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InvestMercadosACS
26/10/2026
4 min

Bolsa perde R$ 734 bi com reeleição de Lula, quase o valor de uma Petrobras

Levantamento da Elos Ayta mostra que a queda de 12,91% no valor de mercado das empresas listadas na B3 eliminou 75,5% dos ganhos acumulados no ano

Bolsa perde R$ 734 bi com reeleição de Lula, quase o valor de uma Petrobras
RESUMO +

A queda da Bolsa de Valores do Brasil nesta segunda-feira, 26, reduziu em R$ 734 bilhões o valor de mercado das companhias listadas na B3, a bolsa brasileira, segundo a consultoria Elos Ayta. O tombo eliminou 75,5% dos ganhos acumulados em 2026. O Ibovespa caiu 13,88%, aos 176.608,23 pontos, após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.

A forte queda da Bolsa de Valores do Brasil nesta segunda-feira, 26, apagou mais de 75% dos ganhos acumulados pelas empresas listadas na B3 em 2026. Segundo levantamento da consultoria Elos Ayta, o valor de mercado consolidado das companhias negociadas na bolsa brasileira recuou R$ 734 bilhões em um único pregão, o equivalente a 98,4% do valor de mercado da Petrobras.

O montante passou de R$ 5,684 trilhões na sexta-feira, 23, para R$ 4,950 trilhões nesta segunda-feira, uma retração de 12,91%. A perda ocorreu em uma das sessões mais turbulentas do mercado financeiro brasileiro nos últimos anos, marcada pela reação dos investidores à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a Presidência da República.

“O levantamento evidencia a velocidade com que ganhos acumulados durante vários meses podem ser revertidos em momentos de elevada volatilidade no mercado acionário brasileiro”, afirma a Elos Ayta.

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou em queda de 13,88%, aos 176.608,23 pontos, na maior perda percentual diária desde março de 2020, quando os mercados globais foram abalados pela pandemia de Covid-19. Durante o pregão, o índice chegou a recuar 17,34%, ficando abaixo dos 170 mil pontos.

A turbulência levou a B3 a acionar o circuit breaker logo na abertura, interrompendo as negociações por 30 minutos. Foi a primeira vez em mais de seis anos que o mecanismo precisou ser acionado em seis anos. O volume financeiro da sessão somou R$ 88,6 bilhões, cerca de três vezes a média diária do mercado.

A reação refletiu a revisão das expectativas de parte dos investidores após o resultado do segundo turno das eleições, realizado no domingo, 25. Lula foi reeleito com 51,75% dos votos válidos, contra 48,25% de Flávio Bolsonaro (PL), contrariando as expectativas do mercado, que apostavam na eleição do senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A pressão vendedora atingiu a maior parte das ações do Ibovespa: 68 dos 76 papéis terminaram o dia em baixa. Entre as maiores quedas estiveram as ações do Magazine Luiza (MGLU3), que recuaram 58,23%, as da Vamos (VAMO3), com baixa de 56,79%, e as da Hapvida (HAPV3), que perderam 54,93%.

Entre os bancos, as ações ordinárias do Banco do Brasil (BBAS3) caíram 29,33%, enquanto as units do BTG Pactual (BPAC11) recuaram 24,83%. Os papéis preferenciais do Bradesco (BBDC4) perderam 21,70%, e os do Itaú Unibanco (ITUB4) caíram 13,66%.

No câmbio, o dólar à vista disparou 8,21%, a R$ 5,4027, na maior alta diária desde 1999. O movimento refletiu a busca dos investidores por proteção diante das incertezas sobre os rumos da economia brasileira, segundo os agentes financeiros.

Para Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, a diferença entre as expectativas dos investidores e o resultado das urnas provocou uma liquidação generalizada de ações e ampliou acautela em relação às futuras diretrizes econômicas e fiscais do país.

“O pregão desta segunda-feira foi marcado por extrema volatilidade e forte aversão ao risco no mercado financeiro brasileiro, refletindo a reprecificação dos ativos após a definição do cenário político”, afirma.

Perda supera os ganhos com rali eleitoral entre o 1° e 2° turnos

A dimensão da queda também fica evidente na comparação com o desempenho das empresas desde o primeiro turno das eleições presidenciais. Entre 2 e 23 de outubro, o valor de mercado consolidado das companhias listadas na B3 havia avançado R$ 409 bilhões, passando de R$ 5,275 trilhões para R$ 5,684 trilhões.

A perda registrada nesta segunda-feira não apenas eliminou integralmente essa valorização, como deixou o valor de mercado das empresas R$ 325 bilhões abaixo do nível observado em 2 de outubro, último pregão antes do primeiro turno.

O levantamento da Elos Ayta também mostra que a queda consumiu a maior parte dos ganhos acumulados desde o fim de 2025. Entre 31 de dezembro de 2025 e 23 de outubro de 2026, o valor de mercado das companhias havia crescido R$ 972 bilhões, de R$ 4,712 trilhões para R$ 5,684 trilhões.

Com a perda de R$ 734 bilhões em um único pregão, 75,5% dessa valorização foi eliminada. Apesar da forte correção, o valor de mercado consolidado da bolsa ainda terminou o dia R$ 238 bilhões acima do registrado no encerramento de 2025, o equivalente a uma alta de 5,05% no ano.

AutorClara Assunção
FonteExame
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