Bitcoin retorna para US$ 66 mil e tem indicador técnico raro: 'Um dos mais respeitados do mercado'

Nesta segunda-feira, 15, o bitcoin volta a superar os US$ 66 mil após quedas significativas na última semana, que haviam levado a maior criptomoeda do mundo para os US$ 60 mil. Embora ainda acumula queda de 47% desde a máxima histórica de US$ 126 mil em outubro de 2025, o bitcoin pode ter um cenário mais favorável com o avanço nas negociações por um cessar-fogo no Oriente Médio e indicadores técnicos positivos.
No momento, o bitcoin é cotado a US$ 66.775, com alta de quase 4% nas últimas 24 horas, segundo dados do CoinMarketCap. Nos últimos sete dias, a criptomoeda acumula alta de 5,3%.
O Índice de Medo e Ganância, utilizado para medir o sentimento do mercado cripto, ainda sinaliza "medo extremo" em 20 pontos.
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Fabrício Tota, vice-presidente de negócios cripto no Mercado Bitcoin, apontou que "o movimento é importante porque consolida a recuperação da região dos US$ 60 mil e recoloca o preço acima da média móvel de 200 semanas, um dos indicadores de longo prazo mais respeitados do mercado".
O executivo ainda destacou a raridade deste acontecimento. "Para se ter dimensão da relevância desse nível, o bitcoin visitou essa média apenas quatro vezes em toda sua história. E a última vez que permaneceu mais de uma semana abaixo dela foi durante o colapso da FTX em 2022. Em outras palavras: o mercado encontrou suporte exatamente em uma região que historicamente costuma atrair compradores".
Além dos indicadores técnicos, outros fatores também podem contribuir para uma melhora na cotação do bitcoin e no cenário geral dos criptoativos.
"Pela primeira vez em várias semanas, os principais ventos contrários do mercado começam a enfraquecer simultaneamente. O acordo entre EUA e Irã reduz o risco de novos choques inflacionários, o petróleo volta a cair, as expectativas de juros melhoram, os ETFs interrompem a sequência de saídas e os investidores de longo prazo continuam acumulando", disse Fabrício Tota.
"Isso não significa que a tempestade acabou. Mas significa que, pela primeira vez desde o início de junho, os compradores começam a receber ajuda de praticamente todos os lados do campo", acrescentou.
O executivo afirma que o próximo teste para o bitcoin será a região dos US$ 64 mil a US$ 66 mil. "Se o mercado conseguir consolidar preços acima dessa faixa, a defesa dos US$ 60 mil poderá ser lembrada não apenas como um suporte importante, mas como o ponto de partida para uma recuperação mais consistente".
US$ 330 milhões liquidados
"Os mercados iniciam a semana em tom mais positivo, com os preços do petróleo em queda após relatos de avanço nas negociações por um cessar-fogo e redução das tensões no Oriente Médio. Os ativos digitais acompanharam esse movimento", explicou Gil Herrera, diretor de estratégia e expansão da Bitget na América Latina.
"O bitcoin acumulou ganhos de 3,4% no período e passou a ser negociado ao redor de US$ 66 mil na manhã desta segunda-feira. Ao mesmo tempo, aproximadamente US$ 330 milhões em posições no mercado cripto foram liquidadas nas últimas 24 horas, com as posições vendidas representando a maior parte desse volume. O movimento sugere que os investidores haviam adotado uma postura mais defensiva antes do fim de semana e agora estão ajustando suas posições diante de um cenário macroeconômico e geopolítico mais favorável", acrescentou.
No que ficar de olho durante a semana
Gil Herrera apontou ainda que a atenção do mercado agora se volta para o Banco do Japão e para o Federal Reserve. "A expectativa predominante é de que o BoJ continue seu processo de normalização monetária, enquanto o Fed deve manter as taxas de juros inalteradas. A principal questão é se as autoridades monetárias reforçarão a perspectiva de condições financeiras mais restritivas ou se demonstrarão maior confiança de que as pressões inflacionárias estão começando a diminuir".
"Para os investidores, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano seguem sendo o indicador mais importante a acompanhar. Os movimentos recentes em ações, commodities e ativos digitais foram impulsionados principalmente pelas mudanças nas expectativas em relação aos juros e às condições de liquidez. As decisões dos bancos centrais nesta semana deverão oferecer uma sinalização mais clara sobre se esse processo de reprecificação continuará ao longo do restante de junho", concluiu.
