Bolsa brasileira vs. Tesouro IPCA+: vale a pena investir em ações com juro real acima de 8%? XP dá o veredito
Analistas da XP dizem o que fazer com as ações brasileiras em um cenário de incertezas na economia e títulos públicos pagando juros recordes acima da inflação

As incertezas com a economia brasileira levaram os títulos públicos indexados à inflação a patamares recordes. Desde junho, o Tesouro IPCA+ tem oferecido juro real acima de 8% ao ano. Se por um lado essa é uma oportunidade para travar um retorno atrativo na renda fixa, por outro, demonstra um cenário macroeconômico ainda bastante pessimista.
Embora o Ibovespa, principal índice de ações da bolsa, acumule alta de 10,8% desde o início de 2026, a XP explica que os investidores brasileiros estão subalocados na renda variável e o mercado ainda opera com ceticismo.
Já na contramão, há uma forte concentração nos títulos de renda fixa em meio a um cenário de taxas altas e aversão a investimentos mais arriscados.
Porém, a corretora defende que, mesmo com títulos públicos entregando um retorno de 8% acima da inflação ao ano, não é hora de abrir mão das ações brasileiras.
Os analistas defendem que existe uma assimetria no mercado atual. Isso porque ações brasileiras caíram mais do que os juros de longo prazo subiram.
“O Tesouro IPCA+ pagando juro real de 8% é claramente um desafio para o potencial de alta no médio prazo, mas boa parte desse cenário já está descontado no preço da bolsa brasileira”, explica a equipe de análise.
Não é à toa que a XP defende que a bolsa brasileira está barata e defende que é hora de investir mesmo com as incertezas no radar e os títulos públicos com taxas altas.
Bolsa brasileira está em um bom ponto de entrada
Embora o cenário ainda esteja turbulento, a tese da XP é que as ações brasileiras já estão com os riscos precificados após quedas nos papéis.
Para convencer um investidor a trocar um título público que paga IPCA + 8% por ações, a bolsa precisa parecer barata o suficiente para oferecer um potencial de ganho ainda maior. E, na avaliação da corretora, isso é exatamente o que aconteceu nos últimos meses.
Com a piora das perspectivas para os juros e para a economia, muitas ações perderam valor. Como resultado, diversas empresas passaram a ser negociadas a preços mais baixos, mesmo sem uma piora proporcional dos fundamentos.
Para a XP, isso significa que boa parte das más notícias já está incorporada nas cotações. Ou seja, a corretora acredita que o potencial de queda ficou mais limitado.
Atualmente, o Ibovespa negocia abaixo da média histórica e os analistas projetam que o índice deve encerrar o ano a 200 mil pontos. Em relação ao último fechamento (31), de 177.999 pontos, o potencial de alta é de 12,3%
Fluxo estrangeiro pode ser um catalisador
Outro fator que favorece a bolsa brasileira é o fluxo de capital estrangeiro.
Após dois meses de saída de recursos, os gringos voltaram para as ações do Brasil e, em julho, o saldo estrangeiro na B3 foi positivo em R$ 3,3 bilhões.
Para a corretora, esse movimento pode ganhar força caso o Brasil continue atraente em relação a outros mercados emergentes.
Um ponto importante, segundo a XP, é que investidores estrangeiros têm participação pequena nos títulos públicos indexados à inflação, mas respondem por cerca de 60% do volume negociado na bolsa brasileira.
Por isso, uma retomada dos fluxos tende a beneficiar mais as ações do que a renda fixa.
Em quais ações investir?
De olho no mês de agosto, a XP atualizou sua carteira recomendada de ações.
A corretora preferiu tirar os papéis da B3 (B3SA3) em meio a um cenário mais incerto para o segmento de mercado de capitais, com pressão do ambiente de juros elevados por mais tempo, e a Localiza (RENT3) em um movimento tático.
Essas ações deram espaço para a XP aumentar a exposição a outros ativos da carteira.
A corretora aumentou a participação de Petrobras (PETR4), Embraer (EMBJ3), Gerdau (GGBR4), Sabesp (SBSP3) e Nubank (ROXO34).
Os analistas afirmam estar particularmente otimista com a Embraer, apoiada em uma carteira robusta de pedidos, com a Gerdau, pelo momento operacional positivo na América do Norte, e com a Sabesp, que pode se beneficiar de uma retomada mais forte do fluxo estrangeiro para o mercado brasileiro.
Além das mudanças anunciadas para agosto, permanecem na carteira da XP algumas apostas que já faziam parte da seleção anterior.
Entre elas estão:
- PRIO (PRIO3) e Vale (VALE3), no segmento de commodities;
- Lojas Renner (LREN3), Totvs (TOTS3) e Iguatemi (IGTI11), entre as ações ligadas à economia doméstica;
- Rede D'Or (RDOR3) e Orizon (ORVR3), no grupo de defensivas; e
- Itaú (ITUB4) e BTG Pactual (BPAC11), que representam a exposição ao setor financeiro.
