Bitcoin sobe seguindo desempenho das bolsas e deixa para trás a crise da Coldcard
Melhora no ambiente geopolítico devolve o apetite por risco ao mercado, mesmo com as notícias negativas recentes

Depois de um fim de semana bastante negativo por conta do roubo de US$ 110 milhões na carteira de criptomoedas Coldcard, o bitcoin opera em alta nesta terça-feira, 4. A maior das moedas digitais acompanha o desempenho positivo das bolsas internacionais com mais uma forte queda no preço do petróleo.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país não tem intenção de ampliar o conflito. A declaração vem depois do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizer que o governo iraniano precisa escolher entre um acordo de paz e a rendição total na guerra. Trump também falou que as conversas entre Washington e Teerã foram retomadas.
Às 11h22 (horário de Brasília) o bitcoin subia 0,8% em um período de 24 horas, a US$ 63.655 por unidade.
Segundo Gil Herrera, diretor de estratégia e operações da corretora Bitget na América Latina, o mercado de criptomoedas seguiu a onda de otimismo observada nos mercados tradicionais, após as bolsas americanas encerrarem a segunda-feira em alta, impulsionadas pelo forte desempenho das ações de tecnologia.
Para Herrera, esse ambiente mais favorável aos ativos de risco contribuiu para “amortecer” o impacto do ataque hacker à carteira Coldcard. “Embora o incidente continue sendo monitorado de perto e ainda não exista uma conclusão definitiva sobre sua origem, os investidores optaram por priorizar o cenário macroeconômico e o maior apetite por risco, reduzindo a influência desse fator sobre os preços no curto prazo”, avalia.
Análise técnica do bitcoin
Usando análise técnica, a consultoria Vault Capital diz que a perda dos US$ 64.259 levou o bitcoin em direção à faixa dos US$ 62 mil, onde a força compradora voltou a atuar.
Gráfico do bitcoin em 04/08/2026
“O comportamento é cíclico: o preço retrai abaixo das médias, rejeita a média mais longa e busca as médias mais curtas. No dia 24 marcou a primeira mínima. No dia 27 atacou a média mais longa, a pressão vendedora entrou atuando de novo e levou o ativo a fazer uma mínima maior que a anterior”, destaca o CIO da Vault, Marco Aurélio de Camargos.
Para Camargos, o mercado busca uma máxima na média maior, em torno de US$ 64.890, antes de decidir. “Esse reteste nos retornaria à nossa faixa de operação, e aqui entra o cuidado de método: o intradiário apenas nos guia com seu ruído, e como é algo muito ruidoso, não podemos aceitar como verdade o movimento que vai se expandindo ali até que se torne comportamento do semanal.”
ETFs têm nova onda de saques
Ontem, foi registrado um saldo líquido positivo de US$ 170,1 milhões nos fundos negociados em bolsa (ETFs, na sigla em inglês) de bitcoin à vista dos EUA. O maior alvo da entrada de recursos foi o IBIT, da BlackRock, com US$ 111,4 milhões de excesso de compras de cotas em relação às vendas.
Nos ETFs da criptomoeda ether, por sua vez, o fluxo foi negativo em US$ 11,9 milhões.
Entre os indicadores, o índice Fear & Greed (medo e ganância, na tradução literal) das criptomoedas subiu dos 34 para 37 pontos. A alta deixa o sentimento de mercado perto do limite da zona do “medo”, quase chegando à região considerada “neutra”.
O Fear & Greed usa informações como momentum de preços, volatilidade e posições predominantes no mercado de derivativos para criar um score que vai de 0 a 100 pontos. Quanto mais próximo de zero maior é o medo dos investidores, ao passo que valores perto de 100 indicam predominância do otimismo e apetite por risco.
