Bitcoin cai em meio a escalada da guerra, mas inflação dos EUA traz alívio

O bitcoin opera em queda nesta terça-feira, 9, em meio ao recrudescimento da guerra no Oriente Médio com troca de ataques entre os Estados Unidos e o Irã na madrugada. Os EUA retaliaram a derrubada de um helicóptero Apache em Ormuz com bombardeio a sistemas de defesa iranianos.
Do lado da macroeconomia, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos EUA cresceu 0,5% em maio contra abril, em linha com o esperado pelos economistas. Com isso, a inflação anual americana chegou a 4,2%, mais do que o dobro da meta do Federal Reserve (Fed), que é de 2% ao ano.
O lado positivo do dado de inflação é que o núcleo do CPI, que exclui preços mais voláteis como alimentos e energia, teve um aumento de 0,2% na comparação mensal, abaixo da mediana das expectativas dos economistas, que previa crescimento de 0,3%.
Às 10h39 (horário de Brasília), o bitcoin cai 0,3% em 24 horas, a US$ 62.011.
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André Franco, CEO da Boost Research, afirma que a escalada nas tensões no Oriente Médio já tem impactos no preço do petróleo e pode afetar a inflação mais para frente, o que consolida ainda mais a visão de que o Fed terá que elevar os juros nos EUA.
“O mercado já precifica uma alta de 0,25 ponto percentual em dezembro, uma mudança relevante frente a expectativa anterior de cortes de juros”, destaca. Vale lembrar que juros mais altos são negativos para ativos de renda variável, tais quais as criptomoedas, pois retiram liquidez do mercado e aumentam a atratividade da renda fixa.
Bitcoin enfrenta teste nos US$ 60 mil
Segundo Matheus Parizotto, analista de criptoativos do BTG Pactual, o bitcoin segue pressionado no curto prazo, tentando se sustentar acima do suporte dos US$ 60 mil.
“Os fluxos permanecem majoritariamente vendedores e o CPI de 4,2% reforça o risco de aumentos de juros, um vento contrário para a performance de ativos de risco”, argumenta.
Parizotto ressalta que a inteligência artificial continua concentrando a atenção e parte relevante do capital disponível, com grandes ofertas públicas iniciais (IPOs, na sigla em inglês) no radar e empresas captando recursos via ações e dívida para financiar a expansão de data centers.
“Essa disputa por capital também ajuda a explicar a menor demanda por criptoativos neste momento”, diz.
Apesar disso, o analista do BTG afirma que os dados on-chain começam a mostrar uma assimetria mais favorável para médio e longo prazo.
“Cerca de metade dos bitcoins em circulação está em prejuízo, condição que historicamente apareceu perto de grandes fundos de mercado. Isso não garante o fim da queda, mas sugere que o potencial de valorização começa a superar o risco adicional de baixa para horizontes mais longos”, defende.
ETFs e indicadores
Ontem foi mais um dia de saída de capital dos fundos negociados em bolsa (ETFs, na sigla em inglês) de bitcoin à vista que são negociados nas bolsas de valores dos EUA. Foi registrado um saldo líquido negativo de US$ 77,4 milhões neste tipo de fundo, depois da retirada líquida de US$ 91,4 milhões no pregão da terça-feira, 9.
O maior alvo da saque de recursos foi o IBIT, ETF de bitcoin da BlackRock, com US$ 61,6 milhões de excesso de vendas de cotas em relação às compras.
Usado para medir o sentimento do mercado, o índice Fear & Greed das criptomoedas apurado pelo CoinMarketCap se manteve na zona de “medo extremo”, aos 15 pontos.
O Fear & Greed usa informações como momentum de preços, volatilidade e posições predominantes no mercado de derivativos para criar um score que vai de 0 a 100 pontos. Quanto mais próximo de zero maior é o medo dos investidores, ao passo que valores perto de 100 indicam predominância do otimismo e apetite por risco.
Altcoins
As criptomoedas menores acompanham o movimento do bitcoin, enquanto a dominância da maior das criptomoedas (valor de mercado do BTC em comparação com o de todos os outros criptoativos somados) segue estável nos 58,6%.
Hoje, o ether cai 2%, a US$ 1.636; o BNB, token da Binance Smart Chain, tem queda de 0,9%, a US$ 588,84; o XRP registra perdas de 3,4%, a US$ 1,12; e a solana recua 2,1%, a US$ 64,29.
