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InvestMercadosACS
23/10/2026
4 min

Bradesco lucraria até R$ 500 milhões a mais com juros abaixo de 10%, diz Noronha

Marcelo Noronha vê espaço para juros menores só em 2028, se houver ajuste fiscal

Bradesco lucraria até R$ 500 milhões a mais com juros abaixo de 10%, diz Noronha
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O banco Bradesco (BBDC4) poderia ter registrado lucro entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões maior no terceiro trimestre de 2026 se os juros estivessem abaixo de 10%, afirmou o CEO Marcelo Noronha nesta sexta-feira, 23. A instituição reportou lucro líquido recorrente de R$ 7,1 bilhões, alta anual de 14,6%, enquanto provisões e inadimplência avançaram.

O Bradesco (BBDC4) poderia ter registrado um lucro até R$ 500 milhões maior no terceiro trimestre de 2026 se os juros estivessem abaixo de 10%, afirmou Marcelo Noronha, presidente-executivo do banco, em entrevista coletiva nesta sexta-feira, 23. Segundo o executivo, o cenário econômico mais desafiador, marcado pelo comprometimento da renda das famílias e pelo custo elevado do crédito, limita o ritmo de expansão da instituição financeira.

“Se tivéssemos vento de popa, com uma economia crescendo mais e juros abaixo de 10%, poderíamos ampliar a carteira de crédito em 20% e entregar um lucro R$ 400 milhões a R$ 500 milhões maior. Isso porque teríamos crescido mais na receita. Mas essas condições estão fora do nosso controle”, disse Noronha.

A declaração ocorre um dia depois de o Bradesco divulgar lucro líquido recorrente de R$ 7,1 bilhões no terceiro trimestre, alta de 14,6% em relação ao mesmo período de 2025. Apesar do avanço do resultado, o banco enfrenta pressão crescente das provisões para perdas com crédito, que alcançaram R$ 10,6 bilhões entre julho e setembro, aumento de 24,3% em um ano.

Oíndice de inadimplência acima de 90 dias subiu para 4,6%, ante 4,3% no trimestre anterior e 4,1% um ano antes. A piora reforçou a preocupação com a capacidade de o banco sustentar a recuperação dos resultados em um ambiente de juros elevados e desaceleração econômica.

“Quando a economia joga contra, não tem jeito, faz parte do jogo. Em um cenário de maior comprometimento da renda das famílias e de endividamento das empresas, com juros elevados, precisamos ter mais cautela e avançar mais devagar”, afirmou Noronha.

'Inflação é o pior encargo para a população'

Noronha afirmou que umeventual ajuste da política fiscal poderia abrir espaço para juros menores nos próximos anos, criando um ambiente mais favorável para o crédito e os investimentos. O presidente do Bradesco, porém, evitou fazer projeções para 2027 e citou 2028 como um horizonte possível para uma melhora das condições macroeconômicas.

“Se tivermos no ano de 2028 uma política fiscal bem ajustada, é natural que essa taxa de juro vá convergindo para um patamar muito menor”, disse.

Na avaliação do CEO, juros menores e inflação controlada ajudariam a aliviar a pressão sobre empresas e consumidores, mas o efeito não seria imediato.

“(...) Não é possível reduzir da noite para o dia o comprometimento da renda das famílias com dívidas. O pior imposto, o pior encargo para a população, é a inflação. Se ela estiver sob controle e os juros forem mais baixos, teremos um cenário muito melhor, que não pressione empresas de pequeno, médio e grande porte. Esse seria um cenário de vento de popa, favorável à ampliação dos investimentos, inclusive em infraestrutura. São projetos de longo prazo, que não suportam um custo financeiro muito elevado”, afirmou.

Desenrola 3 ainda não é prioridade para o banco

O Bradesco avalia o programa Desenrola 3, voltado à renegociação de dívidas, mas ainda não considera prioritário ampliar sua participação na iniciativa. Noronha afirmou que a equipe analisa a proposta, vê outras alternativas de atuação no mercado e não tem vendido carteiros de crédito como parte da estratégia atual.

“Até agora, a equipe não deu mérito para ter um engajamento alto nisso aqui. Então, ele não é a prioridade da gente”, disse o executivo.

A terceira versão do Desenrola prevê a compra de dívidas pelo governo. Nesta semana, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, estimou em R$ 90 bilhões o volume de dívidas antigas que podem ser ofertadas no edital do programa, que abre o processo de habilitação de bancos e fundos interessados em vender carteiras de crédito à União.

AutorClara Assunção
FonteExame
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