Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
CriptomoedasCPTO
21/07/2026
4 min

Bitcoin (BTC) em disparada? Até onde a criptomoeda pode chegar, segundo especialistas

Bitcoin (BTC) em disparada? Até onde a criptomoeda pode chegar, segundo especialistas

O bitcoin (BTC) voltou a ganhar força e alcançou a marca de US$ 66 mil nesta terça-feira (21). Para José Artur Ribeiro, CEO da Coinext, a alta tem fundamentos consistentes, mas ainda precisa provar que veio para ficar.

De acordo com o executivo, a recuperação foi impulsionada por uma combinação de fatores, entre eles a entrada de mais de US$ 700 milhões nos ETFs de bitcoin à vista em cinco pregões consecutivos e a recuperação das ações de semicondutores na Ásia, que ajudou a restaurar o apetite por risco.

Há, ainda, o avanço das discussões em torno do Clarity Act nos Estados Unidos, um projeto de lei que pode ampliar a participação institucionalno mercado de criptomoedas no país.

Na avaliação de Ribeiro, além desses fundamentos, alguns indicadores técnicos também reforçam uma leitura mais positiva para o maior ativo digital do mundo.

“O movimento [de valorização] é promissor, mas ainda incompleto. Na correção de junho, quando o BTC recuou para US$ 58 mil, três indicadores técnicos se alinharam simultaneamente pela primeira vez desde dezembro de 2022: o RSI mensal, o Chande Momentum Oscillator e a média móvel de 50 meses, em uma combinação que, historicamente, marcou fundos de ciclo relevantes”, afirmou ele ao Money Times.

“Existem, porém, limites claros para esse otimismo. O volume no mercado à vista, por exemplo, segue contido, num sinal de que a alta reflete retorno do apetite por risco, mas não ainda convicção estrutural de novos compradores”, acrescentou.

“Além disso, o macro ainda não coopera plenamente: a reunião do Fed [Federal Reserve] de 28 e 29 de julho é o próximo teste, com o mercado precificando cerca de 15% de chance de uma alta de juros, mas com setembro ainda em aberto.”

Até onde vai o bitcoin?

De acordo com Ribeiro, para transformar o atual repique em uma tendência consistente de alta, o bitcoin precisa sustentar os US$ 65 mil no fechamento semanal.

No campo dos suportes, o CEO da Coinext disse que uma perda desse nível reativaria a faixa dos US$ 62 mil, onde está a média móvel de 200 semanas. Abaixo disso, segundo ele, o caminho voltaria para os US$ 58 mil — mínima registrada em junho.

Já no campo das resistências, o executivo ponderou que o próximo teste está em US$ 72,2 mil, nível que, se superado com volume, abriria caminho para a faixa dos US$ 75 mil a US$ 82 mil.

“Para que isso aconteça, o mercado vai precisar de catalisadores concretos: Fed sem sinalização de alta em julho, inflação mais fria nos próximos meses e reversão consistente dos fluxos nos ETFs. Enquanto esses elementos não se alinham, os próximos fechamentos semanais serão o termômetro”, afirmou Ribeiro.

Mercado ainda inspira cautela

A leitura é compartilhada por Marco Aurélio de Camargos, CIO da Vault Capital, que também ponderou que o fechamento semanal será decisivo para confirmar se o movimento atual representa o início de uma nova tendência de alta ou apenas um repique.

“O comportamento do bitcoin está chamando atenção. O ativo conseguiu o rompimento acima de US$ 65.571. Era essa a confirmação que precisávamos? Não. Tudo o que acontece durante a semana nos direciona, mas não confirma. O foco final é o semanal”, ponderou ele, ao dizer que o movimento observado até agora inspira cautela.

“O raciocínio é simples. O catalisador geral para o mercado ficar otimista era a inflação dos EUA, que veio abaixo do esperado. Só que aquele dado contabilizava um cenário de guerra estabilizada e brent [petróleo] estável. O que temos agora é o inverso, e não parece algo prestes a acabar.”

A avaliação de Camargos é de que o mercado parece ignorar fatores que normalmente pressionariam os ativos de risco.

“O que intriga ainda mais é a dessensibilização do preço. Desde a semana passada, inúmeros ataques vêm ocorrendo [no Oriente Médio] e não fazem preço nos ativos. E não é só a guerra, é o cenário como um todo: tarifas do Trump voltando, petróleo em US$ 90 e o preço ignorando tudo”, afirmou.

Para o CIO da Vault Capital, o intervalo entre US$ 66 mil e US$ 70 mil será a principal região de teste do BTC nas próximas sessões.

“Acima de US$ 65 mil, o corredor entre US$ 66 mil e US$ 70 mil é o mapa, degrau por degrau. A perda dos US$ 65 mil tira o amortecimento dos dealers e recoloca US$ 64.259 como gatilho de volta ao range. Cenário externo e preço estão contando histórias diferentes e, até uma delas ceder, compreendemos os níveis, não a narrativa.”

AutorIgor Grecco
FonteMoney Times
Distribuído por