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19/07/2026
4 min

Bolsas da Colômbia e Peru dominam na América Latina com retornos de até 32% no ano

Bolsas da Colômbia e Peru dominam na América Latina com retornos de até 32% no ano

As bolsas da Colômbia e do Peru lideram os ganhos entre os principais mercados da América Latina em 2026, mesmo em um ambiente de maior volatilidade global e de investidores mais seletivos diante das incertezas sobre a trajetória dos juros nos Estados Unidos e das tensões geopolíticas. É o que mostra relatório da equipe de Research da América Latina do Santander.

Segundo o levantamento, divulgado nesta semana, o índice MSCI Colômbia acumula valorização de 32,4% no ano, o melhor desempenho da região, seguido pelo MSCI Peru, com alta de 24,1%. Na sequência aparecem o MSCI México, com avanço de 8%, e o índice agregado MSCI LatAm, que sobe 8,3%.

O Brasil aparece ainda mais atrás com alta de 7,6%. O MSCI Chile é a exceção negativa, com queda de 1,9% no período.

Na avaliação do banco, o ambiente global ficou mais desafiador após o mercado revisar as expectativas para a política monetária dos Estados Unidos. As atas mais recentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) reforçaram uma postura mais cautelosa da autoridade monetária em relação à inflação, enquanto a alta do petróleo, impulsionada pelas tensões no Oriente Médio, elevou os riscos para o cenário inflacionário.

"Em nossa visão, essa dinâmica torna o cenário externo mais desafiador para os mercados emergentes", afirmam os estrategistas do banco.

O relatório destaca ainda que a volatilidade recente nas ações globais ligadas à inteligência artificial também reforçou um comportamento mais seletivo por parte dos investidores. "Isso sugere que a convicção no tema de inteligência artificial permanece intacta, mas o posicionamento se tornou mais equilibrado e os investidores estão cada vez mais seletivos", diz a equipe do Santander.

Além de liderarem os retornos em dólar, Peru e Colômbia também aparecem entre os mercados com melhormomentum, indicador utilizado pelo Santander para medir a força da tendência das bolsas. O Peru ocupa a primeira posição, com oito pontos, seguido por Argentina e Colômbia, ambos com sete pontos.

O Chile aparece com seis pontos. O Ibovespa por outro lado, possui um score de momentum de apenas 4 pontos.

Na análise de valuation, o banco observa que Colômbia e Peru também negociam com múltiplos inferiores aos de outros mercados latino-americanos. A bolsa colombiana apresenta um índice preço sobre lucro (P/L) de 8,22 vezes, enquanto o Peru negocia a 9,35 vezes. Chile e México exibem P/L de 12,49 vezes e 12,48 vezes, respectivamente.

O relatório também dedica uma análise específica ao mercado mexicano. Em moeda local, o índice Mexbol acumula alta de 3,7% em 2026, impulsionado pelos setores de materiais, que avançam 12,8%, e de serviços de comunicação, com alta de 11,4%. Na outra ponta, o setor de saúde registra queda de 14,8%.

Nos últimos 12 meses, investidores estrangeiros retiraram US$ 254 milhões da bolsa mexicana. Segundo o Santander, esse movimento foi compensado pela entrada de US$ 2,4 bilhões por meio de fundos mútuos locais.

Brasil ganha catalisador doméstico

Entre os mercados da região, o banco também destaca o Brasil, que ganhou um catalisador doméstico positivo após a divulgação de uma inflação abaixo das expectativas.

Segundo o relatório,a desaceleração do IPCA fortaleceu a percepção de que o Banco Central pode ganhar espaço para dar continuidade ao ciclo de flexibilização monetária, aumentando as expectativas de um novo corte da Selic na reunião de agosto.

Ainda assim, o Santander ressalta que riscos como a evolução dos preços do petróleo, possíveis impactos climáticos sobre os alimentos e as incertezas fiscais continuam limitando um ciclo mais prolongado de redução dos juros.

Além da análise macroeconômica, o banco revisitou sua estratégia para identificar empresas latino-americanas que podem gerar maior valor ao acionista por meio da disciplina de investimentos.

Segundo os estrategistas, o atual ambiente de juros elevados e maior seletividade dos investidores torna mais importante avaliar quais companhias conseguem transformar investimentos em crescimento, expansão de margens e geração de caixa.

"O conjunto deve ser interpretado como um mapa do ciclo de capital, e não simplesmente como uma lista de empresas com redução do capex, ajudando a identificar onde empresas latino-americanas podem estar entrando em uma fase mais favorável de disciplina de capital e alavancagem operacional", conclui o relatório.

AutorClara Assunção
FonteExame
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