Bitcoin cai com juros dos títulos do Tesouro dos EUA na máxima desde 2002
Dado de inflação dos EUA divulgado na véspera chegou a animar o mercado, mas veio com 'pegadinha' que reverteu o otimismo

O bitcoin opera em queda nesta quinta-feira, 1º, depois de chegar a bater os US$ 85,6 mil na máxima do dia anterior. Hoje, o cenário macroeconômico volta a pesar, com o rendimento do título do Tesouro dos Estados Unidos com vencimento em dez anos em sua máxima desde 2002, chegando a 5,36% ao ano.
Treasuries pagando mais significam menos disposição do investidor internacional de buscar ativos de risco, visto que o produto financeiro que é considerado o mais seguro do mundo está com um retorno atrativo.
Às 10h37 (horário de Brasília) o bitcoin cai 0,8% em um período de 24 horas, cotado a US$ 83.859.
Em relatório, a consultoria Vault Capital afirma que o movimento de alta e depois queda do bitcoin ontem "dizimou" tanto comprados quanto vendidos no mercado de derivativos. No movimento positivo, US$ 210 milhões em posições vendidas foram liquidadas, ao passo que US$ 100 milhões em posições que apostavam na alta foram fechadas no prejuízo compulsoriamente quando a veio a baixa.
Dado de inflação 'enganou' investidores do bitcoin
Para a Vault, parte do motivo para o mercado não ter sustentado o otimismo foi a mudança na metodologia de cálculo do Índice de Preços de Gastos com Consumo (PCE, na sigla em inglês) dos EUA anunciado ontem. Por algum tempo, a leitura de aumento de 0,3% na inflação dos EUA em agosto, contra uma expectativa mediana de 0,4%, animou os investidores, porém isso logo se reverteu.
Uma alteração em como são lidas as taxas de gestão de portfólio, de acordo com a consultoria, pode ter tirado até 0,2 ponto percentual do núcleo do PCE (o dado de inflação que desconsidera preços mais voláteis, tais quais alimentos e energia).
"Então, não dá para ler essa queda como desinflação, porque parte dela é literalmente mudança de medição. O mercado de títulos sabe disso, e é por isso que o respiro durou pouco", afirma Marco Aurélio de Camargos, CIO da Vault.Análise do BTC
Pedro Fontes, analista de Research da corretora Mercado Bitcoin, afirma que o bitcoin conseguiu "absorver" o PCE sem perder os US$ 82 mil, mas os juros norte-americanos em máximas de décadas continuam limitando uma recuperação mais forte.

"O cenário fica dividido: inflação mais favorável e menor expectativa de elevação de juros pelo Fed [Federal Reserve] em outubro ajudam, enquanto treasuries elevados e a primeira saída de capital dos ETFs [fundos negociados em bolsa] após nove sessões positivas trazem cautela", avalia Fontes.
Na opinião do especialista, a manutenção do suporte dos US$ 82 mil continua sendo o principal para o bitcoin seguir em estrutura positiva.
ETFs e indicadores
Ontem, foi registrado um saldo líquido negativo de US$ 148,7 milhões nos ETFs de bitcoin à vista dos EUA, interrompendo uma sequência de nove pregões de fluxo positivo.
O maior alvo do fluxo vendedor foi o FBTC, da gestora Fidelity, com US$ 125,6 milhões de excesso de vendas de cotas em relação às compras.
Nos ETFs da criptomoeda ether, por sua vez, o saldo foi negativo em US$ 59,6 milhões.
Entre os indicadores, o índice Fear & Greed (medo e ganância, na tradução literal) das criptomoedas caiu dos 70 para os 67 pontos. Essa região indica que o sentimento predominante no mercado cripto ainda é o de “ganância”.
O Fear & Greed usa informações como momentum de preços, volatilidade e posições predominantes no mercado de derivativos para criar um score que vai de 0 a 100 pontos. Quanto mais próximo de zero maior é o medo dos investidores, ao passo que valores perto de 100 indicam predominância do otimismo e apetite por risco.
