudo à moeda ou só ao bitcoin seria como resumir a internet a e-mail.”

Na avaliação do executivo, o bitcoin representa apenas uma parte das oportunidades existentes no setor. “O bitcoin é só a ponta do iceberg do ponto de vista de oportunidades em cripto”, disse.

Ele explica que a moeda possui uma tese específica de reserva digital de valor, enquanto outras redes podem capturar o crescimento de aplicações baseadas em blockchain.

“Você tem as plataformas de contratos inteligentes, ethereum, solana, hyperliquid, que funcionam como uma nova camada da internet para registrar ativos.”

Segundo Kerbage, a tokenização de ativos, o avanço das stablecoins e a integração entre inteligência artificial e blockchain devem impulsionar essas plataformas ao longo dos próximos anos.

Ao ser questionado sobre qual projeto melhor representa a nova fase do mercado, ele cita, justamente, a hyperliquid.

Na avaliação dele, o diferencial está no modelo econômico do protocolo. “Tem um modelo de negócio que, de fato, cria valor para o token, que faz com que a adoção da rede vire valor para o token.”

Ainda assim, o executivo afirma que a estratégia da Hashdex continua sendo priorizar uma exposição diversificada ao setor.

“A nossa tese principal é que você tem que ter exposição a esse mercado de forma diversificada, que é muito cedo para escolher os vencedores”, afirmou.

AutorGiovana Leal
FonteMoney Times
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