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16/07/2026
5 min

Bradesco (BBDC4), Itaú (ITUB4) ou Santander (SANB11): XP aponta apenas um ganhador no 2T26

Bradesco (BBDC4), Itaú (ITUB4) ou Santander (SANB11): XP aponta apenas um ganhador no 2T26

Contagem regressiva para o começo de mais uma temporada de resultados dos bancões. No dia 29 de julho, o Santander Brasil (SANB11) dá o pontapé inicial, seguido pelo Itaú Unibanco (ITUB4), no dia 4, e pelo Bradesco(BBDC4), no dia 5.

Em relatório, a XP elegeu um único vencedor: o Bradesco. Para os analistas, o bancão entregará forte crescimento das receitas, expansão dos empréstimos com garantia e boa qualidade dos ativos, mesmo em um momento desfavorável da economia.

Não que o Itaú vá apresentar um resultado ruim. Mas os números também devem ficar longe de surpreender. Já o Santander encontrará mais obstáculos pela frente. O banco vem sentindo piora na inadimplência e apresenta qualidade de ativos inferior à dos concorrentes privados.

A expectativa de ver o ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) ultrapassar os 20% também parece distante. O trimestre marcará ainda o primeiro sem Mário Leão, que renunciou ao cargo de CEO do banco espanhol. Gilson Finkelsztain, ex-presidente da B3(B3SA3), assumirá a posição.

Veja os destaques abaixo.

Bradesco, o grande campeão

O Bradesco, que vem fazendo a lição de casa há alguns trimestres, com uma limpeza na carteira para retirar os ativos menos rentáveis do caminho, deverá ser, mais uma vez, premiado.

Segundo os analistas, haverá forte crescimento das receitas, enquanto a qualidade dos ativos permanecerá administrável, apesar de alguns pontos de pressão.

A expansão será concentrada, principalmente, em empréstimos para pequenas e médias empresas, apoiados por instituições financeiras estrangeiras, financiamento de veículos e antecipação de recebíveis.

Por outro lado, o Bradesco deverá manter a cautela em meio a uma economia ainda frágil, reduzindo a exposição ao crédito ao consumidor sem garantia e aos empréstimos para empresas.

O banco também deverá ampliar as receitas com tarifas, impulsionado pelo desempenho da operação de seguros — uma das joias da instituição —, que segue em linha com as projeções.

A XP afirma ainda que, apesar de uma base de comparação mais difícil, a inflação deverá ajudar, impulsionando a atividade dos mercados de capitais de dívida (DCM, Debt Capital Markets), dos consórcios, dos investidores de alta renda e dos gastos com cartões.

Já a inadimplência da carteira de crédito e o custo de crédito deverão permanecer estáveis. As despesas operacionais também devem seguir sob controle, em linha com o plano de eficiência.

Os analistas projetam lucro de R$ 6,9 bilhões para o Bradesco, alta de 15%, e ROE de 15,8%, avanço de 1,3 ponto percentual.

Itaú, mais do mesmo

O Itaú deverá entregar um conjunto de resultados resiliente, segundo a XP. Os analistas esperam crescimento da carteira de crédito, ainda impulsionado pelas pequenas e médias empresas (PMEs) e pela expansão contínua do crédito consignado privado, conhecido como crédito do trabalhador.

Por outro lado, a demanda das grandes empresas deve permanecer fraca, assim como a oferta de crédito.

Em relação às receitas, a XP espera que a receita líquida de juros (NII, Net Interest Income) permaneça praticamente em linha com as projeções, já que os spreads dos clientes devem crescer juntamente com a receita financeira.

A qualidade dos ativos também deverá permanecer sob controle, embora a XP veja alguma pressão em carteiras específicas, especialmente PMEs, crédito consignado privado e financiamento de veículos. Ao mesmo tempo, as provisões para grandes empresas devem continuar elevadas em um ambiente de juros altos.

“Na nossa opinião, o principal tema do trimestre deverá ser a queda nas receitas de comissões, refletindo a fragilidade da atividade nos mercados de capitais, menores taxas de desempenho e crescimento limitado das receitas de serviços.”

Mesmo assim, a XP vê o Itaú como uma fortaleza de lucro. Os efeitos da economia fraca devem ser, em grande parte, compensados pelo rigoroso controle de custos, com as despesas operacionais mantendo trajetória de queda.

A corretora projeta lucro de R$ 12,3 bilhões para o Itaú, alta de 7,7%, com ROE de 24,3%, avanço de 0,9 ponto percentual.

Santander, sinal amarelo

Já o Santander deverá apresentar números mais moderados. A carteira de crédito deve crescer entre 4% e 5% na comparação anual, em linha com as tendências observadas no primeiro trimestre.

A expansão deverá continuar sendo puxada pelos segmentos de maior renda, incluindo crédito imobiliário, cartões de crédito e financiamento de veículos, enquanto o crédito consignado permanece restrito.

“A fraca originação do INSS e os empréstimos consignados privados parecem insuficientes para compensar esse impacto negativo”, destaca a XP.

Para a corretora, as tendências da qualidade dos ativos devem continuar sob pressão.

Embora a inadimplência em estágio inicial tenha sido beneficiada por fatores sazonais, o volume de provisões deve aumentar na comparação trimestral devido às novas regras de baixa contábil, que afetam cartões de crédito e PMEs, além de alguma pressão adicional no segmento de atacado.

Com isso, o custo do risco deverá ser o principal obstáculo para o banco neste trimestre.

Do lado positivo, os analistas afirmam que as receitas com seguros e consórcios devem permanecer resilientes, compensando parcialmente a pressão sobre outras linhas de receita.

Já a retomada da atividade nos mercados de capitais, aliada à disciplina de custos e a uma alíquota de imposto ligeiramente menor, deverá oferecer suporte adicional.

A corretora projeta lucro de R$ 3,3 bilhões para o Itaú, alta de queda de 7,7%, com ROE de 14%, recuo de 2,4 pontos percentuais.

AutorRenan Dantas
FonteMoney Times
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