Bitcoin sobe de novo e acumula ganhos de 8% nos últimos 7 dias
Criptomoedas ampliam alta conforme investidores retiram ativos das corretoras para fazerem autocustódia no longo prazo

O bitcoin opera em alta nesta sexta-feira, 25, acumulando uma valorização de 8,4% nos últimos sete dias. Desta vez, os ganhos acompanham as bolsas de valores internacionais em meio à queda do preço do petróleo.
O barril do Brent cai 1,9%, a US$ 98,33 depois do presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmar que o país não deseja a continuidade do conflito com os Estados Unidos. Pezeshkian disse que são os EUA que devem decidir se querem acabar com a guerra. Os iranianos apresentaram uma proposta para reabrir, em até sete dias, o Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do petróleo mundial.
Às 10h15 (horário de Brasília) o bitcoin sobe 1% em um período de 24 horas, cotado a US$ 84.543.
Segundo Noah Cheung, country manager da corretora Bitget no Brasil, é importante notar que o preço do bitcoin continua acima das médias móveis exponenciais de curto e longo prazo, indicando que a tendência de alta mais ampla permanece intacta.
Para Cheung, a participação institucional por meio dos fundos negociados em bolsa (ETFs, na sigla em inglês) de bitcoin à vista nas bolsas dos EUA tem sido um fator importante por trás desse movimento.
"Os ETFs vêm registrando entradas relevantes nas últimas semanas e já acumulam quase US$ 800 milhões em fluxos líquidos positivos no ano. Essa demanda institucional tem sido uma importante fonte de suporte para o bitcoin e ajudado a sustentar a atual estrutura de alta do mercado", afirma.
Estrutura do bitcoin mantém padrão de alta
Em relatório, a equipe de análise da consultoria Vault Capital destaca que a Binance, que concentra perto de 30% do bitcoin disponível nas corretoras, vem registrando um alto volume de retirada de BTC. "No dia 22, saíram 13,9 mil bitcoins em um único dia, a maior saída desde 2023. Em quatro dias, a reserva da corretora foi de 705 mil para 684 mil moedas", diz Marco Aurélio de Camargos, CIO da Vault.
Camargos lembra que quando as moedas digitais saem das corretoras, significa que parte dos investidores está escolhendo guardar o próprio bitcoin. "Esse comportamento costuma ser associado a quem pensa em prazo longo. Mecanicamente, menos moeda na corretora também significa menos moeda disponível para venda", aponta.
Gráfico do bitcoin em 25 de setembro de 2026
Na opinião do especialista, o cenário agora envolve: criptomoeda saindo das corretoras, o que é positivo para o preço; realização de lucros contida por parte dos investidores; e suportes resistindo, de modo que a estrutura altista se mantém. Camargos considera que este é um padrão normal e saudável de ciclos de alta.
"A melhor alta é a que anda em ondas, não em linha reta. Ela sobe, limpa o excesso, corrige, recompõe e volta a subir. Subida em linha reta vive de liquidação e costuma devolver tudo rápido", argumenta.
O CEO da Underblock, Vinicius Bazan, afirma que o bitcoin está contrariando os eventos da semana passada, como a derrota do projeto de lei de regulamentação dos criptoativos dos EUA, Clarity Act, no Senado.
"O principal ponto que podemos destacar é que o apetite de risco está voltando e está voltando para o mercado cripto. Poderíamos estabelecer uma série de justificativas ou narrativas sobre por que o bitcoin está subindo, mas o principal é a demanda, que é o que manda na direção do preço", comenta Bazan.
ETFs têm 6º pregão positivo
Ontem, foi registrado um saldo líquido positivo de US$ 190,7 milhões nos ETFs de bitcoin à vista dos EUA. Foi o sexto pregão consecutivo com entrada de capital nesse tipo de fundo.
O maior alvo do fluxo comprador foi o IBIT, da gestora BlackRock, com US$ 162,6 milhões de excesso de compras de cotas em relação às vendas.
Nos ETFs da criptomoeda ether, por sua vez, o saldo foi positivo em US$ 66,1 milhões. Esse foi o quinto pregão consecutivo de entrada de recursos.
Entre os indicadores, o índice Fear & Greed (medo e ganância, na tradução literal) das criptomoedas subiu dos 72 para os 73 pontos. Essa região indica que o sentimento predominante no mercado cripto é o de “ganância”.
O Fear & Greed usa informações como momentum de preços, volatilidade e posições predominantes no mercado de derivativos para criar um score que vai de 0 a 100 pontos. Quanto mais próximo de zero maior é o medo dos investidores, ao passo que valores perto de 100 indicam predominância do otimismo e apetite por risco.
