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InvestMercados
28/07/2026
5 min

Bolsa da Coreia cai 11% e reacende temor de bolha de IA no mundo

Samsung e SK Hynix caem mais de 13% e derrubam a bolsa da Coreia do Sul ao menor nível desde abril

Bolsa da Coreia cai 11% e reacende temor de bolha de IA no mundo

A bolsa da Coreia do Sul voltou a ser o epicentro do temor global sobre uma possível bolha de inteligência artificial. O índice Kospi, principal referência do mercado sul-coreano, despencou quase 11% nesta terça-feira, 28, em uma nova onda de vendas de ações de fabricantes de chips, que vêm sendo pressionadas por dúvidas sobre a sustentabilidade do rali de IA.

As negociações chegaram a ser interrompidas temporariamente quando o índice atingiu o menor nível desde abril. O Kospi fechou em queda de 10,8%, aos 6.023,66 pontos. As ações da Samsung Electronics recuaram 13,4%, enquanto os papéis da SK Hynix tombaram 14,7%.

O movimento se soma a uma sequência de correções recentes nas ações ligadas à IA. Poucas semanas atrás, a queda da SK Hynix já havia acionado a suspensão geral dos negócios em Seul. Na segunda-feira, os ADRs da fornecedora de chips negociados em Nova York caíram para abaixo do preço de US$ 149 fixado na oferta pública inicial (IPO) da estreia da empresa em Wall Street, fechando a US$ 143 por papel.

Concorrência chinesa no radar

Segundo analistas, um fator central por trás da liquidação é a expectativa de que a concorrência crescente de startups e fabricantes de chips chinesas possa corroer os ganhos das grandes companhias globais, cujas ações dispararam nos últimos meses no embalo da euforia com inteligência artificial.

Um salto de 466% no preço da fabricante chinesa de chips de memória CXMT em sua estreia na segunda-feira reforçou essas preocupações. A CXMT levantou ao menos US$ 8,6 bilhões em seu IPO em Xangai — embora os papéis tenham recuado 4% nesta terça.

A queda das ações de chips também ocorreu após reportagem da publicação especializada em tecnologia The Information indicar que a China começou a produção em massa de suas próprias máquinas de litografia por ultravioleta profundo (DUV) — os equipamentos que "imprimem" os circuitos microscópicos nas bolachas de silício (os wafers) que dão origem aos chips. É por meio dessas máquinas que se desenha, camada a camada, o traçado dos transistores; quanto mais avançada a litografia, mais densos e potentes os chips fabricados.

Até então, a China dependia de fornecedores estrangeiros para esse tipo de equipamento, sobretudo a holandesa ASML, líder global do setor e alvo de restrições de exportação impostas pelos Estados Unidos e por seus aliados justamente para conter o avanço chinês em semicondutores.

Avançar na produção própria significa reduzir essa dependência e ameaçar, no médio prazo, a posição dominante dos grandes fabricantes globais de equipamentos. Após a notícia, as ações da ASML chegaram a cair cerca de 6,5% em Amsterdã.

Ainda assim, a produção inicial é limitada, e parte dos componentes críticos segue importada do Japão, o que sugere um marco mais estratégico do que uma ruptura imediata na cadeia global de chips.

"Acreditamos que o mercado provavelmente se assustou com o progresso das capacidades da China em equipamentos para fabricação de chips, e ficou preocupado que esse avanço ameaçasse a posição competitiva dos líderes globais de chips e de equipamentos", afirmou o analista de ações Jing Jie Yu, da Morningstar. Para ele, porém, a liquidação do dia foi "em grande parte uma reação impulsiva e exagerada", e a posição dominante dos líderes globais dificilmente será ameaçada de forma relevante.

O episódio reacende um debate que ganhou força ao longo de 2026: o de que os papéis ligados à IA estariam entrando em uma bolha, com valores de mercado avançando mais rápido do que a capacidade das empresas de transformar expectativa em lucro.

Ásia no vermelho, Europa em alta

O tombo em Seul contaminou outras praças asiáticas. Em Tóquio, o Nikkei 225 caiu 4%, aos 62.364,92 pontos. Em Taiwan, o Taiex recuou 4,7%, com as ações da líder TSMC, a Taiwan Semiconductor Manufacturing Co, em baixa de 3%.

Na China continental, o Xangai Composto perdeu 1,2%, aos 3.813,31 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng foi na contramão e subiu 0,4%, aos 25.310,85 pontos. A bolsa australiana também escapou do movimento negativo: o S&P/ASX 200 avançou 0,60%.

Na Europa, os mercados abriram em alta moderada, revertendo a tendência asiática. A Bolsa de Frankfurt, medida pelo DAX, ganhou 0,6%, aos 25.511,93 pontos. Em Paris, o CAC 40 subiu 0,5%, aos 8.450,71 pontos, e em Londres o FTSE 100 avançou 0,6%, aos 10.846,42 pontos. O índice pan-europeu Stoxx 600 operava em alta de 0,3%, com todas as praças regionais no positivo, exceto o setor de petróleo e gás.

Fed e temporada de balanços dominam a semana

Nos Estados Unidos, os futuros operavam sem direção única: o contrato do S&P 500 recuava 0,1%, o do Nasdaq 100 caía 0,73%, enquanto o do Dow Jones Industrial Average subia 0,3%. Na véspera, em pregão volátil, o Dow avançou cerca de 0,5% e o S&P 500 teve leve ganho, enquanto o Nasdaq Composite fechou em baixa de 0,2%, pressionado justamente pelo desmonte de posições em ações de semicondutores.

A tensão reflete a cautela dos investidores diante de uma semana decisiva. O calendário concentra os balanços de Amazon, Meta Platforms, Microsoft e Apple — resultados observados de perto porque o setor de chips depende da continuidade dos investimentos das grandes empresas de tecnologia em infraestrutura de IA.

O mercado também aguarda a decisão de política monetária do Federal Reserve, prevista para esta quarta-feira. A expectativa predominante é de manutenção dos juros, com investidores em busca de sinais sobre o rumo da política monetária. "Nossa aposta é de nenhuma mudança", escreveu Padhraic Garvey, chefe regional de pesquisa para as Américas do ING, avaliando que as expectativas de inflação estão suficientemente ancoradas.

No mercado de commodities, os preços do petróleo caíram mais de 2%, com o Brent negociado abaixo de US$ 90 por barril, em meio a uma trégua nos conflitos no Oriente Médio. O rendimento do Treasury de 10 anos recuou para cerca de 4,65%.

AutorMitchel Diniz
FonteExame
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