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Sacre Investimentos
InvestMercados
27/08/2026
4 min

Brasil não é uma ilha e caminha para juros estruturais mais altos, diz CEO da EQI Asset

Dívidas públicas elevadas, geopolítica tensa e comércio global mais fechado é pano de fundo para a Money Week deste ano

Brasil não é uma ilha e caminha para juros estruturais mais altos, diz CEO da EQI Asset

O mundo entrou em um regime de juros estruturalmente mais altos e o Brasil não escapa dessa dinâmica. A avaliação é de Ettore Marchetti, CEO da EQI Asset. Para ele, a combinação de dívidas públicas elevadas, geopolítica tensa e comércio global mais fechado empurra a inflação para um novo normal e sustenta taxas de juros mais altas por mais tempo, tanto nas economias desenvolvidas quanto nos emergentes.

Marchetti cita a sustentabilidade da dívida americana, que supera US$ 40 trilhões, como um dos temas que ajudam a redesenhar o cenário. "Como o Brasil não é uma ilha, a gente tem um ambiente propício, tanto no Brasil como nos mercados emergentes, a ter taxas de juros mais altas em termos estruturais", afirma.

No plano doméstico, o executivo aponta que o país já está dentro do processo eleitoral, com uma disputa competitiva e dividida, e que faltam propostas concretas para endereçar um quadro fiscal em que as despesas obrigatórias consomem praticamente todo o orçamento. Sem reformas de peso, diz, há pouco espaço para colocar a trajetória da dívida em relação ao PIB em rota de convergência.

Nesse contexto, a renda fixa segue atrativa, na leitura de Marchetti, tanto em títulos públicos quanto em papéis privados isentos, com preferência por setores de pegada mais global. Para a bolsa, ele reconhece que a maior incerteza tende a trazer volatilidade, mas vê oportunidades quando se olha para valuations e múltiplos, sobretudo em empresas líderes de seus setores no Brasil e que podem se beneficiar do ambiente externo.

Um evento em dois dias

É essa leitura de conjuntura que dá o tom da Money Week , evento anual da EQI Investimentos em Balneário Camboriú (SC), que chega à 12ª edição nesta quinta-feira, 27. A principal mudança está no formato: pela primeira vez, a programação ocupa dois dias inteiros.

Segundo Juliano Custódio, fundador e CEO da EQI, a ampliação não foi pensada para dobrar o conteúdo, mas para distribuí-lo de forma mais estratégica. "A ideia é reduzir sobreposições, permitir uma melhor absorção dos temas e, principalmente, criar mais espaço para interação e relacionamento entre os participantes", explica.

Para Custódio, o novo formato conversa diretamente com o cenário de juros ainda elevados. "O fato de a renda fixa estar atraente não significa que as escolhas tenham ficado mais simples, pelo contrário. É preciso falar sobre alocação, diversificação, cenário macroeconômico, oportunidades e os riscos que podem alterar essa dinâmica", diz.

Ele acrescenta que o objetivo é ampliar o olhar do investidor para um ambiente marcado por eleições no Brasil, conflitos geopolíticos e mudanças nas relações comerciais entre grandes economias.

A agenda deste ano reúne nomes como Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual; Paulo Guedes, ex-ministro da Economia; Daniella Marques, economista e ex-presidente da Caixa; Roberto Lee, fundador e CEO da Avenue; e Silvio Cascione, chefe da Eurasia Group no Brasil. Eleições, geopolítica, alocação internacional, o papel do Brasil no cenário global e setores estratégicos como agronegócio e energia são temas que estão na agenda.

Em 2025, a Money Week reuniu cerca de 4,5 mil pessoas, com 30 estandes e mais de 60 palestras. Para 2026, a expectativa é receber mais de 7 mil participantes nos dois dias, entre CEOs, gestores, economistas e empreendedores.

Juliano Custódio, fundador e CEO da EQI (Divulgação)

O momento da EQI

A expansão do evento acompanha um período de crescimento da própria EQI. Fundada em 2008, em Santa Catarina, a empresa nasceu como plataforma de educação financeira, passou a operar como assessoria de investimentos e depois como corretora. Hoje administra R$ 56 bilhões em ativos sob custódia e atende mais de 90 mil clientes, com 14 escritórios B2C e 54 B2B pelo Brasil. A empresa tem a meta de chegar a R$ 250 bilhões sob custódia até 2031.

O apetite por crescimento apareceu também no movimento societário mais recente. Na primeira quinzena de agosto, a EQI concluiu a compra da plataforma TC junto à Economatica, marcando sua entrada no mercado de trading.

"A própria EQI vive um momento de expansão e com grandes planos. Então, entendemos que o evento também precisava crescer em profundidade e relevância, o que nos levou a esse novo formato de dois dias inteiros de discussões importantes sobre o mercado financeiro", afirma. Juliano

AutorMitchel Diniz
FonteExame
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