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Sacre Investimentos
EmpresasACSCMDT
17/08/2026
5 min

Boa Safra (SOJA3) dispara 18% com recorde para carteira de pedidos no 2T26; o que dizem os analistas?

As ações da Boa Safra (SOJA3) disparam nesta segunda-feira (17), após a companhia divulgar na última sexta-feira (14) os resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26), com uma carteira recorde de pedidos de R$ 1,8 bilhão e uma dinâmica de caixa melhor do que a esperada por analistas. Por volta das 10h44, SOJA3 avançava 18,49%, […]

As ações da Boa Safra (SOJA3) disparam nesta segunda-feira (17), após a companhia divulgar na última sexta-feira (14) os resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26), com uma carteira recorde de pedidos de R$ 1,8 bilhão e uma dinâmica de caixa melhor do que a esperada por analistas.

Por volta das 10h44, SOJA3 avançava 18,49%, a R$ 5,96.

A Boa Safra encerrou o 2T26 com lucro líquido de R$ 2,7 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 2,7 milhões registrado no mesmo período de 2025.

O segundo trimestre, no entanto, é pouco representativo para os resultados anuais da Boa Safra devido à sazonalidade do negócio. O período é marcado principalmente pelo encerramento da produção de sementes de soja, que serão entregues ao longo do segundo semestre.

A companhia registrou receita líquida de R$ 125 milhões, avanço de 23% na comparação anual. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado alcançou R$ 28 milhões, enquanto o lucro líquido ficou próximo de R$ 4 milhões.

Por isso, mais do que os números do trimestre, os analistas concentraram as atenções em dois pontos: a evolução da carteira de pedidos e a geração de caixa.

E é justamente aí que aparecem os principais sinais positivos — embora o BTG Pactual ainda adote uma postura mais cautelosa com a tese.

Carteira recorde, mas soja recua

A carteira total de pedidos da Boa Safra chegou ao recorde de R$ 1,8 bilhão, crescimento de 4% em relação ao mesmo período do ano passado.

A composição, porém, traz algumas nuances. Os pedidos de sementes de soja, principal negócio da companhia, recuaram 12%, para R$ 1,47 bilhão.

Segundo a Boa Safra, o movimento reflete decisões mais tardias de compra por parte dos produtores rurais para a safra 2026/27.



Na outra ponta, os demais negócios vêm ganhando relevância. De acordo com o BTG Pactual, pedidos relacionados a outras culturas e serviços saltaram de R$ 52 milhões para R$ 337 milhões em um ano, passando a representar 19% da carteira total.

Para o banco, a diversificação está se tornando mais relevante e é positiva para a companhia, embora as sementes de soja ainda sejam, de longe, o principal negócio.

A XP Investimentos também destaca que o crescimento de 4% da carteira é modesto, mas está alinhado à estratégia da Boa Safra de preservar sua participação de mercado enquanto busca capturar ganhos de escala e eficiência após a forte expansão realizada em 2025.

SOJA3: caixa surpreende

Outro ponto positivo do balanço veio da geração de caixa.

Pelos cálculos da XP, o fluxo de caixa livre ficou negativo em R$ 79 milhões, ante expectativa de queima de R$ 200 milhões. Para os analistas, o número é positivo considerando a sazonalidade do negócio.

A qualidade do crédito também permaneceu sob controle, sem surpresas relevantes na inadimplência. Na avaliação da XP, o resultado é encorajador e pode ajudar na trajetória de desalavancagem da Boa Safra.

O BTG também chamou atenção para a dinâmica de caixa, embora com uma dose maior de cautela.

O fluxo de caixa operacional foi positivo em R$ 304 milhões, ante consumo de R$ 213 milhões no mesmo trimestre de 2025, impulsionado por uma liberação de R$ 315 milhões em capital de giro.

A principal mudança ocorreu nos adiantamentos a fornecedores. Essa linha havia consumido R$ 552 milhões no 2T25, principalmente devido a pagamentos antecipados de royalties, contra apenas R$ 10 milhões neste trimestre.

O banco considera a geração de caixa claramente positiva, mas diz que ainda precisa entender melhor o que provocou uma mudança tão expressiva no ciclo de pagamentos e, principalmente, se ela é estrutural ou apenas um efeito de timing em 2026.

XP vê potencial para ação dobrar

Entre as três casas, a XP é a mais otimista com SOJA3.

A corretora mantém recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 11,80, o que representa potencial de valorização de cerca de 101% em relação ao preço utilizado em seu relatório.

Na visão dos analistas, embora a conversão da carteira de pedidos em receita ainda precise aparecer nos próximos trimestres, o resultado e a evolução operacional permanecem consistentes com a narrativa apresentada pela administração.

A XP também enxerga espaço para ganhos adicionais de eficiência à medida que a Boa Safra deixa para trás os problemas de qualidade observados na safra anterior.

Ainda assim, a corretora ressalta que é necessário ganhar mais visibilidade sobre quanto desses benefícios efetivamente chegará aos resultados.

O BTG, que tem preço-alvo de R$ 12 para SOJA3, também vê um potencial expressivo para ação, mas mantém uma recomendação neutra.

BTG: execução ainda é a palavra-chave

O BTG Pactual reconhece uma série de sinais positivos para Boa Safra: carteira recorde, maior diversificação para além das sementes de soja e uma posição de liquidez significativamente melhor.

No entanto, a cautela passa principalmente pela execução daqui para frente.

Embora a carteira total tenha atingido recorde, os pedidos de soja continuam abaixo dos níveis do ano passado, enquanto a alavancagem elevada e uma despesa financeira maior reduzem a margem para eventuais erros.

A relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado dos últimos 12 meses encerrou o trimestre em 4,3 vezes, segundo o banco.

Além disso, o BTG lembra que uma carteira forte no segundo trimestre só gera valor caso seja convertida efetivamente em entregas. Foi nesse ponto que a companhia decepcionou no terceiro trimestre de 2025.

AutorPasquale Augusto
FonteMoney Times
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