Bitcoin cai com ouro e bolsas em meio a novo impasse na guerra do Irã
Criptomoedas sofrem com o cenário macroeconômico, apesar das tesourarias de ativos digitais terem voltado às compras

O bitcoin opera em queda nesta segunda-feira, 28, acompanhando o desempenho das bolsas internacionais e do ouro, conforme as negociações para a reabertura do Estreito de Ormuz chegaram a um novo impasse.
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump rejeitou uma proposta do Irã para reabrir em sete dias a rota marítima por onde passa um quinto do petróleo do mundo. A reabertura viria caso os EUA concordassem com uma lista de exigências de Teerã, porém o governo Trump se negou a atendê-las. Os iranianos, por sua vez, responderam que não vão flexibilizar suas condições para chegar a um acordo.
Diante do impasse, o barril do petróleo tipo Brent sobe 2,2%, a US$ 99,58, algo que pressiona os preços dos combustíveis e volta a trazer preocupações sobre a trajetória da inflação global. Já o ouro cai 3,2%, em uma migração de capital para ativos que pagam juros. O rendimento dos títulos do Tesouro dos EUA com vencimento em 10 anos avança a 5,21% ao ano.
Às 10h11 (horário de Brasília) o bitcoin cai 1,7% em um período de 24 horas, cotado a US$ 83.340.
O BTC tem registrado uma correlação cada vez maior com o desempenho do ouro. Assim, aumentos no retorno dos títulos do Tesouro dos EUA prejudicam a criptomoeda, pois trazem maior rentabilidade à renda fixa e diminuem o incentivo para os investidores buscarem ativos mais arriscados.
Tesourarias de bitcoin vão às compras
A empresa de capital aberto compradora de bitcoin, Strategy, anunciou que adquiriu 1.665 bitcoins, por um total de US$ 142,7 milhões, na semana de 21 de setembro a 27 de setembro. O preço médio de aquisição foi US$ 85.681 por criptomoeda. Agora, a companhia possui 847.666 BTC em seu balanço, o que corresponde a US$ 70,7 bilhões.
Junto com ela, a Strive, que possui uma estratégia semelhante de acumulação de bitcoin, comprou 1.107 BTC, por US$ 94,5 milhões a um preço-médio de US$ 85.396 por moeda digital. A Strive é a quinta maior tesouraria de criptomoeda do mundo, com 27.462 bitcoins no balanço, o que corresponde a US$ 2,3 bilhões.
Gráfico do bitcoin em 28 de setembro de 2026
As compras dessas empresas diminuem a oferta de bitcoin no mercado, tornando o criptoativo mais raro. Se o cenário macroeconômico não estivesse negativo, o preço do BTC provavelmente reagiria positivamente aos anúncios.
ETFs e indicadores
Na sexta-feira, foi registrado um saldo líquido positivo de US$ 134,5 milhões nos fundos negociados em bolsa (ETFs, na sigla em inglês) de bitcoin à vista dos EUA. Foi o sétimo pregão consecutivo com entrada de capital nesse tipo de fundo.
Os dois maiores alvos do fluxo comprador foram o IBIT, da gestora BlackRock, com US$ 97 milhões de excesso de compras de cotas em relação às vendas; e o FBTC, da Fidelity, com US$ 49,3 milhões.
Nos ETFs da criptomoeda ether, por sua vez, o saldo foi positivo em US$ 87 milhões. Esse foi o sexto pregão consecutivo de entrada de recursos.
Entre os indicadores, o índice Fear & Greed (medo e ganância, na tradução literal) das criptomoedas caiu dos 72 para os 70 pontos. Essa região indica que o sentimento predominante no mercado cripto é o de “ganância”.
O Fear & Greed usa informações como momentum de preços, volatilidade e posições predominantes no mercado de derivativos para criar um score que vai de 0 a 100 pontos. Quanto mais próximo de zero maior é o medo dos investidores, ao passo que valores perto de 100 indicam predominância do otimismo e apetite por risco.
