Brasil perdeu quase 10% das rotas aéreas e situação poderá piorar, diz entidade

Rio de Janeiro* - Entre 2019 e 2025, o Brasil perdeu 9,9% de suas rotas aéreas, ou 85 trajetos, e a tendência é de mais encolhimento do mercado, segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata).
Em 2019, antes da pandemia, o país tinha 859 rotas. Seis anos depois, o número caiu para 774. Apesar disso, o volume de assentos disponíveis cresceu 4% no período, e passou de 139,7 milhões para 145,3 milhões, em parte porque as empresas passaram a usar aviões maiores ou com mais assentos colocados em uma mesma aeronave.
Neste cenário de menos rotas, há menor conexão entre cidades, especialmente no interior do país, o que eleva o preço das passagens nessas rotas.
"O Brasil teve um recorde (em 2025) de 100 milhões de passageiros domésticos viajando. Infelizmente, isso poderá voltar para menos de 90 milhões, por causa do alto custo de viajar", disse Peter Cerdá, vice-presidente regional para as Américas da Iata (Associação Internacional de Transporte Aéreo), em entrevista coletiva. A entidade realiza sua assembleia anual deste ano no Rio de Janeiro.
Entre as razões para preocupação, Cerdá citou a elevação no preço dos combustíveis, puxada pela alta global do petróleo, e um possível aumento de impostos no Brasil.
“A aviação enfrenta um vento contrário forte, especialmente no lado do combustível, em que fatores estruturais estão afetando a indústria. Essa volatilidade está levando a um preço maior, reduzindo a conectividade e prejudicando investimentos", disse Cerdá.
Reforma tributária
Cerdá reafirmou um dado citado no ano passado, de que a reforma tributária no Brasil, caso aumente de fato as taxas sobre o setor aéreo para 26,5%, poderá reduzir a demanda por voos no país em 30%.
A Iata avalia que, com a reforma no modelo atual, as passagens domésticas no Brasil passarão de um preço médio de US$ 130 para US$ 160, e que as internacionais aumentariam de US$ 740 para US$ 935.
Em abril, o Ministério da Fazenda divulgou uma nota sobre o tema e disse que o setor aéreo também terá desonerações com a reforma.
"A reforma desonerará, por exemplo, os tributos sobre o abastecimento dos voos internacionais e sobre o catering (alimentação dentro do voo). As empresas aéreas receberão crédito integral de todo o IBS e CBS pagos em suas compras. Tais desonerações e créditos devem ser considerados no cálculo da tributação geral do setor aéreo, não sendo possível inferir impacto somente com o recorte de uma parte da operação", disse o ministério.
Cerdá disse que as empresas estão negociando o tema com o governo. "É prioridade máxima para o setor encontrar uma solução junto ao governo brasileiro, pois, com a proposta ou implementação atual do aumento, seria muito difícil manter um crescimento confiável no curto prazo", afirmou.
*O repórter viajou a convite da Iata.
