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InvestMercadosACS
06/08/2026
4 min

Bradesco espera mais cortes de juros, mas mantém apetite por 'crédito arriscado' menor

O CEO do banco, Marcelo Noronha, o BC optou por uma comunicação mais conservadora, mas isso não impede que o ciclo de cortes continue

Bradesco espera mais cortes de juros, mas mantém apetite por 'crédito arriscado' menor

Apesar de o mercado ter interpretado o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) como cauteloso e sem qualquer indicação sobre os próximos passos da política monetária, o CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, afirmou nesta quinta-feira, 6, que espera novas reduções da taxa Selic já nas próximas reuniões do Banco Central.

A avaliação foi feita durante a coletiva de resultados do 2° trimestre de 2026, um dia após o BC reduzir a taxa básica de juros de 14,25% para 14% ao ano. Para Noronha, a política monetária já produziu os efeitos esperados sobre a inflação e, por isso, há espaço para a continuidade do ciclo de afrouxamento monetário.

"Eu acredito que vamos ver novas quedas de taxa de juros. A taxa de juro real está muito alta no Brasil. Acho que a política monetária já fez o efeito desejado, ela jogou a inflação para baixo e é isso que a gente está vendo nos núcleos de inflação", afirmou.

Na visão do executivo, o Banco Central optou por uma comunicação mais conservadora, mas isso não impede que o ciclo de cortes continue.

"Eu não vejo por que o Copom não reduzir. Em que magnitude, em que velocidade, vamos acompanhar, mas eles estão sendo conservadores, eu acho, até na comunicação. Acredito que vamos ver essa taxa de juros continuar a cair. Essa é a minha expectativa pessoal. Eu sei que não é consenso de mercado, mas aqui a nossa área de economia também tende a concordar com isso", disse.

Noronha afirmou ainda que a expectativa do banco é de um novo corte já na próxima reunião do Copom, possivelmente mantendo o ritmo de 0,25 ponto percentual. "Já na próxima, talvez nesse ritmo de 25 bips. Acreditamos nisso pelos núcleos de inflação que estão acontecendo no Brasil".

Copom mantém cautela e evita indicar próximos passos, avaliam economistas

A leitura contrasta com a interpretação predominante entre economistas após a decisão desta quarta-feira. Embora o Copom tenha promovido a quarta redução consecutiva da Selic neste ano, o comunicado evitou qualquer sinalização sobre os próximos movimentos da política monetária.

No texto, o Banco Central afirmou que a decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para a meta, mas destacou que o cenário ainda exige "serenidade e cautela" diante do aumento das incertezas e da desancoragem das expectativas. O comitê limitou-se a dizer que seguirá acompanhando a evolução do cenário para manter o grau adequado de restrição monetária, sem indicar se novos cortes deverão ocorrer.

Na avaliação de economistas ouvidos pela EXAME após a decisão, o comunicado manteve o tom cauteloso das reuniões anteriores e reforçouo compromisso com o controle da inflação, sem oferecer pistas sobre a trajetória dos juros nos próximos encontros.

Juros altos pressionam crédito

Segundo Noronha, a manutenção dos juros em níveis elevados por um período prolongado acaba deteriorando a qualidade do mercado de crédito ao pressionar empresas e famílias.

"Quando você olha para uma taxa de juro muito alta por um longo tempo, você machuca aquelas empresas que têm margem e Ebida comprimidos. Então não é positivo para o mercado de crédito. E o comprometimento de renda da pessoa física também cresceu. Obviamente o mercado todo está mais restritivo em relação a isso".

Diante desse cenário, o Bradesco afirmou que seguirá priorizando modalidades de crédito com garantias e manterá uma postura mais seletiva nas linhas de maior risco.

Noronha também disse que o banco reduziu a exposição ao crédito pessoal tradicional e mantém um apetite limitado para expandir a carteira de cartões de crédito, principalmente entre clientes de menor renda. "O nosso apetite é crescer em linhas colateralizadas. No cartão de crédito, estamos muito focados em rendas mais altas. Trabalhamos com rendas menores, mas com um apetite a risco bem moderado."

As declarações foram feitas após o Bradesco divulgar lucro líquido recorrente de R$ 7,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 16,2% em relação ao mesmo período do ano passado e o décimo trimestre consecutivo de crescimento do indicador.

Apesar da melhora da rentabilidade, o banco registrou leve avanço da inadimplência para 4,3% e aumento das despesas com provisões para perdas com crédito, refletindo, segundo a instituição, um ambiente ainda desafiador para famílias e empresas.

AutorClara Assunção
FonteExame
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