Bolsa brasileira atinge 2º maior valor da história, mas segue abaixo de US$ 1 tri

A bolsa brasileira alcançou o segundo maior valor de mercado da história em moeda local, mas ainda permanece abaixo da marca de US$ 1 trilhão, patamar que não é atingido desde 2019. Um levantamento, divulgado nesta quarta-feira, 22, pela consultoria Elos Ayta, mostra que as empresas listadas na B3 somavam R$ 4,86 trilhões em valor de mercado em 21 de julho de 2026, atrás apenas do recorde de R$ 5 trilhões, registrado em 2020.
Os dados foram divulgados em um momento de recuperação do mercado acionário brasileiro. Nesta quarta-feira, o Ibovespa avançou 2,44%, impulsionado pela valorização de ações de empresas como Vale, Petrobras, de peso no índice,e com destaque da Weg, que subiu mais de 10% após balanço. Enquanto o dólar caiu pela terceira sessão consecutiva, a R$ 5,05, o menor valor em mais de um mês.
A pesquisa da consultoria analisou a evolução do mercado acionário brasileiro entre 2010 e julho de 2026 sob três perspectivas: valores nominais em reais, valores corrigidos pela inflação medida pelo IPCA e conversão para dólares.
Embora o patrimônio das companhias tenha voltado a crescer em reais, a conversão para a moeda norte-americana revela um cenário diferente. Segundo o estudo, o mercado brasileiro vale atualmente US$ 957 bilhões, permanecendoabaixo da marca simbólica de US$ 1 trilhão pelo sétimo ano consecutivo.
O maior valor em dólar da série foi registrado em 2012, quando a bolsa brasileira alcançou aproximadamente US$ 1,18 trilhão, impulsionada por um câmbio próximo de R$ 2,04 por dólar, forte entrada de capital estrangeiro e um ambiente mais favorável aos mercados emergentes. Apesar disso, a valoração atual do B3 é superior em reais, mostrando expansão do mercado brasileiro.
Câmbio explica diferença entre os resultados
De acordo com a consultoria, a comparação mostra que o desempenho da bolsa depende não apenas da valorização das empresas, mas também da taxa de câmbio.
Enquanto o valor de mercado praticamente dobrou em reais ao longo da última década, a desvalorização do real reduziu significativamente esse crescimento quando convertido para dólares, diminuindo a relevância internacional do mercado brasileiro.
A análise também aponta que observar a bolsa sob diferentes métricas permite enxergar dimensões distintas da evolução do mercado.
Em reais, os números refletem o crescimento patrimonial das empresas na economia doméstica. Em valores corrigidos pela inflação, mostram a evolução do patrimônio em termos reais. Já, em dólares, indicam como o mercado brasileiro é percebido pelos investidores estrangeiros.
Recuperação ganha força desde 2024
O levantamento mostra que o mercado acionário brasileiro voltou a acelerar nos últimos anos.
Depois de atingir R$ 3,96 trilhões em 2024, o valor de mercado das empresas listadas subiu para R$ 4,78 trilhões em 2025 e alcançou R$ 4,86 trilhões em julho deste ano.
Em dólares, a recuperação também foi significativa: o mercado passou de US$ 640 bilhões em 2024 para US$ 957 bilhões em 2026, refletindo tanto a valorização das companhias quanto uma melhora da taxa de câmbio.
Quando os valores são corrigidos pela inflação, o pico da série permanece em 2020, quando a bolsa atingiu o equivalente a R$ 6,88 trilhões em valores atuais.
Na outra ponta, 2015 aparece como o pior momento da série histórica, registrando simultaneamente o menor valor de mercado em reais, em dólares e em valores corrigidos pela inflação. Segundo a Elos Ayta, o período foi marcado pela combinação de recessão econômica, crise política e forte desvalorização cambial.
Bolsa ainda busca recuperar protagonismo internacional
O estudo também mostra como diferentes ciclos econômicos influenciaram o mercado acionário brasileiro nos últimos 16 anos.
Entre 2010 e 2012, o Brasil viveu o auge de sua participação entre os mercados emergentes, alcançando o maior valor de mercado em dólares da série. Entre2013 e 2016, a desaceleração econômica, a recessão, a crise política e a desvalorização do real provocaram a maior perda de valor observada no levantamento.
A partir de 2017, teve início um processo de recuperação, interrompido temporariamente pela pandemia e retomado nos anos mais recentes, mesmo em um cenário internacional de juros elevados, conflitos geopolíticos e maior seletividade do capital estrangeiro.
