Bolsas globais sobem e petróleo cai após trégua entre Irã e EUA

Os principais índices de ações ao redor do mundo abriram a semana em alta nesta segunda-feira, 27, enquanto os preços do petróleo recuavam com força depois que o Irã sinalizou disposição para suspender ataques contra alvos dos Estados Unidos, desde que Washington faça o mesmo.
O contrato futuro do Brent para outubro caía 6,77%, a US$ 85,47 o barril, e o West Texas Intermediate (WTI) para setembro cedia 6,91%, para US$ 83,14. A cotação da commodity havia superado os US$ 100 nos últimos pregões com a escalda do conflito no Oriente Médio.
Um alto funcionário iraniano afirmou à Reuters, no domingo, 26, que a postura do país segue sendo de resposta proporcional. "Mantém-se a lógica de 'ataque por ataque'. Se os ataques cessarem, o Irã também interromperá suas operações. Essa mensagem já foi transmitida aos EUA."
O embaixador dos Estados Unidos na Organização das Nações Unidas (ONU), Mike Waltz, disse à Fox News que o presidente Donald Trump optou por pausar os ataques para dar espaço às tentativas de negociação diplomática, segundo informações divulgadas pela CNBC.
Já fontes ouvidas pela imprensa internacional dizem que assessores de Trump haviam alertado sobre a escassez de alvos viáveis, e se preocupavam com o estoque de armas no país.
Ações em alta pelo mundo; dólar cai
As bolsas europeias e os futuros dos EUA passaram a operar em terreno positivo. O índice pan-europeu Stoxx 600 subia 0,81% por volta das 7h57 (horário de Brasília), no melhor nível desde 7 de julho, impulsionado por varejo e turismo. Já as petroleiras eram penalizadas com a baixa da commodity.
Os futuros do S&P 500 subiam 0,9% e os do Nasdaq saltavam 1,5%. Na Ásia, o índice MSCI de ações do Pacífico excluindo o Japão avançava 0,3%, e as blue chips chinesas do CSI 300, isto é, de maior peso, ganhavam 1,2%, em meio à estreia da fabricante de chips CXMT na bolsa de Xangai.
No câmbio, o euro subia 0,23%, para US$ 1,1395, e o dólar perdia força frente ao iene, caindo 0,2%, para 163,53. O recuo da moeda estadunidense acompanhou o corte de expectativas de uma alta de juros do banco central dos EUA, Federal Reserve (Fed), nesta semana.
Semana decisiva para bancos centrais
A queda do petróleo ajudou a aliviar as pressões da inflação na véspera de uma sequência de decisões monetárias e divulgações de resultados de empresas. O Fed anuncia uma decisão nos juros na quarta-feira, 29, e investidores já precificam hoje uma chance de cerca de um terço (1/3) de um aumento de juros.
Mas a maioria dos analistas duvida que o novo presidente do banco central, Kevin Warsh, opte por esse caminho. O analista sênior de câmbio do MUFG, Lee Hardman, avaliou que "um aumento das taxas de juros nesta semana enviaria um sinal contundente, logo no início de seu mandato, de que ele leva a sério o fortalecimento da credibilidade do Fed no combate à inflação."
"No entanto, não estamos convencidos de que ele queira respaldar seu discurso firme sobre a inflação com medidas concretas já nesta semana", acrescentou em fala repercutida pela Reuters.
O Banco da Inglaterra divulga sua decisão na quinta-feira, 30, e o Banco do Japão (BoJ), na sexta, 31, ambos com expectativa de manutenção dos juros, ainda que mantendo cautela em relação à inflação.
Temporada de balanços está no radar
A temporada de balanços também entra no radar, com cerca de 1/3 das empresas do S&P 500 divulgando resultados nesta semana, com lucros que devem crescer 26,5% na comparação com igual período do ano passado, conforme dados da LSEG IBES, repercutidos pela imprensa internacional.
Entre as gigantes de tecnologia que reportam estão Microsoft, Meta, Amazon, Apple e Qualcomm, além de companhias dos setores industrial, de defesa e de saúde.
O apetite dos investidores, porém, é testado pelo custo dos investimentos em inteligência artificial (IA). O Wall Street Journal informou que a Nvidia negocia fornecer um aporte de cerca de US$ 250 bilhões para sustentar um projeto de data center da OpenAI.
O recuo do petróleo também se refletiu nos títulos públicos e nos metais preciosos. O rendimento dos Treasuries de dez anos caiu 3,8 pontos-base, para 4,64%, movimento que ajudou o ouro, ativo que não paga juros, a subir 0,92%, para US$ 4.090,45 a onça.
