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28/10/2026
3 min

Bradesco (BBDC4): após frustração eleitoral, Itaú BBA corta ação; veja novo preço-alvo

O Bradesco (BBDC4), que era, até pouco tempo atrás, o favorito do Itaú BBA entre os bancões, perdeu o brilho aos olhos dos analistas. Em relatório divulgado mais cedo, o BBA cortou a recomendação da ação de compra para neutra e reduziu o preço-alvo de R$ 22 para R$ 20, em meio a uma deterioração […]

Bradesco (BBDC4): após frustração eleitoral, Itaú BBA corta ação; veja novo preço-alvo

O Bradesco (BBDC4), que era, até pouco tempo atrás, o favorito do Itaú BBA entre os bancões, perdeu o brilho aos olhos dos analistas.

Em relatório divulgado mais cedo, o BBA cortou a recomendação da ação de compra para neutra e reduziu o preço-alvo de R$ 22 para R$ 20, em meio a uma deterioração das perspectivas para a economia.

Segundo o BBA, o bancão terá mais dificuldade para atravessar o cenário que se desenha à frente, marcado por juros mais altos e menor crescimento econômico.

No terceiro trimestre, o Bradesco (BBDC4) já deu sinais de fadiga. O banco voltou a registrar aumento nas provisões para perdas e redução na cobertura da inadimplência.

“O ambiente macroeconômico previsto para 2027 aponta para atividade econômica e níveis de confiança mais fracos, o que provavelmente restringirá a demanda por crédito e/ou prejudicará a capacidade de pagamento dos tomadores de empréstimos”, destaca o relatório.

Ainda de acordo com o BBA, a expectativa de juros mais elevados também joga contra o banco, ajudando a desacelerar a recuperação do segmento de atacado e prolongando a pressão sobre os tomadores de crédito corporativo.

Além disso, a disparada do endividamento das famílias e os riscos de crédito entre pequenas empresas podem restringir ainda mais a demanda por crédito e deteriorar a capacidade de pagamento dos clientes.

Na avaliação do Itaú BBA, a saída passa por uma originação de crédito mais criteriosa, o que ajudaria a conter perdas futuras. “Mas esperamos que os benefícios surjam gradualmente, limitando o potencial para uma melhoria nos custos de crédito no curto prazo”, afirma o banco.

Receitas mais fracas

No crédito automotivo, por exemplo, o Bradesco viu sua receita crescer 27% na comparação anual e 6% em relação ao trimestre anterior no terceiro trimestre.

A administração do banco segue otimista em relação à qualidade da carteira, mas sustentar esse crescimento em uma economia mais fraca será um desafio.

Outro destaque foi o crédito corporativo para grandes empresas, que avançou 14,8% na comparação anual e 0,7% frente ao trimestre anterior.

Ainda assim, o Itaú BBA pondera que, embora uma maior participação do crédito corporativo possa sustentar volumes e spreads, juros mais altos tendem a limitar o crescimento futuro.

“Portanto, esperamos um crescimento mais lento da receita líquida de juros (NII) de clientes, de 6% em relação ao ano anterior em 2027, em comparação com os 12% estimados para 2026”, diz o relatório.

Colchão contra calotes

Outro ponto de preocupação é a inadimplência acima de 90 dias, que atingiu 4,6% no terceiro trimestre de 2026, alta de 30 pontos-base na comparação trimestral.

Preocupante? Para o Bradesco, o indicador foi impactado pelo aumento da participação de operações com garantias FGI/FGO e pela sazonalidade da carteira da John Deere.

O Itaú BBA, porém, alerta que atrasos nos pagamentos das garantias e na regularização dos empréstimos podem prolongar as pressões sobre a qualidade dos ativos.

Além disso, o momento de recuperação das margens ajustadas ao risco segue incerto.

Nas contas do BBA, o Bradesco encerrará 2027 com índice de inadimplência de 4,9% e custo de risco de 3,87%, ante estimativas anteriores de 4,2% e 3,33%, respectivamente. Com isso, as despesas com provisões para 2027 devem subir 16%, para R$ 47,1 bilhões.

O Itaú BBA também manteve praticamente inalterada sua projeção de lucro para 2026, em R$ 28 bilhões. Para 2027, contudo, a expectativa é de crescimento limitado, com lucro líquido de R$ 28,5 bilhões e retorno sobre o patrimônio (ROE) de 14,4%.

AutorRenan Dantas
FonteMoney Times
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