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Mercados
23/09/2026
4 min

Brasil em uma ‘encruzilhada’? UBS destaca peso das eleições e do fiscal na hora de investir na Bolsa

O UBS Global Wealth Management (GWM) mantém a recomendação neutra para as ações brasileiras. Segundo o banco, apesar das avaliações atrativas da Bolsa, fatores como a crescente incerteza eleitoral, a deterioração fiscal e o ambiente global de juros elevados continuam limitando uma reprecificação mais significativa dos ativos domésticos. Para o banco suíço, o Brasil atravessa […]

Brasil em uma ‘encruzilhada’? UBS destaca peso das eleições e do fiscal na hora de investir na Bolsa

O UBS Global Wealth Management (GWM) mantém a recomendação neutra para as ações brasileiras. Segundo o banco, apesar das avaliações atrativas da Bolsa, fatores como a crescente incerteza eleitoral, a deterioração fiscal e o ambiente global de juros elevados continuam limitando uma reprecificação mais significativa dos ativos domésticos.

Para o banco suíço, o Brasil atravessa um momento de grande indefinição, no qual os investidores seguem concentrados principalmente na trajetória da dívida pública e no cenário político que emergirá após aseleições presidenciais.

“Os mercados brasileiros continuam operando na interseção de três forças poderosas: uma disputa presidencial altamente competitiva, uma deterioração do cenário fiscal e um ambiente global caracterizado por taxas de juros estruturalmente mais altas”, afirma o UBS no relatório.

Embora a inflação tenha desacelerado e a economia apresente sinais de perda gradual de ritmo, a instituição ressalta que esses fatores não foram suficientes para provocar uma queda relevante dos prêmios de risco exigidos pelos investidores.

Eleições mais apertadas elevam incerteza

Na avaliação do UBS, as eleições de 2026 se tornaram consideravelmente mais competitivas nos últimos meses, aumentando a cautela dos agentes financeiros.

O banco observa ainda que o cenário político ganhou também uma importante dimensão fiscal após o anúncio do reajuste de 15% nos benefícios do Bolsa Família. A medida, segundo os cálculos da instituição, terá custo estimado de R$ 5,8 bilhões em 2026 e cerca de R$ 22 bilhões em 2027.

Na avaliação do UBS, o aumento dos gastos reforça as preocupações dos investidores com a sustentabilidade das contas públicas e deve continuar influenciando os preços dos ativos brasileiros.

“Para os investidores, a principal conclusão é que a incerteza eleitoral e os acontecimentos fiscais provavelmente continuarão sendo fontes relevantes de volatilidade para o real e para a curva de juros doméstica”, considera.

Segundo a instituição, o crescimento da arrecadação não foi suficiente para impedir o avanço da dívida pública, reforçando a importância da credibilidade das políticas fiscais para a percepção de risco do país.

“A questão central, portanto, continua sendo se o Brasil conseguirá estabelecer uma trajetória crível de estabilização da dívida”, diz.

Juros globais também pesam sobre emergentes

Além dos desafios domésticos, o UBS chama atenção para um cenário internacional menos favorável aos mercados emergentes.

A instituição avalia que a resiliência da economia norte-americana e a possibilidade de manutenção de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos reduzem o espaço para uma compressão dos prêmios de risco em países como o Brasil.

“Esse ambiente é importante para o Brasil porque as taxas globais já não proporcionam o vento a favor que os investidores desfrutaram durante ciclos anteriores de flexibilização monetária”, detalha o banco.

De acordo com o UBS, os rendimentos elevados dos título do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries, continuam limitando uma valorização mais forte dos ativos emergentes, mesmo em meio ao crescimento econômico resiliente e aos bons resultados corporativos globais.

Commodities ajudam, mas não mudam visão

Apesar da postura cautelosa, o banco reconhece que as ações brasileiras negociam a múltiplos atrativos tanto em relação ao histórico quanto a outros mercados emergentes.

Ainda assim, o UBS entende que os riscos políticos e fiscais continuam predominando sobre os fatores positivos.

Nesse contexto, o banco vê as empresas ligadas a commodities em posição relativamente mais favorável, beneficiadas pelo suporte das exportações brasileiras e pelos preços ainda elevados de diversas matérias-primas.

Com isso, o UBS manteve recomendação neutra para as ações brasileiras, ao mesmo tempo em que segue favorecendo títulos indexados à inflação e investimentos internacionais.

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AutorAnna Scabello
FonteMoney Times
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