Bitcoin cai 2,6% com petróleo a US$ 105 e maior probabilidade de aumento dos juros nos EUA
Criptomoedas sofrem com sinalizações de que a inflação nos EUA continuará sendo uma preocupação, com impacto direto na política monetária

O bitcoin opera em queda nesta quinta-feira, 10, em meio a um cenário macroeconômico cada vez mais desafiador. O barril do petróleo tipo Brent subiu a US$ 105,23, em sua máxima desde abril, enquanto o Índice de Preços ao Produtor (PPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos cresceu 0,4% em agosto e chegou a 5,4% em 12 meses.
Com todos os sinais apontando para aumento da inflação, uma elevação de juros pelo Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) na semana que vem é bastante provável. No mercado preditivo Polymarket, as apostas apontam 64% de chance de aumento de 0,25 ponto percentual na taxa de juros dos EUA já em setembro, contra 36% de probabilidade de manutenção.
Juros mais altos na maior economia do mundo significam menor liquidez global e uma maior atratividade da renda fixa, o que prejudica ativos de renda variável, tais quais as criptomoedas.
Hoje às 10h56 (horário de Brasília) o bitcoin caía 2,6% em um período de 24 horas, cotado a US$ 77.146 por unidade.
Soma de notícias negativas para o bitcoin
Segundo Pedro Fontes, analista da corretora Mercado Bitcoin, é má notícia que os juros longos dos EUA continuam elevados mesmo após o Tesouro aumentar suas recompras de títulos de US$ 2 bilhões para US$ 4 bilhões por operação.
"No curto prazo, isso concorre com o bitcoin pela atenção dos investidores. Mas, caso o governo precise intensificar ainda mais o suporte ao mercado de dívida, a maior liquidez pode voltar a favorecer ativos como o BTC", afirma Fontes.Para Noah Cheung, country manager da corretora Bitget no Brasil, a demanda institucional também começa a mostrar sinais de cautela. "Os ETFs [fundos negociados em bolsa] à vista de bitcoin registraram uma saída de cerca de US$ 120 milhões na quarta-feira, após uma saída de aproximadamente US$ 46 milhões no dia anterior", lembra.
Cheung diz que o enfraquecimento da demanda por bitcoin nas bolsas de valores, combinado com o aumento das tensões geopolíticas entre EUA e Irã no Estreito de Ormuz, reduz o apetite por ativos de risco.
"No curto prazo, a região de US$76 mil passa a ser um nível importante. Enquanto o bitcoin conseguir se manter acima desse patamar, o recuo pode ser interpretado como uma correção dentro da tendência recente", argumenta.ETFs têm novo dia de saída de capital
Ontem, foi registrado um saldo líquido negativo de US$ 120,2 milhões nos ETFs de bitcoin à vista dos EUA. O maior alvo do fluxo vendedor foi o ARKB, da gestora Ark Invest, com US$ 78 milhões de excesso de vendas de cotas em relação às compras.
Nos ETFs da criptomoeda ether, por sua vez, o saldo foi positivo em US$ 34,7 milhões.
Entre os indicadores, o índice Fear & Greed (medo e ganância, na tradução literal) das criptomoedas caiu dos 74 para os 68 pontos. Essa região indica que o sentimento predominante no mercado cripto ainda é o de “ganância”.
O Fear & Greed usa informações como momentum de preços, volatilidade e posições predominantes no mercado de derivativos para criar um score que vai de 0 a 100 pontos. Quanto mais próximo de zero maior é o medo dos investidores, ao passo que valores perto de 100 indicam predominância do otimismo e apetite por risco.
