Bradesco vai emitir novas ações: o que acontece com quem já é acionista?
Banco vai emitir até R$ 10 bilhões em novas ações via subscrição privada; entenda o que muda para quem já tem o papel na carteira

As ações do Bradesco chegaram a cair 3% na sessão de hoje e mesmo com o Ibovespa ganhando fôlego, seguem em terreno negativo. Por volta das 14h (horário de Brasília), o papel BBDC4 caía 0,44%, a R$ 18,27. Ontem, após o fechamento do mercado. banco comunicou um aumento de capital de até R$ 10 bilhões por meio de subscrição particular de novas ações.
O banco afirmou, em comunicado, que o objetivo da emissão é levantar recursos para reforçar o ritmo de investimentos estratégicos, prevendo aportes relevantes em tecnologia.
O Bradesco vai emitir até 302.876.396 novas ações ordinárias e até 301.976.357 preferenciais, ao preço de emissão de R$ 15,43 por ON e R$ 17,64 por PN. Como é uma subscrição particular, apenas quem já é acionista pode participar. O direito de preferência poderá ser exercido de 6 de agosto a 4 de setembro, e os papéis passam a ser negociados sem direito à subscrição a partir do dia 5.
O que muda para quem já tem a ação
No aumento de capital, a empresa emite ações novas para captar dinheiro novo, que entra no caixa sem prazo de devolução nem pagamento de juros.
Para o acionista que acompanha a operação de forma integral, a participação não muda. O problema é para quem não acompanha.
Com mais ações em circulação, indicadores como lucro e dividendo por ação passam a ser calculados sobre uma base ampliada para quem fica de fora. No caso do Bradesco, O BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME) estima diluição máxima de aproximadamente 3,4% para quem não participar.
O efeito da âncora de preço também tende a impactar o valor do papel. As novas ações saem com desconto de 6% sobre o fechamento de 28 de julho, e a cotação em bolsa tende a se aproximar desse preço de emissão, funcionando como um teto que puxa o papel para baixo no curto prazo.
A leitura do BTG: reação inicial mista, mas movimento necessário
O BTG, que mantém recomendação neutra e preço-alvo de R$ 22, admitiu ter sido surpreendido pelo anúncio. A corretora reconhece que a leitura inicial pode ser mista: o fato de o banco levantar capital sugere que ele provavelmente precisava, algo que estava longe do consenso.
Ainda assim, a avaliação é construtiva. Para o BTG, a geração de capital tangível é pré-requisito para uma visão mais positiva sobre o case do Bradesco, e o movimento sinaliza uma administração mais pragmática ao enfrentar desafios estruturais. A corretora estima que o patrimônio tangível do banco (que exclui despesas antecipadas, créditos tributários líquidos e intangíveis) estava em cerca de R$ 28 bilhões, ou 16% do patrimônio contábil de R$ 173,5 bilhões, e deve melhorar de forma relevante com o aporte.
A corretora faz ainda um paralelo histórico. Diferentemente do aumento de capital anunciado no fim de 2015 e cancelado no início de 2016 em meio à volatilidade de mercado, desta vez a operação deve ser concluída. A diferença agora é o compromisso firme dos controladores de subscrever até R$ 8 bilhões em ações.
