Bolsa da Coreia do Sul entra em 'bear market' após pressão da IA

A forte valorização das empresas de semicondutores que colocou a bolsa da Coreia do Sul entre os melhores desempenhos globais também levou à concentração em poucas companhias ligadas à inteligência artificial e agora o principal índice do país mostrou sinais de pressão.
O Kospi entrou em território de "bear market", quando um índice acumula uma queda de 20% ou mais em relação ao seu último pico. No caso, ele caiu 20% desde a máxima histórica registrada em 19 de junho, após recuar mais de 5% em uma única sessão na quarta-feira, 8, segundo dados da LSEG.
Na quinta-feira, 9, o mercado teve uma recuperação moderada, mas seguiu com negociações instáveis. O Kospi ainda acumula valorização superior a 70% em 2026, depois de avançar mais de 75% no ano passado, de acordo com informações da CNBC.
Nesta sexta-feira, 10, ele fechou em alta de 2,52%.
Samsung e SK Hynix concentram aposta em IA
Como a dependência do setor de tecnologia se tornou um dos principais pontos de alerta para investidores, a Emmer Capital mostrou um cenário ainda mais desafiador no último mês, visto que a Samsung e a SK Hynix representavam mais da metade da composição do Kospi em junho.
Para o CEO da Emmer Capital, Manishi Raychaudhuri, a queda "foi impulsionada por um ceticismo crescente em relação à IA por parte de investidores globais, somado a uma concentração extrema do mercado", em fala à CNBC.
A preocupação do mercado parece estar relacionada ao ritmo de crescimento esperado para os próximos resultados. A Samsung, por exemplo, apresentou lucro forte, enquanto os preços de memórias continuam subindo. No entanto, os papéis caíram devido justamente às projeções.
"A correção foi impulsionada mais pelo posicionamento do que pela deterioração dos fundamentos", segundo o fundador da Fibonacci Asset Management Global, Jung In Yun.
O gestor vê, ainda, que o movimento recente indica uma reavaliação dos preços das ações após uma forte alta, e não uma mudança completa nas perspectivas para o setor.
Fundamentos dos chips continuam no radar
Empresas de semicondutores seguem apoiadas, porém, por um cenário favorável para o mercado de memórias. O chefe de semicondutores e infraestrutura da Futurum Group, Rolf Bulk, relatou que os preços de memórias avançaram entre 50% e 80% no segundo trimestre em relação ao período anterior.
O executivo também destacou a expectativa de novas altas ao longo do ano, citando uma possível restrição de oferta no setor e contratos de longo prazo firmados com grandes empresas de computação em nuvem.
Já o estrategista global de investimentos do KB Financial Group, Peter Kim, destacou que os fundamentos das fabricantes continuam sólidos e que a visibilidade dos resultados permanece positiva apesar da volatilidade.
Investidores reduzem exposição após alta
Analistas também apontam que a dinâmica recente do mercado ajudou a ampliar os movimentos de alta e queda. A combinação entre forte participação de investidores de varejo, fundos de índices (ETFs) alavancados e concentração em temas específicos, como a própria IA, aumentou as oscilações dos ativos.
O índice de volatilidade do Kospi subiu mais de 200% desde o início do ano; e, para Jung, a recuperação da bolsa, agora, dependerá da melhora do ambiente global para ativos de risco. Caso o apetite por ações volte, investidores estrangeiros podem retornar ao mercado sul-coreano.
Próximos resultados podem definir direção
O foco agora está nos próximos eventos envolvendo as principais fabricantes de chips. A listagem da SK Hynix nos Estados Unidos, que estreou hoje, pode gerar um novo impulso para as ações de memória no curto prazo, segundo Bulk.
Em relação aos balanços da Samsung e da SK entre abril a junho, Bulk acrescentou que "comentários construtivos de ambas as empresas sobre a sustentabilidade do ciclo no segundo semestre de 2026 poderiam dar suporte às ações e ao mercado coreano como um todo."
