BofA vê Fed retomando alta dos juros e projeta três aumentos ainda em 2026

O mercado ainda discute quando o Federal Reserve voltará a cortar os juros nos Estados Unidos. Mas, para o Bank of America (BofA), a próxima movimentação do banco central americano deve ocorrer na direção oposta.
Em relatório divulgado nesta segunda-feira (22), o banco revisou sua projeção para a política monetária americana e passou a esperar três altas de 0,25 ponto percentual ainda em 2026, nas reuniões de setembro, outubro e dezembro. Se confirmado, o movimento levaria a taxa básica para o intervalo de 4,25% a 4,50%.
A mudança representa uma guinada importante na visão da instituição. Até pouco tempo atrás, o BofA demonstrava ceticismo sobre a necessidade de novos ajustes, mas agora avalia que o Fed pode ser obrigado a reverter rapidamente parte dos cortes promovidos anteriormente.
“Os dados e nossa leitura atualizada da função de reação do Fed sugerem que a autoridade monetária deve desfazer rapidamente os cortes realizados”, afirmaram os economistas do banco.
O que mudou para o Fed?
Segundo o BofA, a combinação de uma economia resiliente com uma inflação mais persistente alterou significativamente o cenário para a política monetária.
O banco destaca que, em relação a maio do ano passado, a taxa de desemprego permanece praticamente estável, enquanto o núcleo do índice de gastos com consumo pessoal (PCE), indicador favorito do Fed para monitorar a inflação, avançou cerca de 70 pontos-base.
Ao mesmo tempo, a taxa básica de juros está atualmente 75 pontos-base abaixo do nível observado naquele período.
Na avaliação dos economistas, essa combinação sugere que a política monetária está hoje menos restritiva, apesar de uma inflação mais elevada.
Fed mais “hawkish”
Outro fator que levou à revisão das projeções foi a comunicação recente da autoridade monetária. Para o BofA, tanto o Sumário de Projeções Econômicas (SEP) divulgado na reunião de junho quanto os comentários do presidente do Fed reforçaram uma postura mais dura no combate à inflação.
Os analistas avaliam que o banco central americano passou a demonstrar menor tolerância a pressões inflacionárias persistentes e maior disposição para manter os juros elevados por mais tempo.
“O SEP e a coletiva indicam que a função de reação do Fed é muito mais hawkish do que imaginávamos”, destacaram.
Quando o cenário pode mudar?
Apesar da revisão, o BofA reconhece que alguns fatores ainda podem impedir a retomada do aperto monetário.
Entre eles estão uma desaceleração mais forte do mercado de trabalho americano, leituras mais benignas de inflação nos próximos meses ou uma correção significativa das bolsas, capaz de enfraquecer a demanda na economia.
Por ora, contudo, a avaliação do banco é que a inflação continua sendo o principal problema do Fed e que os dirigentes devem priorizar o retorno dos preços à meta, mesmo que isso exija novos aumentos dos juros.
