Bitcoin cai 5% após Binance sofrer maior ataque hacker da história
Criptomoedas despencam com temores relacionados à cibersegurança, mas analista diz que baixa é menor do que a esperada em um evento tão impressionante

O bitcoin opera em forte queda nesta sexta-feira, 30, e retorna aos US$ 76 mil, sua mínima desde 18 de setembro, em meio ao ataque hacker que desviou US$ 6,3 bilhões da Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo.
A exchange suspendeu os saques de recursos de seus mais de 300 milhões de usuários globalmente para evitar mais saídas relacionadas ao incidente. As investigações apontam para a invasão do notebook de um engenheiro de DevOps por hackers da Coreia do Norte.
Mesmo assim, a corretora tem desde ontem garantido aos clientes que as contas de usuários estão seguras e que a companhia tem caixa o bastante para cobrir o rombo, por mais que ele exceda o fundo de reserva que a Binance batizou de SAFU.
Às 11h43 (horário de Brasília) o bitcoin caía 5,4% em um período de 24 horas, cotado a US$ 76.838. O ether, segunda maior criptomoeda do mundo em valor de mercado, recua 5%, a US$ 2.226; e o BNB, token da Binance Smart Chain, despenca 6,8%, a US$ 696.
Impacto do hack da Binance nas criptomoedas
Segundo Vinicius Bazan, CEO da casa de análise Underblock, é impressionante como os cibercriminosos conseguiram hackear a maior corretora cripto do mundo em 20% da receita anual da empresa. Contudo, o lado positivo foi a velocidade de resposta de parceiros, como as emissoras de stablecoins Tether e Circle, que juntas conseguiram congelar perto de US$ 3 bilhões dos fundos roubados.
"Foram US$ 3 bilhões congelados, existe cerca de US$ 1 bilhão no fundo de reservas SAFU, e o restante do rombo, de US$ 2 bilhões, pode ser coberto com o caixa da companhia", explica Bazan.
O especialista diz que o evento, sem dúvida, é muito negativo para o bitcoin, mas considerando que vem em um momento no qual investidores no mundo todo também estão preocupados com uma possibilidade de estouro da bolha de inteligência artificial no mercado de ações, o desempenho da moeda digital não parece tão ruim.
"Maior hack da história, medo do estouro da bolha de IA, empresas de tecnologia derretendo depois da temporada de resultados, e o bitcoin cai só 4%. Acho que é um sinal de força muito grande. Mostra como o mercado está muito mais forte e reforça que estamos mais com sentimento de início de bull market do que de bear market", avalia.
Rodrigo Gava, CTO da Vultus, lembra que a IA está contribuindo para o aumento nos incidentes cibernéticos, pois a tecnologia permite acelerar o desenvolvimento de código. "Quanto maior a quantidade de serviços publicados, maior também o número de oportunidades para que um invasor encontre vulnerabilidades", diz.
ETFs e indicadores
Ontem, foi registrado um saldo líquido positivo de US$ 17,2 milhões nos fundos negociados em bolsa (ETFs, na sigla em inglês) de bitcoin à vista dos EUA. Foi o quarto pregão consecutivo com entrada de capital neste tipo de fundo.
Os três maiores alvos do fluxo comprador foram o IBIT, da gestora BlackRock, com US$ 12,8 milhões de excesso de compras de cotas em relação às vendas; o FBTC, da Fidelity, com US$ 10,5 milhões; e o BITB, da Bitwise, com US$ 8,8 milhões.
Nos ETFs da criptomoeda ether, por sua vez, o saldo foi negativo em US$ 105,5 milhões. Este foi o quarto pregão consecutivo com saída de capital dos fundos de ETH.
Entre os indicadores, o índice Fear & Greed (medo e ganância, na tradução literal) das criptomoedas caiu dos 43 para os 35 pontos desde a véspera. Assim, o sentimento do mercado saiu da zona considerada "neutra" para o predomínio do "medo".
O Fear & Greed usa informações como momentum de preços, volatilidade e posições predominantes no mercado de derivativos para criar um score que vai de 0 a 100 pontos. Quanto mais próximo de zero maior é o medo dos investidores, ao passo que valores perto de 100 indicam predominância do otimismo e apetite por risco.
