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InvestMercados
26/10/2026
4 min

Bolsa vai devolver tudo e mais um pouco, diz CEO da Armor Capital, com vitória de Lula

Alfredo Menezes prevê forte reação dos ativos brasileiros após reeleição de Lula, com dólar a R$ 5,60 e pressão sobre os juros futuros

Bolsa vai devolver tudo e mais um pouco, diz CEO da Armor Capital, com vitória de Lula

"Ela vai devolver tudo e mais um ponto." Foi assim que Alfredo Menezes, CEO da Armor Capital, resumiu sua expectativa para a bolsa brasileira (B3) após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste domingo, 25.

Em entrevista à EXAME, durante a transmissão da apuração do segundo turno, o executivo projetou um cenário de forte volatilidade para o primeiro pregão após o 2º turno das eleições, com pressão sobre o Ibovespa, valorização do dólar e alta dos juros futuros.

Na avaliação de Menezes, o resultado eleitoral pode provocar uma reversão dos ganhos acumulados pelos ativos brasileiros entre o 1º e o 2º turno, período em que parte do mercado financeiro passou a considerar uma maior possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro (PL).

O executivo trabalha com a possibilidade de o dólar alcançar a faixa de R$ 5,60 a R$ 5,65, enquanto o Ibovespa poderá perder facilmente o patamar dos 200 mil pontos. "Eu estou trabalhando com um cenário de índice de 175 mil, 180 mil para o ano que vem", disse.

Segundo o CEO da Armor Capital, a principal preocupação dos investidores está relacionada à trajetória das contas públicas. Ele diz que as propostas de ampliação de gastos podem tornar mais desafiadora a condução da política fiscal nos próximos anos.

Menezes ressaltou, porém, que essa preocupação não está restrita ao presidente reeleito. Os dois candidatos apresentaram propostas de despesas sem indicar claramente as respectivas fontes de financiamento.

Dólar pode chegar a R$ 5,65 com o Lula?

Para Menezes, a reação do câmbio deve ser um dos primeiros reflexos do resultado eleitoral. O executivo considera possível uma valorização expressiva da moeda americana diante da revisão das expectativas dos investidores.

O gestor mencionou a possibilidade de uma desvalorização do real de 10% a 12% no curto prazo, movimento que poderia levar o dólar à região de R$ 5,60.

Apesar dessa projeção, ele avalia que o câmbio poderá apresentar maior capacidade de recuperação do que outros ativos brasileiros, em razão da situação das contas externas do país.

Na visão de Menezes, o desempenho das exportações, especialmente de petróleo, contribui para a entrada de dólares na economia e pode ajudar a limitar a desvalorização do real após uma reação inicial mais intensa.

O executivo também chamou atenção para os efeitos de uma eventual alta do dólar sobre a inflação. Para ele, a valorização da moeda americana poderia encarecer produtos importados e ampliar as pressões sobre os juros.

Juros futuros podem sofrer pressão maior?

Embora projete volatilidade para o dólar e a bolsa, Menezes considera que os títulos prefixados de longo prazo podem enfrentar os efeitos mais intensos de uma eventual revisão das expectativas econômicas, o que pode levar os investidores a exigirem taxas mais altas para financiar dívidas do governo.

Menezes citou ainda a relação entre dívida pública e Produto Interno Bruto (PIB) e o patamar dos juros reais como fatores que merecem atenção, bem como a composição de um Congresso Nacional de maioria oposicionista.

Para o gestor, medidas que sinalizem uma trajetória mais sustentável das contas públicas poderão ser importantes para reduzir as incertezas e influenciar o comportamento dos ativos financeiros.

Ele fez, inclusive, uma distinção entre os títulos prefixados e aqueles atrelados à inflação. Os prefixados de longo prazo apresentam maior vulnerabilidade a uma eventual elevação das taxas, enquanto os papéis indexados ao IPCA também incorporam a variação da inflação à remuneração.

Exportadoras podem se beneficiar da alta do dólar?

A eventual valorização da moeda americana também pode favorecer companhias brasileiras com receitas relevantes em dólar, especialmente as exportadoras. Menezes destacou a Vale e empresas do setor de papel e celulose como exemplos de companhias que poderiam se beneficiar desse movimento cambial.

O executivo ponderou, entretanto, que o desempenho dessas empresas pode não ser suficiente para compensar uma eventual queda mais ampla do Ibovespa.

No caso da Petrobras, Menezes avaliou que a companhia poderia se beneficiar do câmbio por sua atuação no mercado internacional de petróleo. Por outro lado, ressaltou que sua condição de estatal acrescenta fatores específicos à avaliação dos investidores.

O gestor ressalta que a intensidade e a duração desses movimentos dependerão das próximas sinalizações econômicas do governo, especialmente em relação à política fiscal e à trajetória da dívida pública.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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