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Sacre Investimentos
ColunasACS
29/10/2026
8 min

Bolsa em queda: 34 ações atingem a mínima do ano após 2º turno; 12 tombam mais de 40%

O segundo turno das eleições presidenciais de 2026 foi seguido por um movimento expressivo de desvalorização em parte do mercado acionário brasileiro. Levantamento da Elos Ayta, realizado com 148 ações pertencentes às carteiras teóricas do Ibovespa, do Índice Dividendos (IDIV) e do Índice Small Cap (SMLL), identificou que 34 papéis, equivalentes a 22,97% do universo […]

Bolsa em queda: 34 ações atingem a mínima do ano após 2º turno; 12 tombam mais de 40%

O segundo turno das eleições presidenciais de 2026 foi seguido por um movimento expressivo de desvalorização em parte do mercado acionário brasileiro. Levantamento da Elos Ayta, realizado com 148 ações pertencentes às carteiras teóricas do Ibovespa, do Índice Dividendos (IDIV) e do Índice Small Cap (SMLL), identificou que 34 papéis, equivalentes a 22,97% do universo analisado, atingiram suas menores cotações do ano nos dias 26 ou 27 de outubro, imediatamente após a votação.

A intensidade das quedas chama a atenção. Entre essas 34 ações, 12 registraram desvalorização superior a 40% em relação ao fechamento de sexta-feira, 23 de outubro, último pregão anterior ao segundo turno. Três perderam mais da metade de seu valor nesse intervalo: Ecorodovias, com queda de 60,53%, Hapvida, com 54,93%, e Grupo SBF, com 51,41%.

Os números também revelam como o desempenho de uma ação pode mudar radicalmente ao longo de poucos meses ou até mesmo de alguns dias. Entre os 34 papéis analisados, 31 chegaram a apresentar valorização em relação ao encerramento de 2025, mas posteriormente devolveram os ganhos e passaram a acumular perdas no ano.

O levantamento permite observar duas dimensões importantes do mercado acionário: a intensidade das quedas após o segundo turno e a trajetória dos preços ao longo de 2026. Essa comparação ajuda a compreender por que investidores que compram a mesma ação em momentos diferentes podem obter resultados tão distintos.

Quedas superiores a 40% após o segundo turno

A análise considera os preços de fechamento de 23 de outubro, sexta-feira anterior à votação, e os preços registrados em 26 ou 27 de outubro, conforme a data em que cada ação atingiu sua mínima anual.

Das 34 ações selecionadas, 13 registraram suas mínimas no primeiro pregão posterior ao segundo turno, em 26 de outubro, enquanto outras 21 atingiram esse patamar no dia seguinte.

Entre os casos mais expressivos está a Ecorodovias. A ação encerrou o dia 23 de outubro cotada a R$ 13,15 e atingiu R$ 5,19 no fechamento de 26 de outubro, uma desvalorização de 60,53%.

A Hapvida apresentou comportamento semelhante. Seus papéis passaram de R$ 8,83 para R$ 3,98 no mesmo intervalo, acumulando queda de 54,93%. Já o Grupo SBF registrou desvalorização de 51,41%, com a cotação passando de R$ 11,36 para R$ 5,52.

Outras empresas também apresentaram perdas expressivas. Randon recuou 49,63%, Cosan perdeu 48,46%, Pague Menos caiu 48,25%, C&A apresentou desvalorização de 47,47% e Cyrela registrou queda de 46,56%.

Para dimensionar o impacto dessas oscilações, um investimento hipotético de R$ 100 mil em ações da Ecorodovias, realizado ao preço de fechamento de 23 de outubro, teria seu valor reduzido para aproximadamente R$ 39,5 mil no fechamento de 26 de outubro, considerando exclusivamente a variação das cotações ajustadas.

Isso representaria uma redução de aproximadamente R$ 60,5 mil em um único pregão.

O exemplo ilustra a intensidade da desvalorização, mas não significa que todos os investidores da companhia sofreram essa perda. O resultado depende do preço de aquisição e do período de permanência no investimento.

Da valorização ao prejuízo: quando os ganhos desaparecem

Embora as quedas posteriores ao segundo turno tenham sido expressivas, a trajetória de algumas empresas mostra que parte das perdas já vinha ocorrendo antes das eleições.

Um exemplo é a Usiminas.

A ação encerrou 2025 cotada a R$ 5,95 e atingiu R$ 12,04 em 2 de junho de 2026, acumulando valorização de 102,35% no período.

Entretanto, em 27 de outubro, sua cotação havia recuado para R$ 5,69, representando uma desvalorização de 52,74% em relação à máxima anual.

Assim, uma ação que chegou a mais do que dobrar de valor durante 2026 passou a acumular perda de 4,37% em relação ao encerramento de 2025.

Nesse caso, a queda posterior ao segundo turno foi de 14,18%, mostrando que uma parcela significativa da desvalorização ocorreu antes da eleição.

O Banco do Brasil também oferece um exemplo relevante. Seus papéis chegaram a apresentar valorização de 26,86% em fevereiro, mas atingiram a mínima de outubro acumulando perda de 18,74% no ano. Somente após o segundo turno, a desvalorização foi de 29,69%.

Esses casos mostram que uma ação pode apresentar forte valorização durante determinado período e, posteriormente, devolver os ganhos. Por isso, observar apenas o desempenho acumulado em uma data específica pode oferecer uma visão incompleta dos riscos envolvidos.

Quando a desvalorização acontece em poucos dias

Outro aspecto relevante do levantamento é a velocidade com que algumas ações perderam valor.

A Cyrela, por exemplo, registrou sua máxima anual de R$ 35,57 em 23 de outubro, último pregão antes do segundo turno. Apenas quatro dias corridos depois, em 27 de outubro, a cotação havia recuado para R$ 19,01, uma queda de 46,56%.

A Riachuelo apresentou trajetória semelhante. A ação atingiu R$ 11,55 em 23 de outubro e encerrou o pregão de 26 de outubro cotada a R$ 6,44, uma desvalorização de 44,24% em três dias corridos.

Já a C&A registrou sua máxima anual em 20 de outubro, quando suas ações alcançaram R$ 14,27. No dia 26, a cotação havia recuado para R$ 7,27, representando uma perda de 49,05% em apenas seis dias corridos.

Os intervalos apresentados correspondem a dias corridos, incluindo fins de semana e dias sem negociação, e não à quantidade de pregões.

Embora as desvalorizações tenham ocorrido em um ambiente de incerteza política e econômica, não é possível atribuí-las integralmente ao resultado eleitoral sem considerar outros fatores que também influenciam os preços das empresas.

As 34 ações que atingiram suas mínimas anuais após o segundo turno

A tabela a seguir reúne as ações das carteiras teóricas do Ibovespa, IDIV e Small Caps que atingiram suas menores cotações de 2026 nos dias 26 ou 27 de outubro.

O levantamento permite comparar os preços de encerramento de 2025, as máximas registradas durante o ano, o fechamento anterior ao segundo turno e as mínimas posteriores à eleição.

Também apresenta a valorização acumulada até a máxima anual, a queda entre máxima e mínima, a desvalorização após o segundo turno e o retorno acumulado em 2026 até a mínima.

O movimento do golfinho: quando os preços sobem e depois mergulham

O comportamento de ações que apresentam forte valorização e posteriormente sofrem quedas acentuadas pode ser comparado ao movimento de um golfinho, que emerge acima da superfície e depois mergulha.

No mercado financeiro, essa trajetória ajuda a compreender como um ativo pode alcançar preços elevados e, posteriormente, devolver parte ou até mesmo a totalidade dos ganhos acumulados.

Esse fenômeno está relacionado ao conceito de drawdown, utilizado para medir a queda percentual de um investimento em relação a um preço máximo anterior.

Imagine uma ação que passe de R$ 10 para R$ 20 e, posteriormente, recue para R$ 12.

Na primeira etapa, o papel apresenta valorização de 100%. Na segunda, registra queda de 40% em relação ao preço máximo.

Apesar da desvalorização, a ação ainda estaria 20% acima do preço inicial.

O exemplo mostra que uma queda percentual não anula uma valorização anterior na mesma proporção. Também evidencia que dois investidores podem obter resultados muito diferentes com a mesma ação, dependendo do preço pago.

O comportamento dos investidores acrescenta outra dimensão a esse movimento. Após períodos de forte valorização, é possível que parte do mercado passe a esperar a continuidade das altas, mesmo quando os preços já incorporam expectativas otimistas.

Da mesma forma, diante de uma desvalorização expressiva, alguns investidores podem resistir a reconhecer perdas, mantendo suas posições na expectativa de recuperação.

Essas reações ajudam a explicar por que as decisões de compra e venda nem sempre acompanham uma avaliação equilibrada dos riscos.

O que os números ensinam sobre o risco de investir em ações?

O levantamento da Elos Ayta evidencia que a valorização acumulada durante determinado período não garante a preservação dos ganhos.

As oscilações podem ocorrer gradualmente, ao longo de meses, ou de maneira abrupta, em poucos pregões. Em ambos os casos, o preço de entrada e o momento de saída influenciam diretamente o resultado do investimento.

Mudanças nas expectativas econômicas, nas taxas de juros, nas condições de financiamento e na percepção dos investidores podem provocar alterações significativas nas cotações, independentemente do desempenho anterior das empresas.

Os acontecimentos de outubro de 2026 oferecem um exemplo concreto dessa dinâmica, mostrando que movimentos expressivos de valorização podem ser seguidos por perdas igualmente relevantes.

Uma ação pode valorizar durante meses e devolver os ganhos em poucos dias. Por isso, conhecer a rentabilidade passada é importante, mas compreender os riscos associados à trajetória dos preços é igualmente fundamental.

O investidor não compra a valorização que uma ação apresentou no passado. Ele adquire um ativo cujo preço continuará sujeito às mudanças nas condições de mercado.

E, como demonstra o levantamento, o momento em que esse investimento é realizado pode fazer uma diferença significativa no resultado.

AutorEinar Rivero
FonteMoney Times
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