Brasil é a melhor escolha na América Latina: BTG zera posição em Argentina e aposta em oito ações brasileiras
Expectativa de juros menores no futuro faz banco recomendar uma alocação acima da média do mercado em ações brasileiras

O BTG Pactual decidiu que a melhor aposta da América Latina voltou a ser o Brasil. Em sua atualização mais recente de alocação para a região, o banco elevou o mercado brasileiro para "overweight", recomendação que indica uma exposição acima da média ao país.
Em paralelo, os analistas retiraram da carteira a posição em Argentina.
A mudança reflete uma visão cada vez mais positiva sobre o cenário doméstico, baseada na expectativa de queda do prêmio de risco e do custo de capital da economia brasileira.
Essa tese tem como base a possível troca de governo no país. O candidato Flávio Bolsonaro (PL), visto como mais favorável a reformas fiscais e políticas, é favorito a vencer o pleito presidencial em 25 de outubro.
Os estrategistas do BTG afirmam que a melhora das perspectivas fiscais diante dessa possibilidade já está provocando uma redução relevante das projeções de juros reais de longo prazo.
As taxas recuaram entre 1 e 1,25 ponto percentual (p.p.) desde o início do mês, quando Flávio terminou o primeiro turno à frente do candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Se esse movimento continuar, o banco acredita que as empresas mais sensíveis aos juros podem ser algumas das maiores beneficiárias da próxima fase do mercado.
"Todas as alterações realizadas no portfólio têm como objetivo aumentar o retorno da carteira em antecipação a uma potencial redução do custo de capital no Brasil", afirmam os estrategistas.
As ações do Brasil
O Brasil passou a ocupar um espaço ainda maior dentro da seleção latino-americana do BTG. Das 16 ações escolhidas para compor a carteira da região, oito são brasileiras.
| Empresa | Ticker | Peso na carteira |
|---|---|---|
| Sabesp | SBSP3 | 10% |
| XP Inc. | XPBR31 | 10% |
| Petrobras | PETR4 | 10% |
| Equatorial | EQTL3 | 10% |
| Itaú Unibanco | ITUB4 | 7,5% |
| Motiva | MOTV3 | 7,5% |
| Eneva | ENEV3 | 7,5% |
| Assaí | ASAI3 | 2,5% |
No total, os papéis brasileiros representam mais de 60% da carteira recomendada para a América Latina do BTG, refletindo a avaliação de que o Brasil se tornou a principal aposta da região.
E as apostas internacionais?
Além das ações brasileiras, o BTG manteve exposição a outros mercados da América Latina, mas em proporção menor.
O banco segue com posição acima da média em Peru e Chile, mantém uma visão neutra para Colômbia e retirou toda exposição à Argentina.
Já o México continua sendo o país menos preferido pelos estrategistas da casa, mas devido ao tamanho relativo na América Latina, o banco tem a maior posição depois do Brasil.
| Empresa | País | Peso na carteira |
|---|---|---|
| Femsa | México | 7% |
| Vesta | México | 6,5% |
| Ternium | México | 6,5% |
| Credicorp | Peru | 3,5% |
| InRetail | Peru | 3% |
| Parque Arauco | Chile | 3,5% |
| Antofagasta | Chile | 3% |
| Grupo Cibest | Colômbia | 2% |
