Bitcoin amplia a queda com novo dado ruim da inflação dos EUA e pode buscar os US$ 79 mil
Criptomoedas caem em meio à soma da piora macroeconômica com um dia de crash na bolsa de valores da Coreia do Sul

O bitcoin estende a queda de ontem nesta quinta-feira, 15, depois de mais um dado de inflação ruim nos Estados Unidos.
O Índice de Preços ao Produtor (PPI, na sigla em inglês) dos EUA cresceu 1,3% em setembro, bem mais do que os 0,6% esperados pelos economistas. Na base anual, o PPI subiu 6,3%, enquanto o mercado estimava um aumento a 5,3%.
Esse dado vem depois de um Índice de Preços ao Consumidor (CPI) alto ontem. A inflação ao consumidor avançou 0,6%, em linha com as expectativas, mas o núcleo do CPI cresceu a 0,3%, acima dos 0,2% esperados. O indicador está em 3,7% na base anual, bem acima da meta do Federal Reserve (Fed), que é de 2% ao ano.
Com isso, o Fed pode precisar aumentar mais os juros dos EUA nas próximas reuniões para conter o aumento da inflação. Isso é ruim para ativos de risco, tais quais as criptomoedas, pois significa menor liquidez global e maior atratividade da renda fixa e de investimentos mais seguros.
Às 10h43 (horário de Brasília) o bitcoin caía 2,8% em um período de 24 horas, cotado a US$ 80.574.
Bolsa da Coreia despenca e bitcoin tem onda de liquidações
Fora a inflação norte-americana, também prejudica o desempenho do mercado a queda de quase 8% do índice KOSPI, da bolsa de valores da Coreia do Sul. Em relatório, a consultoria Vault Capital destaca que a baixa foi tão grande que acionou o "circuit breaker", parando as negociações por 20 minutos, algo que não acontecia desde julho.
"Foi no meio do pregão coreano, perto das 23h de ontem aqui, que o bitcoin fez a mínima: US$ 80.226. Foi a terceira visita desde a semana passada ao custo médio de quem comprou a criptomoeda recentemente, e, como na primeira, o preço furou por algumas horas. De novo foi comprado de volta, e voltou para US$ 81 mil enquanto a Coreia seguia caindo", comenta Marco Aurélio de Camargos, CIO da Vault.O que assusta, segundo Camargos, é que desta vez o fundo veio mais baixo que os dois anteriores. Portanto, a única defesa de nível que o mercado tem hoje é o custo médio dos investidores de curto prazo, que está em US$ 80,8 mil. Se o bitcoin terminar o dia abaixo dessa cotação, o ativo deve buscar o próximo suporte gráfico, nos US$ 79 mil.
Gráfico do bitcoin em 15 de outubro de 2026
Já Noah Cheung, country manager da corretora Bitget no Brasil, lembra que a pressão sobre o mercado cripto provocou quase US$ 1 bilhão em liquidações de posições alavancadas nas últimas 24 horas. "O movimento evidencia o impacto dos dados de inflação sobre um mercado que já apresentava posicionamento elevado em contratos futuros", afirma.
Para Cheung, os investidores estão reduzindo a exposição a ativos de maior risco e buscando alternativas consideradas mais seguras, em um cenário que também levanta preocupações com a possibilidade de "estagflação" na maior economia do mundo.ETFs e indicadores
Ontem, foi registrado um saldo líquido negativo de US$ 261,4 milhões nos fundos negociados em bolsa (ETFs, na sigla em inglês) de bitcoin à vista dos EUA.
Os dois maiores alvos do fluxo vendedor foram o FBTC, da gestora Fidelity, com US$ 152,7 milhões de excesso de vendas de cotas em relação às compras; e o IBIT, da BlackRock, com US$ 110,9 milhões.
Nos ETFs da criptomoeda ether, por sua vez, o saldo foi negativo em US$ 129,5 milhões.
Entre os indicadores, o índice Fear & Greed (medo e ganância, na tradução literal) das criptomoedas caiu dos 54 para os 47 pontos. Com isso, o sentimento do mercado se mantém na zona considerada "neutra", mas começa a se aproximar da predominância do "medo".
O Fear & Greed usa informações como momentum de preços, volatilidade e posições predominantes no mercado de derivativos para criar um score que vai de 0 a 100 pontos. Quanto mais próximo de zero maior é o medo dos investidores, ao passo que valores perto de 100 indicam predominância do otimismo e apetite por risco.
