Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
Future of MoneyCPTO
31/08/2026
4 min

Bitcoin tem nova queda depois de discurso do Fed e vive 'batalha' pelos US$ 78 mil

Apesar do desempenho negativo desde sexta, a maior das criptomoedas acumula uma alta de 24% no mês de agosto

Bitcoin tem nova queda depois de discurso do Fed e vive 'batalha' pelos US$ 78 mil

O bitcoin opera em queda nesta segunda-feira, 31, ainda na esteira do discurso mais duro do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, durante o simpósio de Jackson Hole, nos Estados Unidos. Com isso, a criptomoeda vive uma “batalha” entre comprados e vendidos perto da região dos US$ 78 mil.

Warsh disse que os 65 meses de inflação acima da meta de 2% nos EUA são responsabilidade do Fed e reforçou a prioridade no combate ao aumento geral de preços, aumentando as apostas em uma elevação de juros em setembro. Ativos de risco, tais quais as criptomoedas, responderam de maneira negativa.

No noticiário específico dos criptoativos, a empresa de capital aberto compradora de bitcoin, Strategy, voltou a adquirir BTC pela primeira vez desde junho. A Strategy vendeu US$ 602,8 milhões em ações ordinárias para financiar a compra de 4.603 unidades de bitcoin, no equivalente a US$ 369,7 milhões.

Hoje às 10h50 (horário de Brasília) o bitcoin caía 1,4% em um período de 24 horas, cotado a US$ 77.835 por unidade. Mesmo assim, no acumulado de agosto, a maior das criptomoedas sobe 24%.

A correção de outras criptomoedas, como o XRP e a solana, é ainda maior, com baixas de 3% e 4,4% respectivamente.

Usando análise técnica, Noah Cheung, country manager da corretora Bitget no Brasil, diz que a manutenção da região de US$ 75.000 a US$ 77.000 ajudaria a preservar a atual estrutura de alta para o bitcoin. “Um período de consolidação após uma alta mensal de 25% seria esperado e poderia ajudar a estabelecer uma base mais sólida caso a demanda subjacente permaneça intacta”, avalia Cheung.

Dados on-chain do bitcoin positivos, cenário macro negativo

Em relatório, a equipe de análise da consultoria Vault Capital afirma que a realização de lucros desde que o bitcoin disparou dos US$ 64 mil para os US$ 81 mil foi pequena. “O comprador pesado entrou, o realizador passou e não derrubou, e o comprador está voltando primeiro”, resume Marco Aurélio de Camargos, CIO da Vault.

Camargos diz que os US$ 78 mil continuam a ser um nível chave no gráfico semanal e os US$ 80 mil da próxima “call wall” (nível de preço onde se concentra atualmente o exercício do maior número de contratos e opções de compra em derivativos) se tornaram a resistência a ser superada.

Por outro lado, o especialista destaca que o cenário macroeconômico piorou de sexta para hoje, algo que prejudica o desempenho do bitcoin. “Um Fed que se autorizou a subir juros, um Relatório de Emprego dos EUA que virou julgamento, e a guerra no Estreito de Ormuz devolvendo o petróleo para cima dos US$ 90 na véspera”, lembra.

Vale lembrar que nesta sexta-feira, 4, será divulgado o Relatório de Emprego dos EUA relativo a agosto, que pode selar um aumento de juros em setembro caso mostre um mercado de trabalho mais aquecido do que o esperado. Afinal, a criação de empregos, por mais que seja positiva para a economia, pressiona a inflação.

ETFs têm dia de retirada de recursos

Na última sexta-feira, foi registrado um saldo líquido negativo de US$ 201,9 milhões nos fundos negociados em bolsa (ETFs, na sigla em inglês) de bitcoin à vista dos EUA. Com isso, foi interrompida a sequência de nove pregões com entrada de capital neste tipo de fundo.

O maior alvo do fluxo vendedor foi o ARKB, da gestora Ark Invest, com US$ 114,9 milhões de excesso de vendas de cotas em relação às compras.

Nos ETFs da criptomoeda ether, por sua vez, o saldo foi positivo em US$ 102,1 milhões, no décimo pregão seguido de entrada de capital.

Entre os indicadores, o índice Fear & Greed (medo e ganância, na tradução literal) das criptomoedas caiu dos 81 para os 74 pontos desde a semana passada. Deste modo, o sentimento do mercado saiu de “extrema ganância” ou “euforia” para “ganância”.

O Fear & Greed usa informações como momentum de preços, volatilidade e posições predominantes no mercado de derivativos para criar um score que vai de 0 a 100 pontos. Quanto mais próximo de zero maior é o medo dos investidores, ao passo que valores perto de 100 indicam predominância do otimismo e apetite por risco.

AutorRicardo Bomfim
FonteExame
Distribuído por