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11/06/2026
5 min

Bitcoin sobe aos US$ 62 mil apesar de guerra e dado de inflação preocupante nos EUA

Bitcoin sobe aos US$ 62 mil apesar de guerra e dado de inflação preocupante nos EUA

O bitcoin opera em alta nesta quinta-feira, 11, e supera os US$ 62 mil por unidade apesar da divulgação de um dado muito negativo da inflação nos Estados Unidos. O indicador vem junto com uma piora no cenário geopolítico após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que o país “atacará o Irã com muita força” e assumirá o controle do petróleo e gás da nação persa.

Às 11h21 (horário de Brasília), o bitcoin sobe 1,2% em 24 horas, a US$ 62.739. É a primeira alta da moeda digital em quatro dias.

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Em relatório, o analista Marco Aurélio, da consultoria Vault Capital, afirma que o mercado cripto está “operando de forma irracional”, porque a continuidade do conflito no Oriente Médio só leva a inflação mais alta e maior incerteza.

“O que parece estar acontecendo é o mercado nutrindo esperança de que, depois de cada nova onda de ataques, estaríamos mais perto de um acordo”, diz o especialista.

Na opinião de Aurélio, o bitcoin ainda precisa conseguir superar a resistência dos US$ 64 mil para haver mais confiança em um movimento de ganhos.

“A guerra distorce o preço no intraday, mas não muda o quadro estrutural: enquanto o BTC não reconquistar e sustentar US$ 65 mil com fluxo comprador real por trás, qualquer movimento em direção a US$ 64 mil e US$ 65 mil é tentativa, não rompimento. Os repiques que vimos até aqui foram movidos por cobertura de posições vendidas e ruído de manchete, não por demanda compradora efetiva”, avalia.

Na mesma linha, Gil Herrera, diretor de estratégia e expansão da Bitget para a América Latina, afirma que apesar da recuperação observada no curto prazo, o bitcoin segue negociado abaixo de importantes níveis de resistência, incluindo as médias móveis de 50, 100 e 200 dias.

Já Fabricio Tota, vice-presidente de negócios cripto do Mercado Bitcoin, afirma que parte do movimento de alta hoje pode ser explicado pela própria intensidade da queda recente. “Quando o mercado cai muito rápido, costuma deixar para trás posições vendidas excessivamente confiantes, criando zonas de liquidez que frequentemente atraem o preço para cima antes que uma tendência mais clara seja definida”, argumenta.

Cenário macro global piora

O Índice de Preços ao Produtor (PPI, na sigla em inglês) dos EUA cresceu 1,1% em maio na comparação com abril, acima do avanço de 0,7% esperado pelos economistas. Em 12 meses, a inflação ao produtor chegou a 6,5% na maior economia do mundo, o que corresponde ao maior nível desde os 7,4% registrados em novembro de 2022.

Esses números vêm depois de um pequeno alívio com a inflação ao consumidor divulgada ontem. O Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos EUA aumentou 0,5% na base mensal e 4,2% na anual, em linha com as expectativas. O núcleo da inflação, que exclui preços mais voláteis como alimentos e energia, ficou em 0,2%, abaixo das projeções do mercado.

A combinação dos dados inflacionários deixa claro que o Federal Reserve (Fed) não só não terá espaço para cortar juros nos EUA neste ano como muito provavelmente terá que elevar as taxas para controlar o aumento geral de preços. O panorama geral acaba mais que ofuscando o desempenho um pouco melhor que o esperado do núcleo do CPI.

Também no ambiente macro, o Banco Central Europeu (BCE) elevou as taxas de juros da zona do euro em 0,25 ponto percentual, no primeiro aperto monetário desde 2023. O aumento de juros reforça a percepção de um ambiente global com menor liquidez e maior atratividade da renda fixa. Ou seja, um cenário negativo para ativos de renda variável, como as criptomoedas.

ETFs e indicadores

Ontem foi mais um dia de saída de capital dos fundos negociados em bolsa (ETFs, na sigla em inglês) de bitcoin à vista que são negociados nas bolsas de valores dos EUA. Foi registrado um saldo líquido negativo de US$ 213,9 milhões neste tipo de fundo, no quarto pregão consecutivo de retirada de dinheiro.

O maior alvo da saque de recursos foi o IBIT, ETF de bitcoin da BlackRock, com US$ 148,5 milhões de excesso de vendas de cotas em relação às compras.

Usado para medir o sentimento do mercado, o índice Fear & Greed das criptomoedas apurado pelo CoinMarketCap se manteve na zona de “medo extremo”, aos 16 pontos. O indicador oscilou positivamente, saindo dos 15 pontos registrados no dia anterior.

O Fear & Greed usa informações como momentum de preços, volatilidade e posições predominantes no mercado de derivativos para criar um score que vai de 0 a 100 pontos. Quanto mais próximo de zero maior é o medo dos investidores, ao passo que valores perto de 100 indicam predominância do otimismo e apetite por risco.

AutorRicardo Bomfim
FonteExame
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