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Sacre Investimentos
EmpresasACS
21/10/2026
4 min

Bradesco (BBDC4) chega ao balanço com quase R$ 10 bilhões a mais no caixa, mas ainda precisa convencer que a virada veio para ficar

Para analistas, lucro, inadimplência e custo de risco disputarão a atenção do mercado em mais um trimestre de recuperação gradual

Bradesco (BBDC4) chega ao balanço com quase R$ 10 bilhões a mais no caixa, mas ainda precisa convencer que a virada veio para ficar

Step by step... by step... by step. A recuperação do Bradesco (BBDC4) vem sendo construída passo a passo, mas, a cada temporada de balanços, o banco precisa mostrar ao mercado que está avançando na direção certa. No terceiro trimestre de 2026 (3T26), o desafio continua sendo recuperar a rentabilidade sem perder de vista a inadimplência, que ainda ameaça limitar o ritmo dessa virada. 

O banco de Osasco (SP) divulga seus resultados nesta quinta-feira (22), e as projeções apontam para mais um trimestre de avanço gradual, sem grandes saltos.  

O consenso da Bloomberg prevê um lucro líquido ajustado de R$ 7,145 bilhões, alta de 15% em relação ao mesmo período do ano passado. 

Já o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) deve chegar a 15,9%, segundo previsões dos analistas, acima dos 14,7% registrados um ano antes, mas abaixo da rentabilidade de 16,2% do trimestre anterior. 

O que esperar do balanço do Bradesco no 3T26? 

As estimativas dos analistas mostram que a recuperação do Bradesco (BBDC4) segue em curso, mas ainda exige equilíbrio entre crescimento, rentabilidade e controle do risco.  

A XP Investimentos espera um trimestre sólido, com expansão saudável das receitas, embora a qualidade dos ativos deva continuar se deteriorando gradualmente. 

Outro fator a considerar é o aumento de capital de quase R$ 10 bilhões, que tende a pressionar temporariamente o ROE. Com uma base de capital maior, o banco precisa ampliar os resultados para que a rentabilidade acompanhe o crescimento do patrimônio. 

Em entrevista ao Seu Dinheiro em setembro, o diretor financeiro (CFO) do Bradesco, Cassiano Scarpelli, já havia alertado para esse efeito. 

O aporte de capital fortalece o banco e cria espaço para expandir os negócios, mas também aumenta a régua de cobrança sobre os resultados, já que os recursos precisam ser alocados de forma a gerar retornos superiores ao custo desse capital. Confira aqui a entrevista completa. 

Já o Itaú BBA adota uma leitura mais cautelosa sobre a operação bancária do Bradesco. Os analistas esperam que o crescimento da carteira de crédito desacelere para cerca de 10% em 12 meses, enquanto a margem financeira deve enfrentar pressão de uma composição menos favorável dos empréstimos. 

A estratégia de priorizar linhas com garantias deve ajudar a conter o risco, mas também impõe limites ao ritmo de expansão.  

A expectativa é de crescimento concentrado em empresas e modalidades com maior proteção, como empréstimos para pequenas e médias empresas (PMEs) apoiados pelos programas FGO (Fundo Garantidor de Operações) e FGI (Fundo Garantidor para Investimentos). 

O crédito imobiliário também deve contribuir positivamente, enquanto o financiamento de veículos tende a crescer mais devagar e os cartões devem perder ritmo em diferentes segmentos. 

Para os analistas, o custo de risco deve permanecer relativamente estável no trimestre, com a piora de algumas carteiras compensada pela migração gradual para linhas mais garantidas e de menor risco. 

O Citi também vê fontes de receita capazes de amortecer parte das pressões. Tarifas e operações de mercado devem contribuir para o resultado, mas não eliminam as preocupações com a qualidade dos ativos. 

Os analistas esperam aumento da inadimplência em linhas de crédito emergencial, no banco John Deere, nos cartões voltados a clientes de menor renda e no agronegócio. Nesse cenário, o custo de risco deve ficar em torno de 3,6%. 

“Embora o crescimento do lucro na comparação trimestral siga sendo nosso cenário-base, o 3T26 parece ser um trimestre mais desafiador”, avalia o Citi. 

Seguros ajudam a sustentar a recuperação 

Na avaliação do Goldman Sachs, a operação de seguros deve continuar sendo um dos destaques neste trimestre.  

A expectativa é que o desempenho da Bradesco Seguros ajude a compensar resultados bancários mais fracos e sustente o crescimento do lucro em relação ao trimestre anterior. 

“Seguros, receitas de tarifas e disciplina de despesas devem ajudar a compensar esses ventos contrários, sustentando um resultado final amplamente estável. O capital permanece um fator relativamente positivo após a reorganização da Bradsaúde e o aumento de capital realizado em outubro”, avalia o Safra. 

Além da subsidiária integral de seguros, que tinha valor contábil de R$ 12,4 bilhões ao fim do quarto trimestre de 2025, o grupo Bradesco detém participação na Bradsaúde (SAUD3), companhia listada em bolsa e avaliada pelo mercado em cerca de R$ 7,7 bilhões. 

AutorCamille Lima
FonteSeu Dinheiro
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