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Sacre Investimentos
InvestMercadosACS
05/10/2026
5 min

Bolsa pode chegar aos 200 mil pontos hoje? O que o mercado espera após o 1º turno

Gestores projetam alta forte do Ibovespa, real mais valorizado e juros em queda

Bolsa pode chegar aos 200 mil pontos hoje? O que o mercado espera após o 1º turno

O mercado financeiro brasileiro deve viver nesta segunda-feira, 5, um dos pregões mais agitados do ano. Depois de Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno das eleições presidenciais à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), gestores e analistas ouvidos pela EXAME esperam forte alta da bolsa, valorização do real e queda dos juros futuros.

Com 99,47% das urnas apuradas, Flávio tinha 47,13% dos votos válidos, contra 45,04% de Lula. Os dois se enfrentam no segundo turno, em 25 de outubro. As pesquisas divulgadas na véspera apontavam empate técnico, com Lula numericamente à frente em alguns levantamentos.

A primeira reação veio de Nova York. O EWZ, fundo de índice que reúne ações brasileiras, chegou a subir 10,29% no pregão overnight de domingo.

Para Alfredo Menezes, CEO da Armor Capital, o resultado muda o favoritismo da disputa. Ele lembra que os candidatos da chamada terceira via somaram cerca de 7% dos votos e calcula que de 60% a 70% desse eleitorado deve migrar para Flávio. "No meu ver, a probabilidade de o Flávio levar o segundo turno é acima de 75%, talvez 80%", afirma.

Gabriel Mota, analista de renda variável da Manchester Investimentos, vai na mesma linha. "Se tivesse que apostar em quem vai ganhar o segundo turno, agora daria Flávio. Acho que não tem ninguém que montaria qualquer posição pensando o contrário a partir de agora", diz.

Quanto a bolsa pode subir

Na sexta-feira, o Ibovespa subiu 2,63% e fechou aos 192.114 pontos, maior patamar de fechamento desde abril, com investidores montando posições à espera de um desempenho de Flávio acima do indicado pelas pesquisas. Na semana, a alta foi de 4,71%. Em setembro, o índice acumulou alta de mais de 5%.

Tadeu Arantes, head de alocação da Ghia Multi Family Office, avalia que boa parte da reação ao resultado das urnas deve se concentrar já nesta segunda, com a bolsa podendo subir algo entre 4% e 5%, ou até mais. Uma alta de 4,1% seria suficiente para levar o Ibovespa aos 200 mil pontos.

"Essa alta recente do Ibovespa foi o começo de uma precificação de uma chance maior do Flávio ganhar, mas ainda tem bastante chão para a bolsa subir", afirma.

Mota vê espaço para ganhos além do curto prazo. Para ele, ainda há ações negociadas abaixo do que considera seu preço justo, como a Vale, cujos ADRs subiram mais de 7% após o resultado do primeiro turno. Na B3, VALE3 apagou, recentemente, os ganhos que havia acumulado ao longo de 2026.

Se Flávio mantiver o discurso de controle das contas públicas, privatizações e redução da carga tributária, o analista projeta a bolsa em níveis inéditos.

"A gente vai ter aí muito provavelmente bolsa buscando novos patamares históricos, patamares que a gente nunca viu", diz.

Menezes destaca as estatais, papéis em que ele daria mais foco no curto prazo, por serem negociados com desconto ligado ao risco político de um governo com viés expansionista.

Num segundo momento, o gestor vê espaço para as construtoras, que podem voltar a vender mais imóveis financiados caso os juros caiam. Essas são ações que foram destaque de queda no mês passado.

Dólar e juros

No câmbio, Menezes projeta que o real se fortaleça entre 3,5% e 4% já nesta segunda. O dólar fechou a sexta-feira cotado a R$ 5,216. O gestor conta que já estava comprado em real antes da eleição, mais por fundamentos econômicos, como a condição do Brasil de exportador líquido de petróleo, do que pelo cenário político.

A expectativa dos três entrevistados é de queda nos juros futuros, sobretudo nos vencimentos mais longos. Arantes afirma que o principal problema do Brasil na visão dos investidores é a questão fiscal, o que mantém um prêmio elevado tanto na bolsa quanto na curva de juros.

A aposta é que um governo de direita consiga aprovar reformas que abram espaço para o Banco Central reduzir a Selic, com queda do juro real e valorização da moeda.

Para o investidor de longo prazo, Menezes vê oportunidade em travar taxas de juro real na faixa de 7,3% a 7,5% ao ano. Segundo ele, esse nível não é sustentável sem reformas.

Mota acrescenta que a queda dos juros pode melhorar o ambiente para o crédito privado. "Você traz juros para um patamar mais civilizado, de países desenvolvidos, e melhora consequentemente o ambiente de negócios", afirma.

Congresso e ajuste fiscal

Parte do otimismo vem da composição do novo Congresso. Arantes e Menezes avaliam que a direita sai das urnas com bancadas mais fortes no Senado e na Câmara, o que daria a um eventual governo Flávio mais facilidade para aprovar reformas impopulares.

Questionado sobre a falta de detalhes no plano de governo de Flávio, Menezes afirma que o mercado deve olhar mais para a equipe econômica do que para o candidato. "Quem são as pessoas que vão estar em volta dos ministérios? Eu acho que o mercado acredita", diz.

Para ele, governos costumam concentrar ajustes nos dois primeiros anos de mandato, quando têm mais popularidade e apoio no Congresso.

AutorMitchel Diniz
FonteExame
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