Bolívia reduz bloqueios em estradas e retoma parcialmente o abastecimento

A Bolívia registrou neste domingo, 21, uma redução no número de bloqueios em rodovias promovidos por grupos opositores ao governo.
Segundo a administradora estatal de estradas, os pontos de interrupção caíram de cerca de 50 para 28, um dia após a entrada em vigor de um decreto de exceção que restringe manifestações e amplia a atuação das forças de segurança.
A diminuição dos bloqueios permitiu a retomada parcial do transporte de combustíveis para La Paz. Caminhões carregados com gasolina e diesel começaram a chegar à capital boliviana após a liberação de rotas no Altiplano, região estratégica para o abastecimento do país.
Os bloqueios remanescentes estão concentrados nos departamentos de La Paz, Oruro e Cochabamba, segundo informações oficiais.
La Paz e a cidade vizinha de El Alto enfrentam uma forte escassez de produtos após mais de sete semanas de protestos que afetaram a circulação de mercadorias e combustíveis.
Governo mobiliza forças de segurança
O presidente Rodrigo Paz decretou a proibição das manifestaçõese determinou que policiais e militares atuem para restabelecer o tráfego nas principais rodovias do país.
Neste domingo, forças combinadas das polícias e das Forças Armadas, com apoio de escavadeiras, realizaram pelo segundo dia consecutivo operações de limpeza e desbloqueio da rota entre La Paz e Oruro. Segundo uma fonte do Ministério da Defesa ouvida pela AFP, as ações ocorreram de forma pacífica.
A estrada tem papel central na logística de abastecimento boliviana por conectar a capital às rotas de entrada de combustíveis provenientes do Chile.
O ministro de Hidrocarbonetos, Marcelo Blanco, afirmou que caminhões-tanque já voltaram a circular pela região. Segundo ele, um dos principais objetivos do decreto era restabelecer a livre circulação de mercadorias e combustíveis.
Crise econômica impulsiona protestos
As manifestações começaram em meio ao agravamento da crise econômica boliviana, descrita por autoridades como a mais severa em quatro décadas.
Entre as principais reclamações dos manifestantes está a comercialização de gasolina considerada de baixa qualidade, que, segundo os protestos, teria provocado danos em milhares de veículos.
Embora o governo tenha firmado um acordo com a Central Obrera Boliviana (COB), principal organização sindical do país, agricultores, comunidades indígenas ligadas à organização Túpac Katari e produtores de coca alinhados ao ex-presidente Evo Morales mantêm parte das mobilizações.
Tensão política segue no centro da disputa
O presidente Paz acusa Evo Morales, que governou a Bolívia entre 2006 e 2019, de liderar os protestos e de receber financiamento do narcotráfico. As acusações foram feitas sem apresentação de provas.
Morales permanece na região do Chapare após a emissão de uma ordem de prisão relacionada a um caso de suposto tráfico de uma menor. O ex-presidente nega as acusações e afirma ser alvo de perseguição política.
Mesmo com a redução dos bloqueios e a retomada parcial do abastecimento, a permanência de protestos em diferentes regiões indica que a crise social e política continua pressionando o governo boliviano.
