Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
Future of MoneyACSCPTO
17/07/2026
4 min

Bitcoin está em momento de rara oportunidade, diz BTG

Bitcoin está em momento de rara oportunidade, diz BTG

O bitcoin está em um momento de rara oportunidade para fazer uma acumulação gradual com objetivo de lucro no longo prazo. A conclusão é de um relatório elaborado pelos analistas Matheus Parizotto e Vinicius Bitelo, do BTG Pactual.

De acordo com eles, a queda recente do bitcoin e de outros criptoativos foi forte e chama atenção por ter ocorrido enquanto índices acionários globais estavam perto das máximas históricas. Hoje, o BTC está mais de 50% abaixo do preço que atingiu em sua máxima histórica, quando chegou a ser negociado por US$ 126 mil.

Porém, o desempenho negativo pode ser atribuído a três fatores: a concentração de atenção e capital na inteligência artificial (IA), a perda de força de compradores recorrentes e a reprecificação de juros.

  • Aproveite até 60% de desconto na taxa de corretagem com a Mynt, plataforma cripto do BTG Pactual. Por tempo limitado! Abra sua conta e se torne um cliente VIP. Cupom: FOM26.

Ao mesmo tempo, os fundamentos que tornam a criptomoeda valiosa teriam apenas se fortalecido nesse meio tempo e as métricas on-chain e indicadores técnicos já estariam dando sinais de que o bitcoin está descontado.

Fatores da queda do bitcoin

Do lado da IA, a tecnologia se tornou o maior tema do mercado e passou a atrair capital que antes se destinava a criptoativos e commodities metálicas, como ouro e prata. “Bitcoin e criptoativos, portanto, não caíram sozinhos. A pressão fez parte de um movimento mais amplo de concentração de fluxos em IA e perda de espaço temporária de outros ativos alternativos”, diz o relatório do BTG.

O que o banco chama de compras recorrentes, por sua vez, refere-se aos investidores dos fundos negociados em bolsa (ETFs, na sigla em inglês) de bitcoin e às empresas de tesouraria de ativos digitais (DATs). Esses fundos tiveram seu maior volume mensal de resgates da história em junho, totalizando US$ 4,51 bilhões de saídas líquidas.

Já as empresas de capital aberto que compram criptomoedas sofreram com a queda do prêmio das ações sobre o valor dos bitcoins em balanço. “Assim, no mesmo momento em que os ETFs registravam resgates recordes, o comprador que historicamente absorvia parte dessa oferta deixou de atuar com a mesma intensidade.”

Completando o cenário negativo, a taxa de juros implícita para dezembro de 2026 subiu de 3,06% no início do ano para 3,94%, refletindo a perspectiva de aumento da inflação por conta da guerra entre Estados Unidos e Irã.

Fundamentos preservados

Mesmo assim, os analistas apontam que a tese do bitcoin continua ganhando relevância. Afinal, o aumento da inflação reforça a utilidade da criptomoeda como ativo imune à impressão de dinheiro por possuir uma oferta fixa programada.

A moeda digital também se tornou relevante em um ambiente no qual ativos são congelados, como mostraram as sanções ao Irã e à Rússia.

Criptomoeda descontada

O índice de valor de mercado do bitcoin comparado ao preço agregado pelo qual os bitcoins em circulação foram comprados (MVRV) terminou junho em 1,1 vezes. Isso coloca a criptomoeda nos 10% dos dias em que mais esteve descontada historicamente.

Gráfico do MVRV do bitcoin

Gráfico do MVRV do bitcoin

“Ao fim de junho, apenas 46,2% da oferta estava em lucro, no 1º percentil histórico da série tratada (o sinal mais extremo entre os três indicadores), leitura que costuma aparecer após períodos de estresse relevante”, afirmam os analistas.

Do lado da análise técnica, o bitcoin terminou o mês passado negociando 22,3% abaixo da sua média móvel de 200 dias, em um nível de desvio historicamente associado a momentos de assimetria mais favorável para os investidores.

“A leitura dos indicadores é que o momento favorece acumulação gradual, não uma tentativa de identificar o ponto exato de inflexão dos preços.”

Para o BTG, a estratégia mais adequada no momento é construir posições ao longo dos próximos três a seis meses.

Riscos

Os grandes riscos à tese são a continuidade dos fluxos vendedores em ETFs, a permanência dos juros elevados por mais tempo e a piora da liquidez ou eventos regulatórios negativos no setor de criptoativos.

“Por isso, os principais mitigantes são estruturais, como acumulação gradual, tamanho adequado de posição, diversificação e horizonte de médio a longo prazo”, recomenda o relatório.

AutorRicardo Bomfim
FonteExame
Distribuído por