BofA aposta nas 'Sete Inesquecíveis' para navegar juros altos na bolsa brasileira
Segundo o Bank pf America, o grupo reúne companhias maduras, com forte geração de caixa e preços atrativos, que podem se beneficiar de um cenário de juros elevados

O Bank of America (BofA) voltou a olhar para a Bolsa brasileira a partir de uma divisão entre empresas de crescimento e de valor. Em novo relatório sobre a América Latina, o banco destaca as chamadas "Sete Inesquecíveis do Brasil", grupo formado por Petrobras (PETR4), Vale (VALE3), JBS (JBSS32), Banco do Brasil (BBAS3), Ambev (ABEV3), Bradesco (BBDC4) e Gerdau (GGBR4).
A seleção reúne grandes empresas de setores considerados maduros, como energia, mineração e bens de primeira necessidade.
Segundo o BofA, essas são companhias que, embora não apresentem necessariamente o mesmo potencial de crescimento do grupo que o banco chama de "Sete Magníficas brasileiras", se destacam pela forte geração de fluxo de caixa e por serem negociadas a preços mais acessíveis.
A estratégia também pode ganhar força em um cenário de juros elevados. Para o BofA, as "7 Inesquecíveis" têm um viés de valor e podem se sair melhor quando as taxas de juros sobem, ambiente em que estratégias orientadas a empresas mais baratas tendem a apresentar melhor desempenho.O desempenho recente, porém, mostra justamente a diferença entre os dois grupos. Entre os dias 29 de julho e 5 de agosto, o mercado favoreceu o grupo com viés de crescimento, as chamadas as "7 Magníficas", formadas por Mercado Livre, Nubank, WEG, BTG Pactual, Raia Drogasil, Localiza e Itaú, que avançaram 0,4%.
Já as "7 Inesquecíveis" recuaram 2,6%, mas o relatório do BofA ressalta que elas são fortes geradoras de caixa e podem se beneficiar em cenários de juros altos devido ao seu perfil de valor.
O movimento ocorreu emuma semana negativa para a Bolsa brasileira. O Ibovespa caiu 1,8%, enquanto o índice mexicano ficou estável. Em contraste, o S&P 500 avançou 3% e os mercados emergentes tiveram queda de 0,5%, em retorno total em dólares.
Bolsa brasileira está barata?
Além da divisão entre crescimento e valor, o BofA chama atenção para o nível de preços da Bolsa brasileira. O Brasil apresenta atualmente o "maior desconto" em relação à sua média histórica de preço sobre lucro (P/L) entre os mercados da América Latina acompanhados pelo banco.
O Ibovespa é negociado a um P/L projetado de 8,4 vezes, abaixo da média histórica de 10,6 vezes. Isso representa um desconto de cerca de 20% em relação à média histórica.
O desconto, contudo, não ocorre em um ambiente de forte entrada de recursos estrangeiros em ações latino-americanas. O BofA afirma que os fundos globais dedicados à América Latina continuam registrando saídas, enquanto os investidores direcionam recursos para outros mercados emergentes com maior exposição ao setor de tecnologia.
Na semana analisada, os fundos dedicados à América Latina tiveram saída de US$ 15 milhões. Ao mesmo tempo, os mercados emergentes excluindo a China receberam US$ 9 bilhões na semana, elevando o fluxo acumulado no ano para US$ 107 bilhões.
Para o banco, esse movimento ajuda a explicar por que a América Latina ainda não participa de forma mais ampla do fluxo destinado aos emergentes.