Bradsaúde (BRDS3) vence teste da sinistralidade e mercado comemora; Atlântica vira destaque
A Bradsaúde (SAUD3) entrou em campo no terceiro trimestre com uma missão clara: controlar a sinistralidade. E, apesar da alta de 0,5 ponto percentual no indicador, o mercado parece ter relevado o movimento. Isso porque a operadora de saúde ligada ao Bradesco conseguiu compensar a piora com outras cartas na manga, entre elas menores despesas […]

A Bradsaúde(SAUD3) entrou em campo no terceiro trimestre com uma missão clara: controlar a sinistralidade. E, apesar da alta de 0,5 ponto percentual no indicador, o mercado parece ter relevado o movimento.
Isso porque a operadora de saúde ligada ao Bradesco conseguiu compensar a piora com outras cartas na manga, entre elas menores despesas operacionais e melhores resultados em suas investidas.
Na bolsa, os investidores reagiram positivamente. Por volta das 11h30, as ações avançavam 3,63%, a R$ 15,98.
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Adições líquidas de vidas | 117 mil novas vidas em Saúde e Dental no 3T26 |
| Base de beneficiários | 13,7 milhões de beneficiários |
| Lucro líquido do 3T26 | R$ 1,1 bilhão, alta de 14,4% |
| Lucro líquido em 12 meses | R$ 4,3 bilhões |
| Ativos financeiros | R$ 30,8 bilhões |
| ROAE anualizado | 25,4% |
Atlântica brilha
Uma das joias do resultado foi o Grupo Atlântica.
O lucro líquido acumulado nos últimos 12 meses alcançou R$ 139 milhões, ante apenas R$ 4 milhões registrados no mesmo período do ano passado, refletindo a maturação dos ativos e a evolução operacional da companhia.
“Isso demonstra a maturidade dos ativos que já estavam em operação, ganhando escala e eficiência ao longo do tempo, bem como a maturação dos novos ativos nos quais temos investido e que estamos desenvolvendo”, afirmou a administração.
Sinistralidade sob controle
Um dos fatores que pressionaram as ações da companhia no trimestre anterior foi justamente a sinistralidade. Agora, mesmo com o avanço de 84% para 84,5%, o mercado enxergou o resultado com relativa tranquilidade.
Na avaliação de analistas, o indicador poderia ter vindo pior.
Atualmente, a operadora tem concentrado esforços no segmento de pequenas e médias empresas (PMEs). O desafio é crescer sem abrir mão da disciplina de subscrição, processo utilizado para avaliar o risco dos clientes antes da contratação dos planos.
Segundo o CEO Carlos Marinelli, a estratégia passa pelo lançamento de novos produtos e pela manutenção da qualidade da carteira.
“Fizemos uma série de lançamentos que nos permitiram combinar disciplina de crescimento com aquilo que temos chamado de relativa estabilidade da sinistralidade ao longo de 2026”, disse.
O executivo destacou ainda que a sinistralidade acumulada nos nove meses do ano avançou apenas 0,2 ponto percentual.
“Quando falamos de relativa estabilidade em 2026, estamos comparando com o ano mais eficiente da história da Bradesco Saúde em termos de sinistralidade.”
Marinelli também ressaltou o crescimento da base de beneficiários.
“Fazer todos esses movimentos enquanto crescemos de forma significativa, saindo de cerca de 3,7 milhões para mais de 4,1 milhões de vidas, não é algo simples.”
Na Odontoprev, por sua vez, a sinistralidade permanece abaixo de 40%, patamar considerado bastante saudável pela companhia.
“Temos conseguido fazer isso mesmo diante de um ano marcado por forte crescimento do número de vidas”, afirmou.
E uma Selic menor?
Questionado sobre os impactos de uma eventual queda da Selic, o diretor financeiro Vinicius Cruz minimizou o efeito sobre os resultados da companhia.
Segundo ele, o resultado financeiro representa menos de um terço do resultado operacional da empresa.
Nos últimos meses, parte do mercado passou a precificar um cenário de juros mais baixos adiante, o que poderia reduzir o retorno da carteira financeira da companhia.
“Por isso, o crescimento do faturamento e a gestão dos sinistros continuam sendo os fatores mais relevantes para nossos resultados, respondendo por mais de dois terços do desempenho operacional”, afirmou.
Hoje, mais de 50% da carteira está indexada à inflação, fator que também contribuiu para o desempenho financeiro do terceiro trimestre.
“Embora a taxa de juros tenha algum impacto sobre o resultado financeiro, esse efeito é relativamente pequeno no contexto do resultado operacional da Bradesco Saúde.”
Equilibrando os “pratinhos”
Enquanto amplia investimentos em hospitais e ativos assistenciais, a Bradsaúde também surge cada vez mais como uma potencial pagadora de dividendos.
Junto com o balanço, a companhia anunciou R$ 1 bilhão em dividendos. A questão levantada pelos analistas foi como conciliar remuneração aos acionistas e expansão dos negócios.
Para Cruz, a resposta está no equilíbrio.
“É exatamente isso que fazemos. Acabei de dar uma resposta em que falei dos vários pratinhos que estamos equilibrando.”
O executivo lembrou que as operações de saúde e odontologia são reguladas e precisam manter reservas e níveis adequados de capital para garantir a sustentabilidade do negócio.
“Isso nos permite gerar recursos para remunerar os acionistas e, ao mesmo tempo, realizar os investimentos que sustentarão os próximos ciclos de crescimento, como na Atlântica Hospitais e Participações.”
A companhia também destacou a criação de uma nova área dedicada exclusivamente à performance assistencial da rede credenciada, liderada por um médico e focada na melhoria da qualidade do atendimento aos beneficiários.
“A sinistralidade precisa ter um primeiro interessado, que é o beneficiário”, afirmou a administração.
Do lado do investidor, a empresa reiterou o compromisso com sua política de remuneração, que prevê a distribuição mínima de 50% do lucro anual.
Segundo os executivos, a prioridade continua sendo o pagamento de juros sobre capital próprio (JCP), que já somam cerca de R$ 500 milhões nos eventos anunciados até agora.
O que o mercado achou?
De forma geral, os analistas elogiaram os números.
Para o BTG Pactual, a Bradsaúde entregou um resultado acima das expectativas, diferentemente do que havia ocorrido no segundo trimestre.
O banco avalia que os números devem levar a revisões positivas nas projeções do mercado, principalmente porque a sinistralidade permaneceu praticamente estável no acumulado do ano.
O Itaú BBA seguiu a mesma linha. Segundo o banco, o lucro líquido acumulado nos primeiros nove meses de 2026 já alcançou R$ 3,5 bilhões, enquanto o consenso de mercado aponta para R$ 4,5 bilhões no fechamento do ano.
“O quarto trimestre costuma ser o melhor período para as operadoras de saúde. Isso, aliado a comparações mais fáceis, pode contribuir para resultados ainda mais fortes e revisões para cima das estimativas”, disseram os analistas.
O BTG, contudo, ressalta que um cenário de juros mais baixos pode pressionar parte dos lucros futuros, dada a relevante posição de caixa da companhia.
“Mas acreditamos que o desempenho operacional melhor do que o esperado oferece proteção contra possíveis revisões negativas.”
Já o Safra destacou que a sinistralidade ficou bem abaixo do esperado, sustentando a rentabilidade da subscrição, mesmo com crescimento de apólices e ticket médio abaixo das projeções.
Além disso, a contribuição maior da Atlântica, a redução das despesas operacionais e os benefícios fiscais do JCP ajudaram a impulsionar os resultados.
O Itaú BBA lembra ainda que a sinistralidade avançou apenas 50 pontos-base na comparação anual, bem abaixo dos 170 pontos-base projetados pelo banco.
“Como resultado, os resultados de subscrição superaram nossas estimativas em 10%. Enquanto isso, um resultado financeiro mais fraco foi amplamente compensado por despesas operacionais menores do que o previsto.”
