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Sacre Investimentos
InvestMercadosACS
04/08/2026
4 min

Bradsaúde vê disputa por alta renda crescer, mas diz 'não abrir mão da rentabilidade'

CEO afirma que empresa não disputará contratos sem retorno financeiro, mesmo com avanço de Hapvida, Amil e outros rivais no segmento premium

Bradsaúde vê disputa por alta renda crescer, mas diz 'não abrir mão da rentabilidade'

A concorrência pelos clientes de alta renda voltou a ganhar força no mercado de saúde suplementar, mas a Bradsaúde (SAUD3) afirma que pretende responder ao avanço dos rivais sem abrir mão da rentabilidade.

Após divulgar nesta segunda-feira, 3, os resultados financeiros do 2° trimestre de 2026, seu primeiro balanço trimestral completo desde a reorganização societária queresultou na criação da companhia, no início do ano, o CEO Carlos Marinelli afirmou que a empresa vê a intensificação da disputa pelo segmento premium como um movimento natural, mas reforçou que seguirá priorizando contratos considerados sustentáveis, em vez de buscar crescimento a qualquer custo.

"Nós vemos um mercado bastante competitivo. Ao longo dos mais de 40 anos que estamos no setor, nossa estratégia sempre foi ter um produto completo e diferenciado. Isso significou, muitas vezes, termos liderança no segmento de mais alta renda, nos produtos chamados premium", afirmou Marinelli durante coletiva realizada nesta terça-feira, 4.

Segundo o executivo, justamente por ocupar essa posição de liderança, é esperado que novos concorrentes passem a disputar esse mercado.

"Quando você tem essa liderança e um produto muito desejado, um produto de desejo dos beneficiários de planos de saúde, você acaba tendo uma competição maior. Ainda mais agora que somos uma empresa de capital aberto e divulgamos todos os nossos números. A concorrência vai tentar ganhar participação nesse segmento e a competitividade vai aumentar. Isso faz parte de um mercado aberto e competitivo", disse.

Marinelli afirmou que a companhia pretende responder à maior concorrência aprimorando seus produtos e acompanhando os movimentos dos rivais, sem deixar de lado sua estratégia de longo prazo.

"Vamos competir com o nosso produto, continuar desenvolvendo novas técnicas, melhorando o que já temos, mas também olhando para a concorrência e entendendo se alguns elementos podem nos fazer repensar posicionamentos. A competição é positiva, ela é boa e tem se intensificado", afirmou.

Apesar disso, o CEO destacou que a Bradsaúde não pretende entrar em disputas por grandes contratos corporativos caso considere que os preços comprometam a rentabilidade futura.

"Nós temos uma disciplina de subscrição muito grande. Às vezes, buscar determinadas carteiras em número de vidas não faz sentido em termos de rentabilidade. Não vamos abrir mão disso. Preferimos deixar um contrato quando entendemos que ele não é sustentável para o futuro e esperar que a racionalidade de preços volte para a mesa", afirmou.

Segundo Marinelli, essa estratégia explica a capacidade da companhia de manter carteiras por longos períodos. "Temos recorrência não apenas para capturar novas carteiras, mas também para mantê-las durante muito tempo".

Planos de saúde disputam clientes de alta renda

A avaliação ocorre em um momento em que a competição pelo público de maior renda voltou a se intensificar.

Na semana passada, a Hapvida (HAPV3) anunciou a criação da NotreDame Saúde,unidade dedicada exclusivamente aos clientes premium. A nova estrutura passa a concentrar toda a estratégia da companhia para esse público, com planos apoiados em rede credenciada, atendimento exclusivo, aplicativo próprio, concierge e acesso a hospitais como Albert Einstein, Sírio-Libanês e HCor.

A iniciativa marca uma nova ofensiva da Hapvida justamente em um segmento no qual a companhia perdeu participação nos últimos anos. Segundo a empresa, cerca de 350 mil beneficiários — aproximadamente 5% da base de clientes — pertencem atualmente à carteira premium, considerada relevante para a geração de lucro por reunir tíquetes médios mais elevados.

Além da Hapvida, a Amil também reforçou recentemente sua atuação no segmento com o relançamento do Amil Black, plano voltado ao público de alta renda que oferece concierge, reembolsos ampliados, cobertura médica internacional e serviços diferenciados.

Na visão da Bradsaúde, porém, a resposta à maior concorrência passa menos por uma disputa por volume e mais pela preservação da qualidade da carteira.

A companhia registrou lucro líquido de R$ 1,11 bilhão entre abril e junho, alta de 24,9% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto a receita líquida avançou 10,8%, para R$ 13,9 bilhões. A rentabilidade também permaneceu elevada, com retorno sobre patrimônio líquido médio (ROAE) de 25,8% em 12 meses.

Embora o balanço não apresente uma receita específica para os planos premium, a companhia vem reforçando sua presença nesse mercado por meio da expansão da Atlântica Hospitais, braço hospitalar voltado a serviços de alta complexidade e infraestrutura de padrão elevado.

No trimestre, a operação registrou lucro líquido de R$ 64 milhões, mais de quatro vezes superior ao registrado um ano antes, além de anunciar novos projetos voltados a regiões de maior poder aquisitivo e parcerias com hospitais de referência.

AutorClara Assunção
FonteExame
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