BofA vê mais espaço para cortes da Selic e reduz projeção da inflação; veja as novas estimativas
O Bank of America (BofA) revisou sua projeção para a trajetória da taxa Selic e passou a esperar dois cortes de 0,25 ponto percentual nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), levando os juros dos atuais 14,25% para 14% em agosto e 13,75% em setembro. Até então, o banco projetava que o ciclo […]

O Bank of America (BofA) revisou sua projeção para a trajetória da taxa Selic e passou a esperar dois cortes de 0,25 ponto percentual nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), levando os juros dos atuais 14,25% para 14% em agosto e 13,75% em setembro. Até então, o banco projetava que o ciclo de flexibilização terminaria já na próxima reunião, com a Selic em 14%.
A mudança ocorre após uma sequência de dados mais favoráveis para a inflação e sinais de desaceleração da atividade econômica. Segundo o BofA, esse cenário passou a oferecer espaço para uma flexibilização adicional da política monetária.
Ainda assim, o banco espera que o Copom adote uma postura cautelosa e mantenha aberta a possibilidade de um corte em setembro, sem necessariamente sinalizar antecipadamente que ele ocorrerá.
Inflação melhora, mas riscos permanecem
Um dos principais motivos para a revisão foi a melhora do quadro inflacionário. O BofA destacou a sequência de surpresas baixistas na inflaçãocheia e a leitura mais benigna do IPCA-15 de julho, além de sinais iniciais de moderação da demanda doméstica.
Com isso, o banco reduziu sua projeção para o IPCA de 2026 de 5,5% para 5%. Apesar da revisão, a instituição ressaltou que o processo de desinflação ainda não está completo.
As expectativas de inflação continuam acima da meta nos horizontes relevantes, enquanto riscos relacionados ao El Niño, às tarifas de eletricidade e aos preços de energia podem dificultar a convergência da inflação. Para o BofA, esses fatores justificam uma comunicação mais cautelosa por parte do Banco Central.
Atividade econômica também abre espaço
O outro elemento que pesou na revisão foi a atividade econômica. Para o BofA, os dados recentes passaram a ser mais compatíveis com uma perda gradual de ritmo, embora o mercado de trabalho ainda permaneça apertado.
A instituição avalia que a demanda doméstica deixou de acelerar, o que ajuda a criar espaço para uma redução adicional do grau de restrição monetária. Ao mesmo tempo, a força do mercado de trabalho exige que o Copom continue dependente dos próximos dados antes de definir os passos seguintes.
Nesse cenário, o BofA passou a esperar que o ciclo de cortes avance até setembro e, depois disso, entre em uma pausa prolongada, com a Selic estacionada em 13,75%.
