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26/10/2026
5 min

Bitcoin cai lá fora, mas dispara 9% no Brasil graças às eleições; entenda

Investidores brasileiros da criptomoeda estão lucrando com o efeito de exposição cambial possível em ativos digitais

Bitcoin cai lá fora, mas dispara 9% no Brasil graças às eleições; entenda

O bitcoin opera em queda nesta segunda-feira, 26, mas isso é em relação ao dólar. Os investidores brasileiros que investem na criptomoeda estão ganhando mais de 9% no ativo graças à volatilidade extrema do dólar.

Às 11h36 (horário de Brasília) o bitcoin caía 0,6% em um período de 24 horas, cotado a US$ 79.774. Em reais, por outro lado, o BTC dispara 9,6% e chega a R$ 440.772.

Essa disparidade ocorre porque o mercado de criptomoedas é global e os ativos são cotados em relação ao dólar americano. Como a moeda dos Estados Unidos está disparando 10,6% ante o real hoje, o efeito se transfere para o criptoativo.

Os agentes do mercado financeiro do Brasil esperavam amplamente uma vitória de Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais realizadas ontem, recebendo com surpresa a virada de Luiz Inácio Lula da Silva, que terminou o primeiro turno em segundo lugar. Havia percepção entre os investidores de que um governo Flávio teria mais chance de fazer um ajuste fiscal e conter a trajetória de crescimento da dívida pública brasileira.

Rebecca Nossig, estrategista da Nomad, afirma que o resultado da decepção eleitoral está se refletindo no câmbio. "Esse movimento defensivo dos agentes financeiros, somado ao tombo expressivo da bolsa, ocorre devido a um descompasso de expectativas do mercado em relação ao resultado das urnas, forçando os operadores a buscarem o dólar como refúgio, enquanto aguardam sinalizações claras sobre as futuras diretrizes econômicas e fiscais do país", diz Nossig.

Esse cenário de pânico no Brasil evidencia como o bitcoin pode ser considerado um veículo de exposição indireta à moeda norte-americana, o que torna o ativo digital uma forma de se proteger da volatilidade no ambiente doméstico – embora o investidor acabe se expondo à volatilidade das próprias criptomoedas.

Cenário de IA impacta negativamente o bitcoin

Segundo Pedro Fontes, analista de research do Mercado Bitcoin (MB), o bitcoin continua a ser impactado de maneira negativa pela continuidade da pressão sobre ações ligadas a semicondutores e inteligência artificial na Ásia. O índice KOSPI, da bolsa da Coreia do Sul, fechou em queda de 1,5%, a 5.469 pontos.

Por outro lado, o petróleo cai e reduz os temores relacionados à inflação internacional. O barril do Brent cai 1,4%, a US$ 110,09. Fontes diz que uma retomada dos esforços diplomáticos ajudou a reduzir parte do temor de uma nova escalada imediata na guerra entre EUA e Irã.

Os investidores agora esperam pela decisão de juros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) dos EUA, que ocorrerá nesta quarta-feira, 28. A expectativa predominante é de manutenção da taxa de juros no atual patamar de 3,75% a 4% ao ano.

Análise gráfica do BTC

Usando análise técnica, o analista do MB afirma que os US$ 80 mil seguem como a principal linha de defesa do ativo.

"Caso esse patamar seja perdido, os próximos suportes relevantes aparecem na média móvel de 100 semanas, próxima de US$ 75,6 mil, e na média de 200 semanas, perto de US$ 73 mil. Para cima, o primeiro passo é recuperar os US$ 82 mil e depois os US$ 85 mil", avalia o especialista.
Gráfico do bitcoin em 26 de outubro de 2026

Gráfico do bitcoin em 26 de outubro de 2026

Em relatório, a consultoria Vault Capital destaca que, desde o fim de agosto, o volume de bitcoin que pequenos investidores mandam para a corretora Binance praticamente dobrou, de US$ 5,5 bilhões para US$ 10,75 bilhões na soma de 30 dias, o maior nível em seis meses.

Dinheiro migrando de carteiras de autocustódia para corretoras costuma ser visto como um mau sinal no mercado cripto, pois pode indicar intenção dos investidores de vender esses ativos.

"As baleias [carteiras com grande quantidade de criptomoeda] fizeram o contrário: os depósitos delas caíram de US$ 5,9 bilhões para US$ 3,8 bilhões", lembra Marco Aurélio de Camargos, CIO da Vault.

"Quem comprou nos últimos meses está usando cada volta ao preço de custo para sair no zero a zero. Por isso o custo segurou tantas vezes e, ao mesmo tempo, nunca deixou o preço subir com força. É muita gente pequena vendendo, não um vendedor grande distribuindo", explica.

ETFs e indicadores

Na sexta-feira, 23, foi registrado um saldo líquido negativo de US$ 137,9 milhões nos fundos negociados em bolsa (ETFs, na sigla em inglês) de bitcoin à vista dos EUA.

O maior alvo do fluxo vendedor foi o IBIT, da gestora BlackRock, com US$ 110,3 milhões de excesso de vendas de cotas em relação às compras.

Nos ETFs da criptomoeda ether, por sua vez, o saldo foi positivo em US$ 4,4 milhões.

Entre os indicadores, o índice Fear & Greed (medo e ganância, na tradução literal) das criptomoedas caiu dos 48 para os 44 pontos de sexta para hoje. Apesar disso, o sentimento do mercado se mantém na zona considerada "neutra".

O Fear & Greed usa informações como momentum de preços, volatilidade e posições predominantes no mercado de derivativos para criar um score que vai de 0 a 100 pontos. Quanto mais próximo de zero maior é o medo dos investidores, ao passo que valores perto de 100 indicam predominância do otimismo e apetite por risco.

AutorRicardo Bomfim
FonteExame
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